{"id":299280,"date":"2004-04-05T22:00:00","date_gmt":"2004-04-05T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/o-mosaico-se-recompoe\/"},"modified":"2024-05-13T21:07:00","modified_gmt":"2024-05-13T19:07:00","slug":"o-mosaico-se-recompoe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/o-mosaico-se-recompoe\/","title":{"rendered":"O mosaico se recomp\u00f5e"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0H\u00e1 meses, talvez h\u00e1 anos, n\u00e3o conseguia mais ter um momento de divertimento. Uma tarde, deixo-me convencer por uma amiga, a ir ao cinema. Entrando na sala, o meu olhar se cruzou com dois olhos que me fixam com insist\u00eancia. Um jovem de dezoito anos vem ao meu encontro, pedindo para falar comigo no intervalo do filme. Naquele momento, n\u00e3o o reconheci, mas, depois, come\u00e7ou a girar na minha cabe\u00e7a, lembran\u00e7as e imagens. Como pude n\u00e3o reconhec\u00ea-lo imediatamente? Aquele era Roman, meu filho, que n\u00e3o via h\u00e1 oito anos, desde quando ele foi morar com o pai, depois da nossa separa\u00e7\u00e3o. Tinha somente dez anos e agora j\u00e1 era um homem; nos abra\u00e7amos em sil\u00eancio. Depois ele me disse: \u201cMam\u00e3e, posso ir morar com voc\u00ea?\u201d Depois de nossas l\u00e1grimas, voltamos para casa juntos. Aquela noite, pela primeira vez, os meus quatro filhos dormiam sob o mesmo teto: ele e o irm\u00e3o, que nasceram do meu primeiro casamento e os outros dois menores, do meu segundo casamento.<br \/> Uma vida em mil peda\u00e7os<br \/> Tinha a impress\u00e3o de que minha vida fosse como um vaso que se quebrava em mil peda\u00e7os; quanto mais eu tentava coloc\u00e1-los juntos, mais o vaso se rompia. Depois de uma inf\u00e2ncia dif\u00edcil e de relacionamentos tensos na fam\u00edlia, no dia em que completei dezessete anos, me casei. Foi um passo um pouco apressado, mas eu estava certa de que o casamento me daria a felicidade que eu esperava. Ao inv\u00e9s, n\u00e3o tive nenhum momento de tranq\u00fcilidade. Apesar de terem nascido dois filhos, a situa\u00e7\u00e3o, em breve tempo, chegou ao ponto da ruptura, e depois de dez anos de casamento, nos separamos. Com 27 anos, uma crian\u00e7a pequena (Roman tinha ficado com pai), e um matrim\u00f4nio falido, n\u00e3o foi f\u00e1cil recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha ningu\u00e9m ao meu lado e aquele Deus que tinha encontrado quando era pequena, parecia que tinha desaparecido. Naquela solid\u00e3o, um outro homem me demonstrou um pouco de afeto. No desejo de oferecer \u00e0 crian\u00e7a o calor de uma fam\u00edlia, aceitei me casar com ele. Nasceram dois filhos e vivi um per\u00edodo feliz. Depois, chegou uma outra prova\u00e7\u00e3o, muito dura: meu marido estava com c\u00e2ncer. Alternavam-se momentos de esperan\u00e7a e de des\u00e2nimo, at\u00e9 quando, devido \u00e0s dores muito agudas, num momento de crise, ele n\u00e3o conseguiu mais suportar e se suicidou .<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel recome\u00e7ar!<br \/> Permaneci novamente sozinha, com tr\u00eas filhos para criar. Esta morte tr\u00e1gica me levou ao desespero, e tamb\u00e9m eu queria terminar com minha vida. Um dia, n\u00e3o sei porque, entrei numa igreja onde, desde jovem, nunca mais tinha entrado. N\u00e3o consegui dizer nada, somente chorava. Saindo dali experimentei uma grande paz: era Ele, Deus&#8230; que me dava a possibilidade de recome\u00e7ar. Recomecei a freq\u00fcentar a igreja, superando a vergonha inicial. Ali, encontrei uma comunidade paroquial viva, encontro calor, acolhida. Aos poucos, descobri que atr\u00e1s dessa vida, existia uma escolha radical do Evangelho. O amor rec\u00edproco era o estilo de vida deles, que \u00e9 o mandamento novo de Jesus. Descobri um cristianismo vivo. Iniciou-se dentro de mim uma verdadeira e profunda convers\u00e3o. Nas palavras de Jesus, encontrei a luz e a for\u00e7a para superar os momentos dif\u00edceis. Entendi que o passado n\u00e3o existia mais, e o encontro com Deus fez com que tudo se tornasse novo e luminoso. Agora, com os quatro filhos para manter, os problemas econ\u00f4micos nunca faltam; mesmo assim, no momento oportuno, sempre chegou o que precis\u00e1vamos: uma roupa, um conserto gr\u00e1tis, uma quantia para as despesas imprevistas.<\/p>\n<p>Um amor mais forte do que a morte<br \/> Uma noite, bateram na porta, era quase meia-noite. Roman estava fora de casa, trabalhando, e j\u00e1 estava mesmo na hora dele voltar. Ao inv\u00e9s, eram dois policiais: um carro tinha atropelado Roman quando ele estava atravessando a faixa dos pedestres, e ele morreu no mesmo instante. Eu gritei: \u201cMeu Deus, isso \u00e9 demais\u201d. Logo chegaram meus novos amigos. Ficaram comigo a noite inteira, compartilhavam juntos, no sil\u00eancio, aquele abismo de dor, me ajudaram a n\u00e3o me desesperar, e me transmitiram uma for\u00e7a que n\u00e3o era somente humana. Finalmente, tinha encontrado a fam\u00edlia que tanto procurei, aquela dos filhos de Deus. Enfrentamos juntos os momentos mais dif\u00edceis: o necrot\u00e9rio, o funeral. Aos poucos, se abre uma certeza: tamb\u00e9m isso \u00e9 amor de Deus. Repeti o meu sim a Ele. Minha vida toma sentido novamente, e me sinto renovada. Aquele abismo de dor escavou em mim uma nova capacidade de amar. Hoje, mais do que nunca, algo \u00e9 claro para mim: s\u00f3 o amor permanece.<\/p>\n<p>(L. M.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma inf\u00e2ncia dif\u00edcil, um casamento falido, um vazio profundo&#8230; depois o encontro com Deus. A experi\u00eancia de uma m\u00e3e.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299280\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}