Giordani: era o verão de 1949

 
16 de julho de 1949: uma data fundamental para os Focolares. Chiara Lubich e Igino Giordani estreitam um “pacto de unidade” que estará à base do nascimento do Movimento. Naquele dia, tem início a experiência mística de Chiara, conhecida como “Paraíso de 1949”. A poética narrativa de Giordani.

con-Chiara-5a«Entre jogos, brincadeiras, à sombra das coníferas, sob rochas, Chiara, aos seus, falava sempre de Deus, da virgem, da vida sobrenatural: a sobrenatureza era a sua natureza. Convivia sempre com o Senhor: efeito da caridade, de que era, molécula por molécula, edificada.
E então, quando se ia para o campo, aquelas florestas alpinas se transfiguravam em catedrais, aqueles cumes pareciam picos de cidades santas, flores e prados se coloriam com a presença de anjos e de santos: tudo se animava em Deus. Caíam as barreiras da matéria. Era, também esta, uma forma daquela reconciliação de sacro e de profano, pela qual, eliminado o feio, o mal, o disforme, se recuperavam, de toda parte, os valores de beleza e de vida da natureza, em todos os seus aspectos.

Os discursos dela, como as obras, resultavam uma assídua desobstrução de detritos mortuários para restabelecer a comunicação, por si só tão simples, da natureza com a sobrenatureza, da matéria com o espírito, da terra com o céu. Uma duplicação dos valores da existência na terra; um abrir a passagem ao paraíso.

Era o verão de 1949. Aquele deleite foi facilitado pela herança de um chalé em Tonadico de Primiero, recebido por Lia [Brunet]. Para passar o veraneio, subiram até lá, em julho, Chiara [Lubich], Foco [Igino Giordani]e as focolarinas para ficarem um pouco sozinhas, descansando fisicamente, após os trabalhos, para os pobres e para si, durante o ano.
O chalé era composto por um celeiro superior, ao qual se acedia, por uma escada de mão, do andar térreo composto por um ambiente com uma pequena cozinha.
Em cima, se ajeitaram algumas camas de campanha e um armário pendurado por uma roldana: e este foi o dormitório delas. Foco foi ao hotel Orsinger e teve ocasião de falar na sala dos Capuchinhos. Na igreja deles, ele desejou se ligar “curto” com um voto de obediência, o qual, porém a Chiara não se demonstrou conforme aos usos do focolare. Propôs, antes, um pacto de unidade, no sentido de que na próxima Comunhão eucarística, sobre o nada das almas, Jesus nela pactuasse com Jesus nele. De manhã, na missa, ao comungarem, os dois fizeram com que Jesus pactuasse com Jesus.
Foi, para ela, o início de uma série de iluminações».

Igino Giordani, História do Movimento dos Focolares, escrito inédito.

Regras(500)

 

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