{"id":299282,"date":"2004-04-06T22:00:00","date_gmt":"2004-04-06T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/da-escuridao-a-redescoberta-do-proprio-carisma\/"},"modified":"2024-05-13T21:07:00","modified_gmt":"2024-05-13T19:07:00","slug":"da-escuridao-a-redescoberta-do-proprio-carisma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/da-escuridao-a-redescoberta-do-proprio-carisma\/","title":{"rendered":"Da escurid\u00e3o \u00e0 redescoberta do pr\u00f3prio carisma"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma religiosa, num momento de escurid\u00e3o<\/strong>, tocada pela serenidade com a qual uma irm\u00e3 vivia sua grave doen\u00e7a, descobre o seu segredo: o amor a Jesus crucificado e abandonado, cora\u00e7\u00e3o da Espiritualidade da unidade, dos Focolares.  \u201cPara mim, \u2013 conta \u2013 \u00e9 uma convers\u00e3o\u201d. Ela redescobre a atualidade do seu fundador: \u201cDiante da mis\u00e9ria material e espiritual de seu tempo, S\u00e3o Vicente consagrou sua vida \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos pobres, aos quais ele chamava de \u2018nossos patr\u00f5es\u2019\u201d. Em Jesus Abandonado, ela reconhece agora o semblante do Senhor, transfigurado na pobreza de hoje, num bairro mal afamado, numa comunidade a servi\u00e7o dos t\u00f3xico-dependentes, entre os marginalizados pela sociedade. Existe quem se reaproxima de Deus e \u201cpassa da morte para a vida\u201d porque come\u00e7a a amar os irm\u00e3os.  <strong>Sou uma Filha da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo<\/strong>. A Congrega\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o foi fundada no s\u00e9culo XVII por Vicente e Lu\u00edsa de Marillac. Conheci o Ideal da unidade num momento de escurid\u00e3o e cansa\u00e7o, atrav\u00e9s de uma irm\u00e3 que vivia esta espiritualidade. Ela havia recebido o diagn\u00f3stico de um tumor no c\u00e9rebro, mas permanecera serena, sempre aberta e pronta para amar. Durante a anestesia, repetia com freq\u00fc\u00eancia: \u201cPor ti, Jesus, por ti\u201d. Onde encontrava esta for\u00e7a? Descobri o segredo: o abra\u00e7o a Jesus crucificado e abandonado. Eu tamb\u00e9m queria viver esta aventura. Para mim foi um momento de verdadeira convers\u00e3o: o Esp\u00edrito Santo me ajudou a anular tudo aquilo que h\u00e1 anos havia tirado da minha vida o frescor e a generosidade para com Jesus. Sinto dentro uma imensa vontade de amar. Come\u00e7o a freq\u00fcentar o Focolare e participo dos encontros nos quais recebo a luz para viver o carisma de meus fundadores.  <strong>Torno-me mais livre, mais alegre, mais mulher, mais Filha da Caridade.<\/strong> As regras e a experi\u00eancia de S\u00e3o Vicente de Paula e de Santa Lu\u00edsa de Marillac parecem-me mais pr\u00f3ximas. Meu fundador, diante da mis\u00e9ria material e espiritual de seu tempo, consagrou sua vida \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o dos pobres, aos quais chamava de \u201cnossos patr\u00f5es\u201d. Na pobreza de hoje, descubro, em Jesus Abandonado, o semblante do Senhor transfigurado. Portanto, se em 1600 minhas companheiras de congrega\u00e7\u00e3o sa\u00edam para evangelizar, medicar, nutrir, vestir os pobres, encontrando-os pelas ruas, nos campos de batalha, nos por\u00f5es, nos hospitais, nas gal\u00e9s&#8230; hoje, descobri a beleza e a atualidade do nosso carisma, vivendo num bairro mal afamado de Mil\u00e3o. Nesses anos, entendi qual \u00e9 o meu modo de contribuir para a realiza\u00e7\u00e3o do Ideal da unidade: reviver o meu fundador. Anos depois fui enviada para uma comunidade que est\u00e1 a servi\u00e7o dos t\u00f3xico-dependentes. Experimentei a inseguran\u00e7a e o absurdo de abra\u00e7ar uma realidade para a qual me sentia despreparada e inapta. Revoltei-me ao pensar que ficaria confinada entre quatro paredes, sem empenho e atividade precisa. Mas \u00e9 exatamente no fazer esta experi\u00eancia, aparentemente sem colorido, que o Senhor me liberta dos apegos e da autoconfian\u00e7a, e renovo meu \u201csim\u201d a Jesus. \u00a0 <strong>Deste modo Ele me preparou para viver outra aventura<\/strong>: fui morar em um min\u00fasculo apartamento, num bairro popular de Turim, marcado pelos novos tipos de pobreza: alcoolismo, os demitidos de hospitais psiqui\u00e1tricos, mendigos, anci\u00e3os, ou seja, os \u00faltimos, os rejeitados pela sociedade. Tenho a felicidade de poder partilhar a espiritualidade da unidade com uma irm\u00e3 da comunidade. Vivendo com estes pobres, 24 horas por dia, encontro Jesus Abandonado a cada passo. Enfrento a desconfian\u00e7a. O povo pensa que as irm\u00e3s est\u00e3o ali para controlar e as v\u00ea com desprezo e indiferen\u00e7a. Mas eles s\u00e3o os \u201cnossos patr\u00f5es\u201d; reconhecemos neles o semblante de Jesus. Pouco a pouco, o amor os conquista. Os mendigos se tornam nossos primeiros amigos.  <strong>Nos interessamos pela vida de nossos vizinhos e abrimos a porta de nossa casa para todos<\/strong>. \u00c9 claro que nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Por vezes vem \u00e0 tona a impaci\u00eancia, a repugn\u00e2ncia e a falta de coragem diante da ingratid\u00e3o e da pretens\u00e3o dos mais pobres. Mas, abra\u00e7ando o sofrimento, Jesus Abandonado, reencontro a capacidade de amar, a for\u00e7a e a alegria de viver aquilo que S\u00e3o Vicente pede \u00e0s suas Irm\u00e3s de Caridade: \u201cOs pobres s\u00e3o os teus patr\u00f5es; patr\u00f5es terrivelmente exigentes. Quanto mais eles forem brutos e injustos, tanto mais dever\u00e1s am\u00e1-los\u201d. O amor rec\u00edproco com a irm\u00e3, minha companheira, gera Jesus em meio (cf. Mt 18,20) e nossa casa se torna ponto de refer\u00eancia para as pessoas do bairro, para um grupo de jovens que deseja participar de nossa atividade de caridade. Alguns se reaproximam de Deus, fazendo a experi\u00eancia da palavra: \u201cPassamos da morte para a vida porque amamos os irm\u00e3os\u201d. E alguns compreendem que Deus os chama a segu\u00ed-Lo.  <strong>Durante o inverno nossa casa se abriu tamb\u00e9m para os imigrantes<\/strong> que, de outra forma, ficariam ao relento; alguns s\u00e3o mul\u00e7umanos. Eles ficaram admirados diante do desinteresse, do amor concreto e do respeito com o qual fomos ao encontro deles. Chiara Lubich nos ensina a amar \u201cfazendo-nos um\u201d. Durante o per\u00edodo do Ramad\u00e3, fizemos com que chegasse at\u00e9 eles um pacotinho com comida, a fim de que, ap\u00f3s o p\u00f4r-do-sol, pudessem ter algo para comer. At\u00e9 mesmo os ciganos se tornam nossos amigos. Nas suas caravanas encontramos crian\u00e7as a serem preparadas para os sacramentos e adultos a quem levar a certeza de que Deus os ama.\u00a0\u00a0  <strong>No ano passado, a reestrutura\u00e7\u00e3o de nossa Congrega\u00e7\u00e3o<\/strong> levou-me a ser transferida para outro lugar, mas a experi\u00eancia de unidade vivida continua a expandir-se em outros ambientes. Retorno a Mil\u00e3o e experimento um doloroso desapego diante do grito de todos aqueles pobres com os quais partilhei a minha vida nesses anos. Comprovo, assim, a frase de Chiara: \u201cTodo desapego do bem que fiz \u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o a edificar Maria\u201d; e repito: \u201cPor ti, Jesus, que agora continuo a descobrir nos novos irm\u00e3os que colocas a meu lado\u201d. Deste modo, no empenho de encarnar na minha vida o carisma que S\u00e3o Vicente deixou \u00e0 Igreja, procuro, em unidade com toda a Obra de Maria, realizar o testamento de Jesus: \u201cQue todos sejam um\u201d. Isto me traz um novo ardor e a aventura continua com os novos irm\u00e3os nos quais descubro, a toda hora, o semblante de Jesus. (Ir. R.R.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia de uma filha de S\u00e3o Vicente de Paula<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299282","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299282\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}