Santidade de povo

 
De uma entrevista à presidente dos Focolares, Maria Voce, transmitida no dia 28 de julho passado durante o programa televisivo “Sulla via di Damasco” da emissora pública italiana Rai2.
Maria Voce

«Chiara Lubich era uma jovem de vinte e três anos, que buscava um Ideal na vida e o encontrou em Deus. Por isso escolheu viver o Evangelho em sua totalidade. Ela entendeu que essa sua escolha que poderia suscitar uma mudança pessoal e ao seu redor, portanto se lançou nessa revolução evangélica. […]
Chiara Lubich nos mostrou um caminho de santidade que neste momento está sendo observado também pela Igreja, que está examinando a sua possível canonização. Porém isso não é tudo. Chiara nos fez entender que se constrói a santidade, fazendo a vontade de Deus, momento por momento; que a santidade não é uma questão de êxtases, de milagres ou de coisas extraordinárias. Fazendo a vontade de Deus, momento por momento, todos podem alcançá-la.
Também no nosso Estatuto está escrito, como primeiro objetivo geral, a “perfeição da caridade”. Mas esta perfeição, que é justamente a santidade, pode ser alcançada momento por momento na vontade de Deus, que é diferente para cada um. Para uma mãe de família, por exemplo, significa realizar bem a sua missão de mãe de família, para um estudante significa ser um bom aluno, mas pode nos conduzir à perfeição da caridade. Eu acho que esta é uma mensagem sempre atual, que atrai as pessoas, porque não é uma santidade extraordinária, feita de imagens ou de culto. Significa construir, momento por momento, o relacionamento com Deus e com os outros, no amor. Esta é a primeira característica fundamental.

A segunda é que essa santidade deve servir para os outros. Não é uma santidade que tem um fim em si mesma, porque ninguém vive para si mesmo. Deus nos criou e nos redimiu juntos. Jesus veio à terra para redimir todos nós como seu povo, Igreja, Corpo de Cristo e, portanto, deseja que esta santidade se estenda a toda a humanidade

Chiara nos deixa uma mensagem: estar abertos a todos, não olhar para ninguém como se fosse diferente de nós, mas como se fosse nosso irmão. E este “cada um” significa tanto a pessoa do mesmo país como a de outro, tanto um cristão como um não-cristão, tanto uma pessoa que crê como uma que não crê, tanto quem entende e aceita o que eu digo como aquela que me combate, porque também quem me combate é meu irmão.

Foi isso que Chiara nos ensinou, vivendo-o em primeira pessoa, tendo um coração capaz de acolher cada um como se fosse a única pessoa no mundo, sem fazer diferença entre um chefe de Estado ou uma criança, um parente ou um responsável de outra Igreja ou de outra religião.

Chiara tinha o mesmo amor para com todos. E esta, creio, é a mensagem mais importante inclusive hoje, neste momento em que vemos ressurgir tensões, violências, egoísmos, indiferenças recíprocas. Para construir um mundo que, animado pelo Evangelho, possa tornar-se um mundo da fraternidade, da verdadeira família humana».

Regras(500)

 

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