Pia Fatica

 
Incansável testemunha do Evangelho na África. (1929 - 23 de agosto de 2015)
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PiaFatica_01Segunda-feira, 31 de agosto. Nesta época não é fácil chegar a Fontem, um vilarejo Bangwa em meio à floresta camaronesa. É o ápice da estação das chuvas e a estrada torna-se um lamaçal e, em vários trechos, quase impraticável. Não obstante isso, nos últimos oito dias, muitas pessoas, em um ininterrupto movimento, foram prestar homenagem ao corpo de Pia Fatica. Hoje estão presentes mais de mil pessoas vindas de vários lugares para o último adeus a esta mulher extraordinária que decidiu deixar a Itália e, passados 48 anos, estabelecera-se para sempre em Fontem. O celebrante principal foi Dom Andrew Nkea que afirmou: “Sendo bispo e sendo bangwa posso dizer que Pia viveu todas as bem-aventuranças. Isto significa que para ela hoje é o dia do seu nascimento no céu”. Palavras ditas com autoridade e que confirmam o que acontecera em 2000, quando o Chefe tradicional conferiu a Pia o título de Rainha do Amor (Mafua Nkong). Mas, quem é esta mulher que, há 38 anos fez a escolha de transcorrer o resto da vida na África, pedindo para ser sepultada lá?

Pia nasceu em Campobasso (Itália), em 1929. Era obstetra, profissão de prestígio e muito vantajosa naquele tempo. Tomou conhecimento, lendo no Osservatore Romano que estava iniciando uma missão nos Camarões e que era previsto também a construção de um hospital. Sentiu-se interpelada e, embora não conhecesse nem mesmo qual Movimento estava executando o projeto, decidiu deixar tudo para correr até lá e dar a sua contribuição. Chegando a Fontem tomou conhecimento de que, por uma difundida mortalidade infantil, a obstetrícia era a prioridade absoluta. Dedicou-se a isso com todas as suas energias, mergulhando totalmente na cultura daquele povo animista, que, angustiado diante da morte dos seus recém-nascidos, procurara o bispo católico pedindo ajuda.

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Pia Fatica

Sendo muito concreta, tendo uma grande abertura e grande capacidade de diálogo com a cultura local, Pia soube estreitar relacionamentos profundos com indivíduos e famílias, com as autoridades, com os quais sempre tratava com respeito e amor, mas, quando necessário, também falava na extrema verdade e com liberdade interior. Era uma obstetra incansável e colaborou com o nascimento de mais de 11.000 crianças. Acompanhou depois, a caminhada também espiritual de cada uma. Um fato entre os muitos: uma jovem, que se tornara cristã convicta, confidencia com ela que não deseja casar-se na igreja, para não desprezar os valores tradicionais do seu povo. Pia a escuta com grande acolhida: sabe que não são escolhas fáceis. Ouviu sem aconselhar nada. Mais tarde, porém, retomando o assunto, lembrou à jovem que é ela que deve decidir, na liberdade, mas, a recordou também que, com o batismo que ela própria pedira à Igreja, havia acolhido uma nova tradição, a de Jesus. Depois de um mês a jovem solicitou a Pia que a acompanhasse à casa do sacerdote para que os três conversassem. Resultado: a cerimônia foi maravilhosa e a família testemunha a fé esplendidamente.

Pia continuou a dar a sua contribuição em diversos setores do hospital, até o último serviço criado de propósito para ela, denominado “Escritório para todos os problemas”, um título que, por si só, diz a amplidão e a abertura do seu coração. Ela conhece profundamente a situação do povo Bangwa e tem uma particular sensibilidade para os “últimos”: os doentes, os prisioneiros, as pessoas em dificuldades econômicas e sempre encontra os meios, e também o dinheiro que, pela sua grande fé, recebe da Providência.

A concretude que sempre a caracterizou também a acompanhou nas últimas semanas, quando decidiu escrever à presidente dos Focolares, Maria Voce, para comunicar que estava chegando a hora de deixar este mundo: “Estou feliz de ir ao encontro de Jesus – escreveu entre outras coisas – e de depositar em suas mãos o mundo pelo qual eu vivi.” No cemitério, mesmo se chovia torrencialmente, houve muitas danças durante a celebração, em sinal da profunda gratidão por esta grande mulher, com a convicção de todos que Pia, imediatamente, encontrou Jesus.

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Qualificações

  1. Fiona Bowie

    I feel so privileged to have known Pia and shared a small portion of her life. We first met in Grottaferrata in 1975 when we shared the guest room in Cosimo and Rosa Calo’s home – a friendship cemented when they all worked in Fontem. Five year later I joined Pia in Fontem and shared the life of the Volunteers with her, but more than that I watched and learned. She had a deep and tenacious love of the Bangwa, and seemed to remember every mother and child she had helped into the world.

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