Giorgio Crispiani

 
«Tudo passa, fica só o amor» (1937 – 24 de agosto de 1997)

Giorgio_CrispianiNascido na região Le Marche (centro da Itália), Giorgio Crispiani trabalhou no Instituto Casas Populares da sua cidade, Macerata, ainda antes de diplomar-se em economia.
Filho de uma dona de casa e de um mecânico, desde jovem demonstra fortes exigências de igualdade, que o levam a abraçar como método de ação política o pensamento reformista. Bem distante da prática religiosa possui, porém, como ele mesmo recorda, “um forte impulso interior pela justiça social”.

Em 1978 Giorgio é convidado, por sua esposa, para participar de um encontro de espiritualidade, organizado na casa de um vizinho. É o primeiro contato com alguns membros do Movimento dos Focolares e a solicitude deles pela justiça social não o deixa indiferente. Pouco a pouco sente, com um ardor renovado, o desejo de contribuir para a humanização das estruturas sociais. Compromete-se então com os voluntários, setor dos Focolares empenhado em alcançar esse objetivo, por meio do Movimento Humanidade Nova.

Giorgio lança-se a viver o novo ideal antes de tudo no trabalho. Em 1978, na Itália, estavam sendo fechados os manicômios, e ele fica profundamente tocado ao reencontrar um ex-colega que havia ficado fechado em um desses durante 20 anos, simplesmente porque não havia ninguém que cuidasse dele.

Nesse período tornara-se dirigente do Instituto Casas Populares. Assumindo a causa em primeira pessoa e sensibilizando os seus colegas, consegue destinar algumas casas populares para que se tornem “casas famílias” para os muitos casos análogos ao de seu colega. Ele ama o seu trabalho e sente-se feliz em poder agir de modo desinteressado em favor dos mais marginalizados.

Em 1991 é promovido a administrador extraordinário da Unidade Sanitária (USL) de Civitanova. Durante a sua gestão a USL passa do vigésimo ao segundo lugar, em termos de eficiência e exatidão no balanço de toda a Região, mas Giorgio distingue-se especialmente pelo seu modo de construir relacionamentos positivos com todos. Chega a criar um dia fixo no qual os operadores podem ir falar com ele, tratando com o mesmo interesse o diretor e o carregador de macas.

De improviso, em 1994, o seu cargo não é renovado, com uma decisão que, em seguida, descobriu-se ser irregular. Mas Giorgio aceita humildemente esta rejeição e fica trabalhando como subordinado do novo gerente. Em 1996 pede a demissão, corajosamente, por não compartilhar algumas decisões éticas tomadas.

Ele pensava que finalmente poderia dedicar-se à família, mas justamente então descobre que tem um tumor. O conforta a frase que Chiara Lubich havia convidado todos a colocarem em prática naquele momento: “És tu, Senhor, o meu único bem”. Assume e oferece os seus sofrimentos pelas muitas realidades pelas quais havia trabalhado. Como seu “testamento” fica o que havia dito a um amigo, poucos dias antes de concluir a sua vida terrena: “Tudo passa, vale só o amor. Veja o que isso significa para alguém como eu, que antes não acreditava!”.

Regras(500)

 

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