Um encontro com o Absoluto

 
Uma oração de Chiara Lubich que, no íntimo colóquio com Deus, torna-se poesia. Especialmente diante do sofrimento que sempre se revela, como por uma alquimia divina, apenas amor de Deus.

Chiara 4Eu te encontrei em tantos lugares, Senhor!
Senti teu palpitar
no silêncio altíssimo de uma igrejinha alpina,
na penumbra do sacrário de uma catedral vazia,
no respiro unânime de uma multidão, que te ama,
e enche as arcadas de tua igreja de cantos e de amor.
Eu te encontrei na alegria.
Falei contigo além do firmamento estrelado,
enquanto, à noite, em silêncio,
voltava do trabalho para casa.
Procuro-te e tantas vezes te encontro.
Mas, onde sempre te encontro é na dor.
A dor, uma dor qualquer,
é como o toque da campainha
que chama esposa de Deus à oração.

Quando surge a sombra da cruz,
a alma se recolhe no sacrário do seu íntimo
e, olvidando o tilintar da campainha,
te “vê” e contigo fala.
És Tu que me vens visitar.
Sou eu que te respondo:
“Eis-me aqui, Senhor, eu te quero, eu te quis”.
E, neste encontro, minha alma não sente a própria dor,
mas fica como inebriada pelo teu amor,
repleta de ti, impregnada de ti;
eu em ti, Tu em mim, para que sejamos um.
Depois, reabro os olhos para a vida,
para a vida mais verdadeira,
divinamente aguerrida,
para conduzir a tua batalha.

De Chiara Lubich, Ideal e Luz, BrasilienseCidade Nova, São Paulo 2003, pp 134-135

Regras(500)

 

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