{"id":299174,"date":"2003-07-28T22:00:00","date_gmt":"2003-07-28T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/as-religioes-podem-interagir-no-caminho-para-a-paz\/"},"modified":"2024-05-13T21:06:36","modified_gmt":"2024-05-13T19:06:36","slug":"as-religioes-podem-interagir-no-caminho-para-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/as-religioes-podem-interagir-no-caminho-para-a-paz\/","title":{"rendered":"As religi\u00f5es podem interagir no caminho para a paz?"},"content":{"rendered":"<p>Gostaria, antes de tudo, de exprimir a minha alegria por estar aqui hoje, neste Centro de Caux, rico de iniciativas que tem por objetivo refor\u00e7ar os fundamentos morais e espirituais da sociedade e promover o encontro pac\u00edfico das culturas, das civiliza\u00e7\u00f5es e das religi\u00f5es. Agrade\u00e7o, de maneira especial, ao Dr. Cornelio Sommaruga, que me convidou para dar a minha contribui\u00e7\u00e3o a este importante semin\u00e1rio inter-religioso.  O assunto que me foi pedido para abordar hoje, se intitula: &#8220;As religi\u00f5es podem interagir no caminho para a paz?&#8221;. Esta pergunta \u00e9, como todos n\u00f3s sabemos, de grande import\u00e2ncia e de extrema atualidade.  Na expans\u00e3o do terrorismo, nas guerras conduzidas em v\u00e1rias partes do mundo, e na permanente tens\u00e3o no Oriente M\u00e9dio, muitos v\u00eaem os sintomas de um poss\u00edvel &#8220;conflito entre civiliza\u00e7\u00f5es&#8221;. Isto seria assinalado e at\u00e9 mesmo agu\u00e7ado pelas diferentes atribui\u00e7\u00f5es religiosas. Esta maneira de ver, por\u00e9m, provocada por extremismos e fanatismos de v\u00e1rios tipos, que distorcem as religi\u00f5es, resulta muito parcial numa leitura mais atenta dos fatos.  Com efeito, nunca como neste momento do mundo, fi\u00e9is e respons\u00e1veis de todas as religi\u00f5es sentiram o dever de trabalhar juntos pelo bem comum da humanidade. Organiza\u00e7\u00f5es como a Confer\u00eancia Mundial das Religi\u00f5es pela Paz ou iniciativas como a Jornada de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz, promovida por Jo\u00e3o Paulo II em Assis, em janeiro de 2002, s\u00e3o um testemunho disso. Naquela ocasi\u00e3o, o Papa afirmou, em nome de todas as pessoas presentes, que &#8220;quem usa a religi\u00e3o para fomentar a viol\u00eancia, contradiz a inspira\u00e7\u00e3o mais aut\u00eantica e profunda&#8221; e que &#8220;n\u00e3o existe finalidade religiosa que possa justificar a pr\u00e1tica da viol\u00eancia do homem contra o homem&#8221; porque &#8220;a ofensa ao homem \u00e9, definitivamente, ofensa a Deus&#8221;.  Com os acontecimentos de 11 de setembro de 2001, a humanidade, aterrorizada, descobriu a natureza deste grande e enorme perigo que \u00e9 o terrorismo. N\u00e3o \u00e9 uma guerra como as outras &#8211; hoje em dia temos cerca de 40 em todo o planeta -, que s\u00e3o, geralmente, fruto do \u00f3dio, do descontentamento, das rivalidades, de interesses pessoais ou coletivos. O terrorismo, pelo contr\u00e1rio, como afirmou ainda o Papa, \u00e9 fruto tamb\u00e9m de for\u00e7as do Mal, com &#8220;M&#8221; mai\u00fasculo, das trevas. For\u00e7as desse tipo n\u00e3o podem ser combatidas apenas com meios humanos, diplom\u00e1ticos, pol\u00edticos e militares. S\u00e3o necess\u00e1rias for\u00e7as do Bem, com &#8220;B&#8221; mai\u00fasculo. E o Bem com &#8220;B&#8221; mai\u00fasculo, n\u00f3s sabemos, \u00e9 Deus, e tudo aquilo que tem ra\u00edzes n&#8217;Ele. Pode-se combater, portanto, com for\u00e7as espirituais, com a ora\u00e7\u00e3o, por exemplo, com o jejum, como fizeram os representantes das religi\u00f5es do mundo, na cidade de S\u00e3o Francisco.  Mas, nos parece um dever dizer que a ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente. N\u00f3s sabemos que s\u00e3o muitas as causas do terrorismo, mas uma, a mais profunda, \u00e9 o sofrimento insuport\u00e1vel diante de um mundo em parte pobre e em parte rico, que gerou e gera ressentimentos ocultos nas almas h\u00e1 muito tempo, viol\u00eancias, vingan\u00e7as. Existe a exig\u00eancia de mais paridade, mais solidariedade, sobretudo de uma maior igualdade na partilha dos bens. Mas, como sabemos, os bens n\u00e3o se movem sozinhos, n\u00e3o caminham por si s\u00f3. Devem ser movidos os cora\u00e7\u00f5es, os cora\u00e7\u00f5es devem ser colocados em comunh\u00e3o! E para isso \u00e9 necess\u00e1rio difundir o m\u00e1ximo poss\u00edvel entre as pessoas a id\u00e9ia e a pr\u00e1tica da fraternidade e, considerando a amplitude do problema, de uma fraternidade universal. Os irm\u00e3os sabem pensar nos irm\u00e3os, sabem como ajud\u00e1-los, sabem partilhar o que possuem.  Para responder a este desafio sem precedentes, a contribui\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es \u00e9 decisiva. De onde, sen\u00e3o das grandes religi\u00f5es tradicionais, poderia partir uma estrat\u00e9gia de fraternidade, capaz de dar uma virada at\u00e9 mesmo nas rela\u00e7\u00f5es internacionais? As enormes fontes espirituais e morais, a contribui\u00e7\u00e3o de idealismo, de aspira\u00e7\u00f5es \u00e0 justi\u00e7a, de empenho em favor dos mais necessitados, juntamente com todo o peso pol\u00edtico de milh\u00f5es de fi\u00e9is, que brotam do sentimento religioso, canalizados no campo das rela\u00e7\u00f5es humanas, poderiam, sem d\u00favida, ser traduzidos em a\u00e7\u00f5es que influenciem positivamente a ordem internacional. Est\u00e3o sendo realizadas muitas coisas no campo da solidariedade internacional, por parte das organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais. O que est\u00e1 faltando \u00e9 que os governos assumam escolhas pol\u00edticas e econ\u00f4micas adequadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade fraterna de povos empenhados em realizar a justi\u00e7a. Porque, diante de uma estrat\u00e9gia de morte e de \u00f3dio, a \u00fanica resposta v\u00e1lida \u00e9 construir a paz na justi\u00e7a. Mas sem a fraternidade n\u00e3o existe paz. Somente a fraternidade entre os indiv\u00edduos e povos poder\u00e1 assegurar um futuro de conviv\u00eancia pac\u00edfica. Al\u00e9m do mais, a fraternidade universal e a conseq\u00fcente paz n\u00e3o s\u00e3o id\u00e9ias de hoje. Essas id\u00e9ias estiveram presentes, muitas vezes, nas mentes de esp\u00edritos fortes, porque &#8220;o plano de Deus sobre a humanidade \u00e9 a fraternidade e o amor fraterno est\u00e1 inscrito no cora\u00e7\u00e3o de todo ser humano&#8221;. &#8220;A regra de ouro &#8211; dizia o Mahatma Gandhi &#8211; \u00e9 sermos amigos do mundo e considerar &#8220;uma s\u00f3 toda a fam\u00edlia humana. E Martin Luther King: &#8220;O meu sonho \u00e9 que um dia os homens (&#8230;) ir\u00e3o perceber que foram criados para viverem juntos como irm\u00e3os (&#8230;); (e) que a fraternidade (&#8230;) vai ser tornar a ordem do dia para um homem de neg\u00f3cios e a palavra de ordem do homem que governa&#8221;. Nesta mesma linha, o Dalai Lama, escreveu aos seus seguidores, a respeito do que aconteceu nos Estados Unidos, dois anos atr\u00e1s: &#8220;Para n\u00f3s, as raz\u00f5es (deste acontecimento) s\u00e3o claras. (&#8230;) N\u00e3o nos lembramos das verdades humanas mais b\u00e1sicas. (&#8230;) Somos todos um. Esta \u00e9 uma mensagem que a ra\u00e7a humana ignorou demais. Esquecer-se dessa verdade \u00e9 a \u00fanica causa do \u00f3dio e da guerra&#8221;. Apesar da destrui\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 emergir das ru\u00ednas do terrorismo, uma grande e antiga verdade: que todos n\u00f3s, na terra, somos uma \u00fanica e grande fam\u00edlia.  Mas quem indicou e trouxe esta verdade como dom essencial \u00e0 humanidade foi Jesus, que assim rezou antes de morrer: &#8220;Pai, que todos sejam um&#8221; (Jo 17,21). Ele, revelando que Deus \u00e9 Pai e que, por isso, os homens s\u00e3o todos irm\u00e3os, introduziu a id\u00e9ia da fraternidade universal. E com isso derrubou os muros que separavam os &#8220;iguais&#8221; dos &#8220;diferentes&#8221;, os amigos dos inimigos. Sem d\u00favida, cada um de n\u00f3s, movido pela pr\u00f3pria f\u00e9 religiosa, deve ter feito experi\u00eancias positivas que podem ser \u00fateis para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas semelhantes aos atuais. E j\u00e1 que este \u00e9 o momento no qual &#8211; como dizia um bispo especialista neste campo &#8211; &#8220;as religi\u00f5es devem extrair do profundo de si mesmas, as suas for\u00e7as espirituais para ajudar a humanidade e conduzi-la \u00e0 solidariedade e \u00e0 paz&#8221;, permitam-me oferecer aos senhores a minha experi\u00eancia em contato com pessoas de todas as idades, l\u00ednguas, ra\u00e7as e, sobretudo, de religi\u00f5es diferentes, em todos os pontos da terra. \u00c9 uma experi\u00eancia de di\u00e1logo que poder\u00e1 fornecer uma chave para uma conviv\u00eancia fraterna e pac\u00edfica, experi\u00eancia que, ao meu ver, est\u00e1 em conson\u00e2ncia com o esp\u00edrito das sess\u00f5es de Caux, que privilegiam os testemunhos pessoais mais do que as exposi\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas.  A arte de amar A 60 anos do in\u00edcio da experi\u00eancia do Movimento dos Focolares, se renova sempre a surpresa em ver como o caminho espiritual por que Deus nos conduziu, se cruza com todos os outros caminhos espirituais dos crist\u00e3os, mas tamb\u00e9m de fi\u00e9is de outras religi\u00f5es. Na pr\u00e1tica, \u00e9 a experi\u00eancia de nos tornarmos parceiros no caminho da fraternidade e da paz. Mesmo mantendo a nossa identidade, permite que nos encontremos e nos compreendamos com as grandes tradi\u00e7\u00f5es religiosas da humanidade. Em outras palavras, na obedi\u00eancia e na escuta do Esp\u00edrito Santo, nos foi ensinado como colocar em pr\u00e1tica, com sucesso, aquela palavra que est\u00e1 inscrita no DNA de todo homem e de toda mulher, porque criados \u00e0 imagem de Deus-Amor, Deus Pai: amar, amar o pr\u00f3ximo, amar os irm\u00e3os. Aquela palavra, somente ela, que pode fazer da humanidade uma fam\u00edlia. Amor, n\u00e3o como geralmente se pensa, mas aquele comportamento que possui exig\u00eancias imprescind\u00edveis. Aquele amor que, se para os crist\u00e3os \u00e9 at\u00e9 mesmo uma participa\u00e7\u00e3o do amor que est\u00e1 em Deus, n\u00e3o falta nos Livros Sagrados das outras religi\u00f5es. O primeiro passo para n\u00f3s, a primeira ilumina\u00e7\u00e3o sobre este novo estilo de vida, foi durante a Segunda Guerra Mundial. Diante das ru\u00ednas dos ideais e da perda de todos os nossos bens materiais, sent\u00edamos a necessidade de nos fixarmos a alguma coisa que n\u00e3o passasse e que nenhuma bomba pudesse destruir: Deus. N\u00f3s o escolhemos como o \u00fanico ideal da nossa vida acreditando, apesar de tudo, no Seu amor de Pai, amor por todos os homens da terra. Mas \u00e9 \u00f3bvio que n\u00e3o era suficiente acreditar no amor de Deus; n\u00e3o bastava termos feito a grande escolha dele como o Ideal da nossa vida. A presen\u00e7a e a solicitude de um pai chamava cada um de n\u00f3s a sermos filhos, a amarmos e a atuarmos, dia ap\u00f3s dia, aquele des\u00edgnio de amor que o Pai tem para cada um de n\u00f3s, isto \u00e9, a fazermos a Sua vontade. E sabemos que o primeiro desejo de um pai \u00e9 que os filhos se tratem como irm\u00e3os, se queiram bem, se amem. E quer que amemos como Ele faz, sem distin\u00e7\u00f5es. N\u00e3o podemos escolher entre o simp\u00e1tico ou o antip\u00e1tico, o bonito ou o feio, o branco, o negro ou amarelo; o europeu ou o americano, o crist\u00e3o ou o judeu, o mu\u00e7ulmano ou o hindu&#8230; O amor n\u00e3o conhece &#8220;nenhuma forma de discrimina\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta mesma f\u00e9 no amor de Deus pelas suas criaturas n\u00f3s encontramos tamb\u00e9m em muitos outros irm\u00e3os e irm\u00e3s de outras religi\u00f5es, come\u00e7ando pelas religi\u00f5es abr\u00e2micas, que afirmam a unidade do g\u00eanero humano, o cuidado que Deus tem com toda a humanidade e o dever de cada criatura humana de agir como o Criador, com imensa miseric\u00f3rdia em rela\u00e7\u00e3o a todos. Um ditado mu\u00e7ulmano diz: &#8220;Deus perdoa cem vezes, mas reserva a Sua suprema miseric\u00f3rdia \u00e0queles cuja piedade ter\u00e1 poupado a menor de Suas criaturas&#8221;. E o que dizer da infinita compaix\u00e3o por todo ser vivente ensinada por Buda, que dizia aos seus primeiros disc\u00edpulos: &#8220;\u00d3 monges, deveis operar pelo bem-estar de muitos, pela felicidade de muitos, movidos de compaix\u00e3o pelo mundo, pelo bem-estar (&#8230;) dos homens&#8221;. Para um crist\u00e3o, todos devem ser amados, porque em cada um se ama Cristo. Ele mesmo nos dir\u00e1 um dia: &#8220;A mim o fizeste&#8221; (Mt 25,40).  Amar a todos, portanto, sem distin\u00e7\u00e3o.  Mas existe uma outra caracter\u00edstica desse amor que \u00e9 muito conhecida, citada em todos os Livros Sagrados e que sozinha, se vivida, seria suficiente para fazer do mundo uma grande fam\u00edlia: amar como a n\u00f3s mesmos, fazer aos outros aquilo que gostaria fosse feito a voc\u00ea, n\u00e3o fazer aos outros aquilo que n\u00e3o gostaria que fosse feito a voc\u00ea. \u00c9 a assim chamada &#8220;regra de ouro&#8221;, \u00e0 qual foi feita men\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na apresenta\u00e7\u00e3o desse semin\u00e1rio. Ela foi muito bem expressa por Gandhi quando afirmou: &#8220;Voc\u00ea e eu somos uma coisa s\u00f3: n\u00e3o posso lhe fazer mal sem me ferir&#8221;. Na tradi\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana \u00e9 conhecida dessa forma: &#8220;Nenhum de voc\u00eas \u00e9 um verdadeiro fiel sen\u00e3o deseja para o seu irm\u00e3o o que deseja para si mesmo&#8221;. O Evangelho a anuncia desse modo: &#8220;Tudo aquilo que quereis que os outros vos fa\u00e7am, fazei-o v\u00f3s a eles&#8221; (Mt 7,12). E Jesus comenta: &#8220;esta, de fato, \u00e9 a Lei e os Profetas&#8221;. Nesta simples norma, semeada pelo Esp\u00edrito Santo em todas as religi\u00f5es, est\u00e1, portanto, o concentrado de todos os mandamentos de Deus. Conv\u00e9m contar muito com ela no di\u00e1logo inter-religioso. Desta regra que, com raz\u00e3o, \u00e9 chamada &#8220;de ouro&#8221;, emana uma norma que, por si mesma, se aplicada, seria o maior impulso para a harmonia entre indiv\u00edduos e grupos. Um outro modo que nos ensina como colocar em pr\u00e1tica o amor pelos outros \u00e9 expresso por uma simples f\u00f3rmula, composta por duas palavras: &#8220;fazer-se um&#8221;. &#8220;Fazer-se um&#8221; com os outros significa assumir o peso deles, os seus pensamentos, seus sofrimentos e suas alegrias. O &#8220;fazer-se um&#8221; \u00e9 v\u00e1lido, sobretudo, no di\u00e1logo inter-religioso. Est\u00e1 escrito: &#8220;Conhecer a religi\u00e3o do outro implica estar na pele do outro, ver o mundo como o outro o v\u00ea, penetrar no sentido que tem para o outro ser um budista, mu\u00e7ulmano, hindu, etc.&#8221;. Este &#8220;viver o outro&#8221; abra\u00e7a todos os aspectos da vida e \u00e9 a m\u00e1xima express\u00e3o do amor, porque vivendo dessa forma estamos mortos a n\u00f3s mesmos, ao nosso pr\u00f3prio eu e a todo apego; podemos realizar aquele &#8220;aniquilamento de si mesmos&#8221; a que aspiram as grandes espiritualidades e aquele vazio de amor que se realiza no ato de acolher o outro. &#8220;Fazer-se um&#8221; significa estarmos diante de todos numa atitude de aprendizado e, realmente, sempre existe algo para se aprender.  Uma outra exig\u00eancia desse amor \u00e9, talvez, a que exige maior esfor\u00e7o. Coloca \u00e0 prova a autenticidade do amor, a sua pureza e, portanto, a sua verdadeira capacidade de gerar a unidade entre os homens e a fraternidade universal. Trata-se de amar por primeiro, isto \u00e9, de n\u00e3o esperarmos que o outro d\u00ea o primeiro passo; de sermos os primeiros a agir, a tomarmos a iniciativa. Esta maneira de amar nos exp\u00f5e mas, se queremos amar \u00e0 imagem de Deus e desenvolver esta capacidade de amor que Deus colocou no nosso cora\u00e7\u00e3o, devemos fazer como Ele, que n\u00e3o esperou ser amado por n\u00f3s, mas nos demonstrou desde sempre e de muitas maneiras, que Ele nos amou por primeiro, independentemente da nossa resposta. N\u00f3s fomos criados como um dom uns para os outros e realizamos esse nosso ser doando-nos aos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s com aquele amor que precede qualquer gesto de amor do outro. Os grandes fundadores das religi\u00f5es, com a sua vida, nos ensinaram isso. Jesus nos deu o exemplo; Ele disse: &#8220;Ningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos outros&#8221; (Jo 15,13), e Ele a deu realmente. Deu a vida por n\u00f3s pecadores, que certamente n\u00e3o \u00e9ramos am\u00e1veis.  Quando este esfor\u00e7o de amar primeiro \u00e9 vivido por duas ou mais pessoas, o amor \u00e9 rec\u00edproco, e \u00e9 o princ\u00edpio e o fundamento seguro da paz e da unidade do mundo. A nossa experi\u00eancia nos diz que, para aqueles que lutam hoje para mover as montanhas do \u00f3dio e da viol\u00eancia, a tarefa \u00e9 imensa. Mas o que \u00e9 imposs\u00edvel para milh\u00f5es de homens isolados e divididos, se torna poss\u00edvel para as pessoas que fizeram do amor rec\u00edproco, da compreens\u00e3o rec\u00edproca, da unidade, a raz\u00e3o essencial da pr\u00f3pria vida. E tudo isso tem um porqu\u00ea, uma chave secreta e um nome. Quando entramos em di\u00e1logo entre n\u00f3s, das mais variadas religi\u00f5es, quando nos abrimos uns aos outros no di\u00e1logo feito de benevol\u00eancia humana, de estima rec\u00edproca, de respeito, de miseric\u00f3rdia, nos abrimos tamb\u00e9m para Deus e &#8220;fazemos com que &#8211; s\u00e3o palavras de Jo\u00e3o Paulo II &#8211; Deus esteja presente no nosso meio&#8221;. Eis o grande fruto do nosso amor rec\u00edproco e a for\u00e7a secreta que d\u00e1 vigor e sucesso aos nossos esfor\u00e7os para levarmos por toda a parte a unidade e a fraternidade universal. \u00c9 o que o Evangelho anuncia aos crist\u00e3os quando diz que, se duas ou mais pessoas se unem no amor verdadeiro, o pr\u00f3prio Cristo estar\u00e1 presente entre eles e, portanto, em cada um deles. E que garantia melhor podemos ter do que a presen\u00e7a de um Deus, que possibilidade superior poderia existir para aqueles que querem ser instrumentos de fraternidade e de paz?  Este amor rec\u00edproco, esta unidade que d\u00e1 tanta alegria a quem a coloca em pr\u00e1tica requer, entretanto, um empenho, um treinamento cotidiano, pede sacrif\u00edcio. E aqui aparece, com toda a sua luminosidade e dramaticidade, na linguagem crist\u00e3, uma palavra que o mundo n\u00e3o quer nem mesmo ouvir pronunciar, porque \u00e9 considerada insensatez, absurdo, sem sentido. Esta palavra \u00e9: cruz. N\u00e3o se realiza nada de bom, de \u00fatil, de fecundo no mundo, sem conhecer, sem saber aceitar o cansa\u00e7o, o sofrimento, em uma palavra, sem a cruz. N\u00e3o \u00e9 uma brincadeira nos empenharmos em viver sempre o amor rec\u00edproco, em levar a paz e a suscitar a fraternidade! \u00c9 preciso coragem, \u00e9 preciso saber sofrer. O que lhes expliquei n\u00e3o \u00e9 uma utopia. \u00c9 uma realidade vivida h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo por milh\u00f5es de pessoas, experi\u00eancias-piloto daquela fraternidade universal e daquela unidade que todos n\u00f3s desejamos. Com este modo de amar foram abertos di\u00e1logos fecundos no nosso Movimento: entre crist\u00e3os de muitas Igrejas, entre fi\u00e9is de diferentes religi\u00f5es e entre pessoas das mais variadas culturas. Juntos nos encaminhamos para aquela plenitude da verdade que todos almejamos. A experi\u00eancia de di\u00e1logo inter-religioso do Movimento dos Focolares Agora vou me deter, particularmente, nas oportunidades de encontro que tivemos, desde o in\u00edcio, com irm\u00e3os e irm\u00e3s de outras confiss\u00f5es religiosas. A primeira experi\u00eancia forte que fizemos foi em contato com o povo Bangwa, uma tribo da Rep\u00fablica dos Camar\u00f5es, enraizada na religi\u00e3o tradicional, quase exterminada pela mortalidade infantil, que est\u00e1vamos come\u00e7ando a assistir. Um dia, o l\u00edder deles, o rei, e milhares de membros do seu povo, se reuniram para uma festa, num grande encontro no meio da floresta, para nos apresentar seus cantos e dan\u00e7as. Ent\u00e3o, foi ali que tive uma forte impress\u00e3o de que Deus, como um imenso sol, abra\u00e7asse a todos, n\u00f3s e eles, com o seu amor. Pela primeira vez na minha vida, intu\u00ed que ter\u00edamos alguma liga\u00e7\u00e3o com pessoas de tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s.  Mas o evento que de certa forma assinalou a &#8220;funda\u00e7\u00e3o&#8221; desse nosso di\u00e1logo aconteceu em Londres, em 1977, numa cerim\u00f4nia para a entrega do Pr\u00eamio Templeton para o Progresso da Religi\u00e3o. Proferi um discurso e quando estava saindo da sala, os primeiros que vieram me cumprimentar foram judeus, mu\u00e7ulmanos, budistas, siks, hindus&#8230; O esp\u00edrito crist\u00e3o do qual lhes havia falado os impressionou muito; dessa forma, ficou claro para mim que dever\u00edamos nos dedicar n\u00e3o somente \u00e0 nossa e \u00e0s outras Igrejas crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m a estes irm\u00e3os e irm\u00e3s de outras confiss\u00f5es religiosas. Iniciou-se assim, o nosso di\u00e1logo inter-religioso. Dois anos depois, de fato, aconteceu o encontro com uma grande personalidade budista, o Reverendo Nikkyo Niwano, fundador da Rissho Kosei-kai, que me convidou a falar em T\u00f3quio, a 10 mil budistas, sobre a minha experi\u00eancia espiritual. Desde ent\u00e3o, entre os focolarinos e os membros da Rissho Kosei-kai, nasceu uma grande fraternidade, em todas as partes do mundo.  Mas os encontros mais surpreendentes com o budismo, realizaram-se com os grandes representantes da experi\u00eancia mon\u00e1stica tailandesa. Durante uma longa perman\u00eancia deles na nossa cidadezinha internacional de Loppiano, na It\u00e1lia, onde os seus 800 habitantes procuravam viver com fidelidade o Evangelho, dois deles ficaram profundamente tocados pela unidade entre todos e pelo amor crist\u00e3o, que n\u00e3o conheciam. Dessa forma, diminu\u00edram os julgamentos que impediam um verdadeiro di\u00e1logo entre eles, budistas, e n\u00f3s, crist\u00e3os. Estes monges, voltando para a Tail\u00e2ndia, n\u00e3o perderam a oportunidade de contar, para milhares de fi\u00e9is e centenas de monges, a experi\u00eancia deles sobre o contato com o Movimento dos Focolares. Nasceu assim, se \u00e9 que podemos dizer, um Movimento budista-focolarino, isto \u00e9, budista-crist\u00e3o, que \u00e9 uma das por\u00e7\u00f5es de fraternidade que estamos edificando no mundo. Em seguida, fui convidada a ir at\u00e9 a Tail\u00e2ndia, a uma Universidade budista e a um templo, para falar a monjas, monges e a muitos leigos e leigas. Tamb\u00e9m l\u00e1 o interesse foi not\u00e1vel, enquanto que n\u00f3s ficamos edificados com o desapego de tudo &#8211; que os caracteriza &#8211; e com a asc\u00e9tica deles.  E o di\u00e1logo com o Isl\u00e3? Atualmente s\u00e3o 6.500 os amigos mu\u00e7ulmanos que pertencem ao nosso Movimento, e o que nos une a eles \u00e9 sempre a nossa espiritualidade, na qual encontram incentivos e confirma\u00e7\u00f5es para uma mais profunda e vital ades\u00e3o ao n\u00facleo central da espiritualidade isl\u00e2mica. Tivemos v\u00e1rios encontros com os amigos mu\u00e7ulmanos. O que caracterizou estes congressos foi, antes de mais nada, a presen\u00e7a de Deus que se percebe especialmente quando eles rezam e que nos d\u00e1 muita esperan\u00e7a. Esperan\u00e7a que vi se tornar realidade, pessoalmente, na Mesquita Malcolm Shabazz, do Harlem, nos Estados Unidos, seis anos atr\u00e1s, diante de 3 mil mu\u00e7ulmanos afro-americanos, aos quais fui convidada a apresentar a minha experi\u00eancia crist\u00e3. A acolhida deles, come\u00e7ando pelo l\u00edder, o Im\u00e3 W.D. Mohammed, foi t\u00e3o calorosa, sincera e entusiasmante que abria o cora\u00e7\u00e3o ao sonhos mais promissores para o futuro. Voltei aos Estados Unidos, em Washington, h\u00e1 tr\u00eas anos, para apresentar a muitas pessoas a nossa colabora\u00e7\u00e3o, por ocasi\u00e3o de um congresso organizado por eles e que reuniu 7 mil pessoas, entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. Numa exulta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o era meramente humana, num abra\u00e7o sincero, com um aplauso intermin\u00e1vel, prometemos prosseguir o nosso caminho na mais plena uni\u00e3o poss\u00edvel, e de ampli\u00e1-lo a muitos outros: eis ent\u00e3o, outras por\u00e7\u00f5es de fraternidade.  N\u00e3o posso deixar de citar os encontros cada vez mais freq\u00fcentes com irm\u00e3s e irm\u00e3os judeus em Israel e em outros lugares. O \u00faltimo encontro se realizou em Buenos Aires, com uma de suas comunidades mais expressivas, acompanhado depois por outros membros do Movimento, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es. Foi com grande emo\u00e7\u00e3o que selamos um pacto de amor rec\u00edproco, muito profundo e desejado, que nos deu a impress\u00e3o de termos superado, de repente, s\u00e9culos de persegui\u00e7\u00f5es e de incompreens\u00f5es.  Nos \u00faltimos tr\u00eas anos teve in\u00edcio um di\u00e1logo promissor na \u00cdndia, com os hindus. Temos relacionamentos fraternos e intensos com movimentos gandhistas, no sul daquele imenso pa\u00eds. Em Mumbai, nasceu um profundo di\u00e1logo com professores da Universidade Somaiya e do Instituto Cultural Indiano. Mais recentemente, iniciamos um relacionamento com um Movimento muito vasto, o Swadhyaya, que tem os nossos mesmos objetivos, da unidade na diversidade e de fraternidade. H\u00e1 um ano, realizamos tamb\u00e9m o primeiro Simp\u00f3sio hindu-crist\u00e3o. Criou-se uma atmosfera t\u00e3o bela e elevada que pudemos apresentar a eles muitas verdades da nossa f\u00e9. A impress\u00e3o que tivemos \u00e9 de que nos foi aberto um horizonte antes inimagin\u00e1vel. H\u00e1 poucos meses, voltei \u00e0 \u00cdndia e pudemos continuar esse di\u00e1logo em n\u00edvel de espiritualidade que &#8211; na opini\u00e3o de autoridades da minha Igreja &#8211; &#8220;\u00e9 o \u00e1pice das v\u00e1rias formas de di\u00e1logo e responde \u00e0s mais profundas expectativas dos homens de boa vontade&#8221;. Est\u00e3o previstos outros Simp\u00f3sios semelhantes, budista-crist\u00e3o e isl\u00e2mico-crist\u00e3o.  Gra\u00e7as \u00e0 expans\u00e3o universal do nosso Movimento, estamos em contato com todas as principais religi\u00f5es do mundo e s\u00e3o cerca de 30 mil os membros dessas religi\u00f5es que compartilham, sempre na medida do poss\u00edvel, a espiritualidade e os objetivos do Movimento.  Como dialogar? O nosso di\u00e1logo inter-religioso teve uma evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e fecunda porque o elemento decisivo e caracter\u00edstico foi a arte de amar, da qual lhes falei anteriormente. No clima de amor rec\u00edproco que a atua\u00e7\u00e3o da regra de ouro suscita, pode-se, de fato, estabelecer o di\u00e1logo com os pr\u00f3prios interlocutores, di\u00e1logo no qual procuramos nos fazer &#8220;nada&#8221; para &#8220;penetrar&#8221;, de certa forma, no outro. &#8220;Fazer-se nada&#8221; ou &#8220;fazer-se um&#8221; com os outros, \u00e9 sin\u00f4nimo. Nessas duas simples palavras, \u00e0s quais j\u00e1 me referi, est\u00e1 o segredo do di\u00e1logo que pode gerar a unidade. &#8220;Fazer-se um&#8221;, de fato, n\u00e3o \u00e9 uma t\u00e1tica ou uma maneira externa de agir; n\u00e3o \u00e9 somente uma atitude de benevol\u00eancia, de abertura e de respeito, ou a aus\u00eancia de julgamentos. \u00c9 tudo isso, mas com algo a mais. Esta pr\u00e1tica de &#8220;fazer-se um&#8221; exige que tiremos da nossa mente as id\u00e9ias, do cora\u00e7\u00e3o os afetos, da vontade cada coisa, para nos identificarmos com o outro. N\u00e3o podemos entrar na alma de um irm\u00e3o para compreend\u00ea-lo, para compartilhar as suas dores ou a sua alegria, se o nosso esp\u00edrito est\u00e1 cheio de uma preocupa\u00e7\u00e3o, de um julgamento, de um pensamento&#8230; de qualquer coisa. O &#8220;fazer-se um&#8221; exige esp\u00edritos pobres, pobres em esp\u00edrito para sermos ricos de amor. Esta atitude important\u00edssima e imprescind\u00edvel tem um duplo efeito: nos ajuda a nos inculturarmos no mundo dos outros, conhecendo a sua cultura e a sua linguagem, predispondo os outros a nos escutarem. Notamos, de fato, que quando algu\u00e9m morre a si mesmo, justamente para se &#8220;fazer um&#8221; com os outros, eles ficam impressionados e pedem explica\u00e7\u00f5es. Assim, podemos passar ao &#8220;an\u00fancio respeitoso&#8221; atrav\u00e9s do qual, por lealdade diante de Deus e diante de n\u00f3s mesmos, e tamb\u00e9m por sinceridade diante do pr\u00f3ximo, dizemos o que a nossa f\u00e9 afirma sobre o assunto do qual se fala sem, no entanto, impormos nada ao outro, sem sombras de proselitismo mas, por amor. \u00c9 o momento no qual, para n\u00f3s crist\u00e3os, o di\u00e1logo desemboca no an\u00fancio do Evangelho.  O nosso trabalho com muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s de grandes religi\u00f5es e a fraternidade que experimentamos com eles nos convenceu de que o pluralismo religioso da humanidade pode perder sempre mais o seu potencial negativo enquanto causa de divis\u00f5es e de guerras para conquistar, na consci\u00eancia de milh\u00f5es de homens e mulheres, o sabor de um desafio: o de recompor a unidade da fam\u00edlia humana, porque em todas as religi\u00f5es, de alguma forma, est\u00e1 presente e ativo o Esp\u00edrito Santo, n\u00e3o somente nos membros individualmente, mas tamb\u00e9m dentro de cada tradi\u00e7\u00e3o religiosa.  Falando do maravilhoso evento de Assis, Jo\u00e3o Paulo II o definiu como &#8220;manifesta\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria daquela unidade que nos une al\u00e9m das diferen\u00e7as e das divis\u00f5es&#8221;.  Preenchamos, portanto, o nosso cora\u00e7\u00e3o do verdadeiro amor. Com ele, tudo podemos esperar quanto \u00e0 unidade entre os fi\u00e9is das grandes religi\u00f5es e \u00e0 fraternidade vivida por toda humanidade.  Obrigada pela aten\u00e7\u00e3o. Que Deus nos abrace a todos com o seu amor.  Chiara Lubich<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso de Chiara Lubich<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}