A minha vocação “sophiana”

 
Uma conversa com Piotr Zygulski, 23, pai polonês e mãe italiana, estudante do Instituto Universitário Sophia. Os motivos de uma opção que o realiza cada vez mais.

s200_piotr.zygulskiPiotr, o que o levou a optar por Sophia?
Muitos fatores me conduziram a Sophia. Nos anos do ensino médio tive a sorte de conhecer um filósofo de Turim, chamado Costanzo Preve, que me aproximou dos estudos da filosofia a partir da minha pré-existente curiosidade pela política. A sua impostação filosófica hegel-marxista abriu-me a um olhar sobre a totalidade social que, ao mesmo tempo, tornou árdua a escolha de uma universidade; eu estava indeciso entre economia, política e filosofia e, na conclusão do ensino médio, um professor falou-me de Sophia, ainda que houvesse apenas cursos para mestrado. Afinal, até para ter um “pedaço de papel” mais “consumível”, optei pelo curso trienal de economia, em Gênova.

Uma escolha que não o satisfez…
A insatisfação com a impostação “convencional” de muitos cursos levou-me a aderir à rede internacional de Rethinking Economics, para promover um pluralismo econômico, metodológico e interdisciplinar no ensino universitário de economia, e fundei uma sede local dela. Paralelamente, de maneira autônoma, continuei os meus estudos musicais e filosóficos. Além disso, tornei-me jornalista: faço parte da redação do jornal Termômetro Político e há alguns meses passei a dirigir a revista de debate eclesial Nipoti di Maritain. Mas, voltando ao ponto, nestes anos li alguns ensaios do reitor Piero Coda e pedi-lhe para visitar Sophia. Estive aqui duas vezes, antes de fazer minha matrícula. A cada vez a confirmação da minha vocação “sophiana” era mais reforçada.

Que trajetória você decidiu fazer e o que tem ganho nestes primeiros meses presenciais?
Decidi estudar ontologia trinitária, inclusive pela possibilidade de usufruir do acordo com a Universidade de Perúgia para o título duplo, e obter, além do diploma vaticano, um mestrado italiano em filosofia com ênfase didática, o que eventualmente abriria para mim um caminho para o ensino superior. Nesses primeiros meses todos nós frequentamos os mesmos cursos filosóficos, teológicos, políticos e econômicos, o que consente partir de uma base comum. Este aspecto inter-disciplinar, no meu caso não foi uma surpresa, mas uma opção consciente e deliberada. Do ponto de vista acadêmico, o nível de Sophia é muito elevado e deu-me a possibilidade de aprofundar temas de interesse pessoal durante os cursos. Desde o final de agosto moro num apartamento dois andares acima das salas de aula, com nove rapazes de todos os continentes, da Argentina à China, da Alemanha à Tanzânia, passando pelo Líbano. Ótima convivência, bem organizada também nos trabalhos domésticos; desde o início nos sentimos logo como irmãos, nos pequenos cuidados cotidianos.

E os seus projetos? Que previsões você faz?
É difícil dizer, porque no momento não faço outra coisa senão abrir novas estradas; o objetivo, a médio prazo, é obter o diploma, mas para a tese tenho muitas ideias diferentes e, como acontece muitas vezes, provavelmente nenhuma delas será a definitiva. Depois poderei pensar num doutorado, mas veremos. Mas eu gostaria, de qualquer forma, de continuar a atividade jornalística, e como trabalho, não seria mal ensinar ou encontrar um lugar no campo editorial. Mas não gostaria de colocar obstáculos para o Espírito, que poderia me levar muito além.

Fonte: IUS online

 

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