Burundi, para reconstruir a paz

 
Este país africano foi martirizado, durante mais de 12 anos, por uma guerra civil, cujas consequências se fazem sentir agora. Testemunho de um jovem burundiense e seu compromisso pessoal pela paz.
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Foto: Shutterstock

«A minha vida foi profundamente marcada pela violência. Num contexto tão difícil, o desejo de trabalhar pela reconstrução da minha terra é uma paixão que cresce cada dia dentro de mim. Foi este desejo que me levou até à Itália, para estudar no Instituto Universitário Sophia (IUS), do qual tinha ouvido falar no meu País. A maneira como se enfrentam as dificuldades em Sophia é para mim de grande ajuda para enfrentar os conflitos do Burundi. Compreendi que não devo esperar pela conclusão dos meus estudos para dar a minha contribuição».

É assim que este jovem se empenha em trabalhar pela paz. «Tenho a possibilidade de me encontrar com muitos compatriotas meus na Itália e com eles procuro expressar as minhas convicções, em espírito de fraternidade e com os instrumentos que adquiri no estudo e na vida, os quais me permitem dialogar com eles, valorizando o positivo de cada um.

Esta minha atitude atraiu a atenção daqueles que têm opiniões diferentes acerca da realidade do Burundi: membros da oposição, membros do partido que está no poder e também pessoas da sociedade civil. Quando é a minha vez de intervir, não falo da minha experiência política, mas procuro exprimir aquilo que sinto dentro de mim, tendo como referência o que diz o Papa quando afirma que “a violência nunca é o caminho para a paz”».

«Um dia, pus em evidência precisamente que entre nós havia representantes do governo, da oposição, da sociedade civil, do partido do poder, etc. E naquele dia estava previsto no programa que se concluísse tomando uma cerveja juntos, em sinal de reconciliação e em conformidade com a nossa cultura. Eu acrescentei que aqui, longe dos conflitos, estamos sentados uns ao lado dos outros e, mesmo discutindo apaixonadamente, cumprimentamo-nos tanto à chegada como à partida. Pelo contrário, em Bujumbura as pessoas matam-se… Então, fiz-lhes uma proposta: porque não fazermos chegar a todos este nosso testemunho? Porque não dizermos também aos nossos compatriotas que estão lá que se pode dialogar e discutir sem conflitos e sem se matarem? Nós aqui conseguimos demonstrar que o diálogo é possível, acrescentei».

«Depois desta minha intervenção pensei que não seria compreendido ou que me considerariam um sonhador que vive na utopia». Pelo contrário, para sua surpresa, tomaram-no muito a sério. «Encontramo-nos ainda com cerca de vinte especialistas na situação do Burundi. Éramos representantes dos diferentes interesses em causa, e o objetivo era discutir sobre as modalidades de um diálogo inclusivo entre o governo, a oposição, a sociedade civil, os grupos armados, etc., em vista à pacificação do País. Foi uma ocasião importante para a escuta mútua, e também para expressar em conjunto e com serenidade algumas propostas a transmitir ao governo».

«Pude constatar que a experiência de Sophia traz frutos que nos ultrapassam – conclui. Mais do que nunca, estou convencido de que podemos iluminar com o Evangelho as diversas situações difíceis que se vivem nos nossos Países. Espero continuar a dar o meu pequeno contributo para a construção da paz, não apenas no Burundi, mas também no mundo».

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