Os nossos amigos de Mae Sot

 
A narrativa de um focolarino italiano em contato com a extrema pobreza em que vivem grupos de refugiados por causa da guerra da ex Birmânia. Projetos na Tailândia, Laos e Vietnam.

goc30_01Desde o início da minha aventura no focolare na Tailândia, em 1984, o contato com os pobres foi constante. Em 1985, a primeira viagem à então Birmânia (atual Myanmar) e uma grande impressão de tocar com as mãos a mais extrema miséria: até aquele dia nunca a tinha visto pessoalmente. Depois, com a guerra civil que explodiu em 1988, os refugiados começaram a chegar na Tailândia, sobretudo na região da fronteira. As condições deles? Doenças, solidão, desespero, exploração e muita vontade de uma vida verdadeira: para nós, focolarinos, um semblante de Jesus crucificado e abandonado que procuramos aliviar e amar. Nestes 32 anos, a nossa ajuda, com certeza, foi insuficiente, como condiz a uma verdadeira catástrofe humanitária da qual pouco se fala. Diante da dor, de quem morre, você está sempre despreparado.

Há cerca de 6 anos, o nosso empenho se intensificou na região de Mae Sot, no noroeste da Tailândia, numa cidade de fronteira. Retomamos o projeto iniciado pelo Padre Justine, birmanês, morto após uma longa doença. Ele começou a se ocupar dos filhos dos migrantes que eram deixados em casa o dia inteiro, sozinhos, os recolhendo numa pequena “escola” (uma cabana). Tinha ficado sem apoio econômico e assim demos o resto do dinheiro que sobrou para retomar a acolhida. A escola agora se chama “Gota a Gota, a ponte Latina-Mae Sot”: uma colaboração entre as nossas crianças de Mae Sot de origem birmanesa e Karen e os de uma escola em Latina, na Itália, onde trabalham alguns membros dos Focolares. É uma ponte de solidariedade que liga as duas cidades distantes 10.000 km, e que hoje se ampliou envolvendo algumas centenas de pessoas de muitos outros lugares. Uma multinacional dos transportes nos ajuda a levar com os seus containers as ajudas angariadas, pagando todas as despesas de liberação alfandegária (€ 1000 per cada carga), para fazê-los chegar até Mae Sot, nas montanhas da Tailândia.

Atualmente, através do Padre Joachim, do Myanmar, ajudamos cerca de 200 pessoas que estão fora dos campos oficiais de refugiados, que não têm documentos e, frequentemente, nada para comer. Como diz o Papa Francisco, fazemos a experiência de “tocar a carne de Cristo”, um dos muitos semblantes de Jesus Abandonado. Além dos alimentos, existe a necessidade de amor, de calor, de afeto… Chiara (Lubich) e a nossa espiritualidade nos estimulam a ‘fazer-nos um’ com todos. Um deles nos disse: “Obrigado por tudo o que vocês nos fazem chegar, mas sobretudo porque nos fazem sentir amados. Isto nos dá esperança para viver”.

Atualmente temos uma associação formada por alguns nossos amigos de Poschiavo (Suíça), que foi reconhecida pelo governo, e que financia os projetos em andamento em três países: Tailândia, Laos e Vietnam. Após 6 anos vemos que é um milagre de verdade!

IMG_7324No Vietnam, os projetos estão na região do sul, na direção do Delta do Mekong, ao redor de uma paróquia. Construímos pequenas casas ou as reformamos; poços para a água potável para quem não tem; e construímos pontes que são mais do que úteis para as comunicações entre as pequenas ilhas. As assim chamadas “pontes dos macacos”, feitas apenas de uma dezena de caniços de bambu, se transformam em pontes para as pessoas, feitas com cimento e ferro. Agora começamos a trabalhar também nas montanhas, no centro do Vietnam, na região de Gia Lai (famosa pelos combates durante a guerra) com um grupo das minorias étnicas. A Igreja se empenha muito naquela região e a pobreza atinge níveis realmente preocupantes nos lugarejos de montanha, sobretudo para as populações étnicas. No Laos levamos ajuda às crianças através de sacerdotes que transcorreram um período na “escola sacerdotal” em Tagaytay (Filipinas).

A ajuda é sustentada por relações de verdadeira amizade, muita fantasia e vontade de trabalhar. O amor é como uma ponte que une todos com um sonho comum: viver concretamente a fraternidade universal. O nosso budget? Doações espontâneas, de muita gente comum e inclusive pobre. Estamos convencidos de que se Deus quer este projeto, faz com que chegue a nós o quanto e o que precisamos.

Luigi Butori

Website: www.gocciadopogoccia.ch

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