{"id":298996,"date":"2002-08-31T22:00:00","date_gmt":"2002-08-31T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/setembro-2002\/"},"modified":"2024-05-13T21:05:52","modified_gmt":"2024-05-13T19:05:52","slug":"setembro-2002","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/setembro-2002\/","title":{"rendered":"Setembro 2002"},"content":{"rendered":"<p>Esta Palavra de Vida \u00e9 tirada de um dos livros do Antigo Testamento, escrito entre os anos 190 e 180 antes de Cristo por Ben Sirac, um s\u00e1bio, um escriba, que exercia sua fun\u00e7\u00e3o de mestre em Jerusal\u00e9m. Ele ensina um tema muito estimado em toda a tradi\u00e7\u00e3o sapiencial b\u00edblica: Deus \u00e9 misericordioso para com os pecadores e o seu modo de agir deve ser imitado por n\u00f3s. O Senhor perdoa todas as nossas culpas porque &#8220;\u00e9 compaix\u00e3o e piedade, lento para a c\u00f3lera e cheio de amor&#8221; Fecha os olhos para n\u00e3o ver mais os nossos pecados, esquece-os, lan\u00e7ando-os atr\u00e1s de si. Com efeito, escreve ainda Ben Sirac, conhecendo a nossa pequenez e mis\u00e9ria, Ele &#8220;multiplica o perd\u00e3o&#8221;. Deus perdoa porque, como qualquer pai, qualquer m\u00e3e, quer bem aos seus filhos e portanto os desculpa sempre, esconde seus erros, d\u00e1 a eles confian\u00e7a e os encoraja, sem jamais se cansar.<br \/>Sendo pai e m\u00e3e, Deus n\u00e3o se contenta em amar e perdoar seus filhos e suas filhas. O seu grande desejo \u00e9 que eles se tratem como irm\u00e3os e irm\u00e3s, que sejam concordes, que se queiram bem, que se amem. A fraternidade universal: eis o grande projeto de Deus para a humanidade. Uma fraternidade mais forte que as inevit\u00e1veis divis\u00f5es, tens\u00f5es, rancores que se insinuam com tanta facilidade devido \u00e0s incompreens\u00f5es e aos erros. <br \/>Muitas vezes as fam\u00edlias se desagregam porque n\u00e3o sabemos nos perdoar. \u00d3dios antigos d\u00e3o continuidade \u00e0 divis\u00e3o entre parentes, entre grupos sociais, entre povos. \u00c0s vezes at\u00e9 encontramos gente que ensina a n\u00e3o esquecer as injusti\u00e7as sofridas, a cultivar sentimentos de vingan\u00e7a&#8230; E um rancor surdo envenena a alma e corr\u00f3i o cora\u00e7\u00e3o. <br \/>H\u00e1 quem pense que o perd\u00e3o \u00e9 uma fraqueza. N\u00e3o. Ele \u00e9 a express\u00e3o de uma coragem extrema; \u00e9 amor verdadeiro, o mais aut\u00eantico por ser o mais desinteressado. &#8220;Se amais aos que vos amam, que recompensa tereis?&#8221; &#8211; diz Jesus. Isto todos sabem fazer. &#8220;Mas v\u00f3s, deveis amar os vossos inimigos&#8221;.<br \/>Tamb\u00e9m a n\u00f3s Ele pede que, aprendendo dele, tenhamos um amor de pai, um amor de m\u00e3e, um amor de miseric\u00f3rdia para com todos os que encontramos no nosso dia, sobretudo para com aqueles que erram. E \u00e0queles, ent\u00e3o, que s\u00e3o chamados a viver uma espiritualidade de comunh\u00e3o, ou seja, a espiritualidade crist\u00e3, o Novo Testamento pede ainda mais: &#8220;Perdoai-vos mutuamente&#8221;. O amor rec\u00edproco exige, de certo modo, um pacto entre n\u00f3s: estarmos sempre prontos a nos perdoarmos uns aos outros. S\u00f3 assim poderemos contribuir para criar a fraternidade universal. <\/p>\n<p class=\"RipPdv\">\u00abPerdoa a teu pr\u00f3ximo a injusti\u00e7a cometida; ent\u00e3o, quando orares, teus pecados ser\u00e3o perdoados\u00bb<\/p>\n<p>Estas palavras n\u00e3o s\u00f3 nos convidam a perdoar mas nos recordam que o perd\u00e3o \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que tamb\u00e9m n\u00f3s possamos ser perdoados. Deus nos ouve e nos perdoa na medida em que soubermos perdoar. O pr\u00f3prio Jesus nos exorta: &#8220;Com a medida com que medis sereis medidos&#8221;. &#8220;Felizes os misericordiosos porque alcan\u00e7ar\u00e3o miseric\u00f3rdia&#8221;. De fato: se o cora\u00e7\u00e3o estiver endurecido pelo \u00f3dio, nem sequer ser\u00e1 capaz de reconhecer e de acolher o amor misericordioso de Deus.<br \/>Ent\u00e3o, como podemos viver esta Palavra de Vida? Certamente perdoando de imediato, se existir algu\u00e9m com quem ainda n\u00e3o nos tivermos reconciliado. Mas isto n\u00e3o basta. Ser\u00e1 necess\u00e1rio sondar nos recantos mais escondidos do nosso cora\u00e7\u00e3o e eliminar at\u00e9 mesmo a simples indiferen\u00e7a, a falta de benevol\u00eancia, toda atitude de superioridade, de neglig\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a quem quer que passe ao nosso lado.<br \/>Ainda mais. Torna-se necess\u00e1ria uma a\u00e7\u00e3o de preven\u00e7\u00e3o: assim, a cada dia vejo com olhos novos todos os que encontro, na fam\u00edlia, na escola, no trabalho, na loja, pronto a n\u00e3o fazer caso daquilo que n\u00e3o me agrada no seu modo de agir, disposto a n\u00e3o julgar, a dar-lhes confian\u00e7a, a esperar sempre, a acreditar sempre. E me aproximo de cada pessoa com essa anistia completa no cora\u00e7\u00e3o, com esse perd\u00e3o universal. N\u00e3o me lembro mais, absolutamente, de seus defeitos, para encobrir tudo com o amor. E se, ao longo do dia, eu cometi uma grosseria ou tive um \u00edmpeto de impaci\u00eancia, ent\u00e3o procuro remediar com um pedido de desculpa ou um gesto de amizade. Compenso uma atitude de rejei\u00e7\u00e3o instintiva do outro, com uma atitude de plena acolhida, de miseric\u00f3rdia sem limite, de perd\u00e3o completo, de partilha, de aten\u00e7\u00e3o para com as suas necessidades.<br \/>Ent\u00e3o tamb\u00e9m eu, quando elevar minha ora\u00e7\u00e3o ao Pai, sobretudo quando lhe pedir perd\u00e3o pelos meus erros, verei o meu pedido ser atendido. Poderei dizer com plena confian\u00e7a: &#8220;Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como n\u00f3s perdoamos a quem nos tem ofendido&#8221;.<\/p>\n<p><em>Chiara Lubich<br \/>&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em> <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abPerdoa a teu pr\u00f3ximo a injusti\u00e7a cometida; ent\u00e3o, quando orares, teus pecados ser\u00e3o perdoados.\u00bb (Eclo 28,2)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3160,129],"tags":[],"class_list":["post-298996","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-palavra-de-vida-pt-pt","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298996","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=298996"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/298996\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=298996"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=298996"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=298996"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}