{"id":299106,"date":"2003-03-03T23:00:00","date_gmt":"2003-03-03T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-guerra-e-um-homicidio-em-massa\/"},"modified":"2024-05-13T21:06:18","modified_gmt":"2024-05-13T19:06:18","slug":"a-guerra-e-um-homicidio-em-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-guerra-e-um-homicidio-em-massa\/","title":{"rendered":"A guerra \u00e9 um homic\u00eddio em massa"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;  \u00a0Ap\u00f3s 50 anos da primeira edi\u00e7\u00e3o, \u00e9 reeditada a obra &#8216;A inutilidade da guerra&#8217;, de Igino Giordani  GIAMPAOLO MATTEI Um soco no est\u00f4mago. Eis o que se experimenta com a leitura de um livro cujo t\u00edtulo \u00e9 A inutilidade da guerra, que possui uma eloq\u00fc\u00eancia t\u00e3o forte que nos coloca contra a parede. A validade da experi\u00eancia com estas p\u00e1ginas se torna ainda mais significativa pela constata\u00e7\u00e3o de que foram escritas exatamente h\u00e1 50 anos. S\u00e3o de autoria de Igino Giordani (1894-1980), pol\u00edtico, jornalista, escritor, grande protagonista da vida eclesial e da cultura italiana. A editora Citt\u00e0 Nuova prop\u00f4s novamente o livro de Giordani (Roma 2003, 116 paginas -6,50 euro), num tempo hist\u00f3rico que demonstra ter necessidade, mais do que nunca, de palavras verdadeiras, claras, essenciais. Existem obras que tem sabor de perene atualidade. Nascem sob o impulso de problemas contingentes, mas produzem um ensinamento que supera o contexto hist\u00f3rico e se coloca a servi\u00e7o de cada homem, em todas as \u00e9pocas e de todos os lugares. \u00c9 justamente desta constata\u00e7\u00e3o que surgiu a id\u00e9ia de publicar novamente o livro escrito por Igino Giordani em 1953, quando a &#8220;guerra fria&#8221; estava congelando as posi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e cristalizando a separa\u00e7\u00e3o das consci\u00eancias.  Hoje, o texto consente n\u00e3o apenas respirar aquele clima, com o discernimento do futuro, recolhendo entre as m\u00e3os &#8211; poder\u00edamos dizer &#8211; os peda\u00e7os do Muro de Berlim: \u00e9 realmente uma experi\u00eancia de grande valor hist\u00f3rico e pol\u00edtico. Mas, nestas horas t\u00e3o dif\u00edceis, \u00e9 como dar um soco no est\u00f4mago, porque demonstra, com dados, a inutilidade da guerra, a sua estupidez evidente e intr\u00ednseca. E aten\u00e7\u00e3o! Giordani sabe exatamente do que est\u00e1 falando, porque ele esteve na frente de batalha, merecendo at\u00e9 uma alta homenagem, na cat\u00e1strofe da Primeira Guerra Mundial. N\u00e3o \u00e9 algu\u00e9m despreparado, n\u00e3o fala por &#8220;covardia&#8221;, segundo a acusa\u00e7\u00e3o de sempre, rid\u00edcula, dirigida a quem se posiciona pela paz. Al\u00e9m do mais, os verdadeiros corajosos s\u00e3o os construtores de paz e n\u00e3o os que se protegem atr\u00e1s de m\u00edsseis, canh\u00f5es, fuzis e todo o resto. Giordani afirma, com clareza, cadenciando os seus racioc\u00ednios, que a paz \u00e9 o resultado de um projeto que deve ser realizado com paci\u00eancia e com seriedade, e n\u00e3o \u00e9 uma palavra boa s\u00f3 para encher a boca, n\u00e3o \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o para encobrir quem sabe quais interesses.  Ler as cem p\u00e1ginas do livro \u00e9 desconcertante, justamente porque parece ter sido escrito nesta manh\u00e3, e n\u00e3o h\u00e1 50 anos. Realmente a hist\u00f3ria \u00e9 &#8220;mestra de vida&#8221;, como diz o antigo ditado. Pena que os homens tenham sido muitas vezes maus estudantes. J\u00e1 a primeira frase do livro de Giordani nos bloqueia e nos constrange a sublinh\u00e1-la com o l\u00e1pis: &#8220;A guerra \u00e9 um homic\u00eddio em massa&#8221;. Ele aponta o dedo para a ret\u00f3rica, para a mentira, para os interesses que acompanham cada conflito onde quer que seja combatido: &#8220;Como a peste serve para contaminar, a fome para deixar famintos, assim a guerra serve para matar&#8221;. Ponto final.  Erguemos os olhos e experimentamos uma sensa\u00e7\u00e3o de orgulho. Sim, jovem cat\u00f3lico, voc\u00ea se sente orgulhoso de pertencer a uma cultura que foi tecida por pessoas deste calibre. Giordani n\u00e3o era um solit\u00e1rio, um desvairado ou algu\u00e9m contra a corrente. Giordani \u00e9 um dos muitos protagonistas do mundo cat\u00f3lico que contribu\u00edram, de maneira decisiva, e hoje talvez esquecida, ao desenvolvimento do povo italiano com projetos de vida e de esperan\u00e7a. \u00c9 um fato que entusiasma &#8211; antes de ser um dever &#8211; conhecer os pensamentos destes homens t\u00e3o pr\u00f3ximos a n\u00f3s e t\u00e3o ricos espiritualmente, que nunca sair\u00e3o de moda.  Como ex-combatente de trincheira demonstra que a guerra \u00e9 in\u00fatil A leitura do livro de Giordani apaixona e \u00e9 dif\u00edcil interromp\u00ea-la. Depois de um punhado de p\u00e1ginas, voc\u00ea precisa apontar o l\u00e1pis; a ponta j\u00e1 est\u00e1 gasta por ter assinalado quase todas as linhas. O autor \u00e9 pol\u00eamico, um polemista puro sangue, sem, por\u00e9m, deixar de ser irm\u00e3o de cada pessoa, mesmo de quem pensa de modo diametralmente oposto. N\u00e3o ofende os homens, mas como lutador valoroso, como ex-combatente de trincheira, se levanta contra a guerra e demonstra, justamente, que \u00e9 in\u00fatil. N\u00e3o solta a presa.  Giordani possui um modo muito pessoal de se exprimir, apaixonante, que arrasta, e isso brotou evidentemente da vontade de comunicar id\u00e9ias. Ele se encontra num estado permanente de miss\u00e3o. Est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da Igreja. Ele n\u00e3o \u00e9 apenas um escritor puro, \u00e9 &#8220;al\u00e9m&#8221; \u00e9 &#8220;algo mais&#8221;. Sabe escolher as palavras certas e se serve, inventa express\u00f5es fascinantes. Possui a linguagem t\u00edpica dos m\u00edsticos e se reconhece nas suas palavras os ecos dos Padres da Igreja. \u00c9 um livro de hist\u00f3ria, \u00e9 um livro de vida, \u00e9 um livro de ora\u00e7\u00e3o.  \u00c9 um livro que se posiciona contra a tenta\u00e7\u00e3o da resigna\u00e7\u00e3o diante das decis\u00f5es dos poderosos da atualidade. Giordani sustenta que cada pessoa \u00e9 protagonista da paz. &#8220;Se voc\u00ea quer a paz, prepare a paz&#8221;, \u00e9 a sua grande mensagem que envolve todas as categorias humanas. &#8220;Somente os loucos e os incur\u00e1veis podem desejar a morte &#8211; escreve. E morte \u00e9 a guerra. Ela n\u00e3o \u00e9 desejada pelo povo; \u00e9 vontade de minorias para as quais a viol\u00eancia f\u00edsica serve para garantir vantagens econ\u00f4micas ou, tamb\u00e9m, para satisfazer paix\u00f5es baixas. Hoje, sobretudo, com o custo, os mortos e as ru\u00ednas, a guerra se manifesta como uma &#8216;carnificina in\u00fatil&#8217;. Carnificina e, ainda por cima, in\u00fatil&#8221;. Estas \u00faltimas palavras pertencem a Bento XV. Giordani respira, com plenos pulm\u00f5es, o magist\u00e9rio do Papa e, no percurso do livro, nunca perde de vista os passos dos Sucessores de Pedro.  A guerra &#8211; afirma &#8211; \u00e9 sempre uma derrota, inclusive para quem vence no campo de batalha. Com o dinheiro investido nesta &#8220;carnificina in\u00fatil&#8221;, se poderia, finalmente, enfrentar com decis\u00e3o problemas dram\u00e1ticos como a fome e a pobreza, muitas doen\u00e7as poderiam ser definitivamente debeladas. \u00c9 um fato de justi\u00e7a. Assim, n\u00e3o servem para nada os mil pretextos, sempre os mesmos, usados para justificar a guerra. E n\u00e3o \u00e9 uma boa &#8220;desculpa&#8221; a &#8220;rapidez&#8221; das opera\u00e7\u00f5es militares: aqui Giordani \u00e9 desdenhoso e lembra que, no parecer de Hitler, a Segunda Guerra Mundial deveria ter sido uma &#8220;guerra rel\u00e2mpago&#8221; e que, segundo Salandra, a primeira devia ser &#8220;um passeio&#8221;. Acrescenta com \u00edmpeto: &#8220;N\u00e3o creio que tenha existido algum Chefe de Estado, que tenha admitido fazer uma guerra com o objetivo de roubar; sempre declararam faz\u00ea-la por motivos mais nobres, mais altru\u00edstas, mais idealistas do que os outros. E &#8211; por puerilidade do \u00f3dio &#8211; sempre a avidez \u00e9 atribu\u00edda ao inimigo e o idealismo ao amigo&#8221;.  Derrubar uma perspectiva macabra da historiografia A l\u00f3gica diz que, quem faz a guerra est\u00e1 errado, n\u00e3o resolve nada, e de qualquer forma sai perdendo. O povo n\u00e3o a quer. E comete-se um erro grave ao revirar biografias de personagens que desencadearam carnificinas indiz\u00edveis &#8211; de Hitler a Stalin &#8211; e ignorar os verdadeiros guias da humanidade como, escreve Giordani, por exemplo, Cottolengo ou Pe. Orione. \u00c9 um fato cultural conseguir derrubar esta perspectiva macabra da historiografia.  Giordani indica o caminho do di\u00e1logo para buscar uma solu\u00e7\u00e3o, sempre e de todos os modos, sem ceder ao cansa\u00e7o. Afirma que a mis\u00e9ria e a ambi\u00e7\u00e3o s\u00e3o as primeiras causas das guerras, cuja raiz \u00e9 o medo. Mas existe uma esperan\u00e7a, uma alternativa: chama-se caridade e foi encarnada por Cristo, que quis redimir tamb\u00e9m a pol\u00edtica para lev\u00e1-la a uma fun\u00e7\u00e3o de paz, de vida. &#8220;Ama-se os inimigos: esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o do cristianismo &#8211; escreve Giordani. Se inici\u00e1ssemos uma pol\u00edtica da caridade descobrir\u00edamos que ela coincide com a mais iluminada racionalidade, e se revela, tamb\u00e9m econ\u00f4mica e socialmente, um servi\u00e7o&#8221;.  Define toda a guerra como um crime, agressiva ou preventiva que seja. \u00c9, de fato, uma a\u00e7\u00e3o contra a justi\u00e7a, porque a justi\u00e7a verdadeira leva \u00e0 paz verdadeira. As refer\u00eancias que Giordani dedica a S\u00e3o Francisco e a Dante s\u00e3o uma solicita\u00e7\u00e3o espiritual elevad\u00edssima. Afirma: &#8220;Para merecer o nome de filhos de Deus, os crist\u00e3os devem trabalhar pela paz&#8221;; sem timidez e com coragem, vivendo o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o, derrubando todos os muros de separa\u00e7\u00e3o, perdoando os que nos fazem mal, reconduzindo \u00e0 unidade quem est\u00e1 separado. Cita o alem\u00e3o Max Josef Metzger, assassinado pelos nazistas em 1944: &#8220;N\u00f3s devemos organizar a paz assim como os outros organizaram a guerra&#8221;. N\u00e3o \u00e9 s\u00e9rio, n\u00e3o \u00e9 cr\u00edvel falar de paz e ao mesmo tempo preparar-se para a guerra.  &#8220;A obra pacificadora come\u00e7a por mim e por voc\u00ea&#8230;&#8221;, conclui Giordani. Para depor a guerra n\u00e3o basta eliminar as armas, mas \u00e9 preciso antes de tudo reconstruir uma consci\u00eancia, uma cultura de paz. \u00c9 uma obra urgent\u00edssima que os homens de f\u00e9 acompanham com a estrat\u00e9gia da ora\u00e7\u00e3o. Eis a miss\u00e3o dos crist\u00e3os de hoje na hist\u00f3ria: realizar o Evangelho da Paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o t\u00edtulo que L&#8217;Osservatore Romano do dia 2 de mar\u00e7o deu ao livro &#8216;A inutilidade da guerra&#8217;, de Igino Giordani, publicado pela editora Citt\u00e0 Nuova<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299106","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299106\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}