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24 Novembro 2011
Um fato de crônica negra leva uma comunidade do Movimento dos Focolares a tentar mudar a imagem da cidade, mirando o perdão, e não a vingança.

Orgosolo é uma cidade no coração da Sardenha (Itália), muito conhecida pelos murais pintados nas casas, que ilustram os problemas, as expectativas e as esperanças de um povo que vive prevalentemente de agricultura e pecuária; um povo que conhece também o medo pelos atos criminosos, muito difundidos naquela região.

Foi lá que, na madrugada do dia 24 de dezembro de 1998, foi morto o vice-vigário, padre Graziano Muntoni. Um único tiro de fuzil e um sofrimento que abalou a comunidade inteira.

Mesmo na raiva e numa consternação compreensível, a população local intuiu logo que não podia se limitar a condenar, mas que era necessário fazer alguma coisa. O que fazer numa situação como essa? A comunidade começou a refletir sobre palavras do Evangelho que convidam a unir-se para pedir qualquer coisa a Deus. Nasceu a ideia de marcar um encontro todas as noites, em lugares diferentes, para pedir a Deus a paz para a cidade, numa oração unânime: era a “Hora da paz”. Mas a realidade era mais complexa do que se previa, porque a paz deve ser gerada, guardada, exige comprometimento em viver a fraternidade, com cada pessoa, todos os dias.

Com essa consciência tiveram início as mais diferentes iniciativas para difundir a proposta da “Hora da paz”, entre o maior número de pessoas possível, inclusive os estudantes das escolas e faculdades, em vários encontros. Houve também a participação em um programa de televisão, na principal rede nacional.

A “Hora da paz” trouxe uma nova esperança à cidade, muitas pessoas se reconciliaram após anos de tensão. Como G., uma senhora que num dos encontros confidenciou: «Devo encontrar a força de perdoar quem matou dois de meus filhos, e mandou para a cadeia outros dois». No encontro sucessivo, ela mesma contou: «Perdoei, a oração da “Hora da paz” que vivemos tirou o ódio do meu coração. Durante a Missa aproximei-me de uma pessoa inimiga e apertei a sua mão».

Outros ainda estão encontrando a força de perdoar em situações igualmente graves, com atitudes que absolutamente não se dão por descontadas. Como Anna, que em 2008 teve um filho sequestrado e morto, e que está reaprendendo a viver, a trabalhar, mais serena e pacificada, não obstante a tragédia. Quando ela veio a saber sobre um suspeito pelo homicídio do filho, não pediu para ele a punição, mas que tivesse um verdadeiro encontro com Deus.

A escolha da fraternidade nos leva a assumir este abismo de sofrimento no qual vive parte do nosso povo, e com frequência também a assumir a responsabilidade por aquilo que propomos, inclusive diante das instituições. Foi assim que, a partir da nossa experiência, uma escola de ensino superior elaborou um projeto por uma cultura de paz e de perdão entre os jovens, e os resultados dessa ação serão reunidos em um livro a ser avaliado pelas Nações Unidas.

Os nossos esforços para construir a paz, até mesmo lá onde parece quase impossível, estão produzindo resultados concretos, que dão um rosto novo às nossas cidades.

Da Comunidade do Movimento dos Focolars de Orgosolo (Nuoro – Itália)