{"id":299362,"date":"2004-09-08T22:00:00","date_gmt":"2004-09-08T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-fraternidade-em-politica-utopia-ou-necessidade-2\/"},"modified":"2024-05-13T21:07:21","modified_gmt":"2024-05-13T19:07:21","slug":"a-fraternidade-em-politica-utopia-ou-necessidade-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-fraternidade-em-politica-utopia-ou-necessidade-2\/","title":{"rendered":"A Fraternidade em pol\u00edtica: utopia ou necessidade?"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0Em 1998, durante a celebra\u00e7\u00e3o dos 150 anos da Constitui\u00e7\u00e3o Su\u00ed\u00e7a, fui convidada pela Comiss\u00e3o \u201cVis\u00e3o sobre a Su\u00ed\u00e7a\u201d a tomar a palavra exatamente aqui, em Berna, na Jornada Federal de Reflex\u00e3o. Foi uma honra para mim, italiana, portanto, estrangeira neste pa\u00eds, poder me dirigir a uma assembl\u00e9ia t\u00e3o qualificada e representativa de toda a Su\u00ed\u00e7a. Aceitei o convite com uma alegria especial, porque h\u00e1 d\u00e9cadas tenho amado e considerado esta terra como a minha segunda p\u00e1tria. Como j\u00e1 disse, \u00e9 uma grande alegria dirigir-me aos senhores, que atuam em v\u00e1rios \u00e2mbitos da pol\u00edtica. Um agradecimento especial ao grupo de pol\u00edticos do Comit\u00ea organizativo desta Jornada, que em mar\u00e7o do ano passado promoveu uma bem-sucedida Jornada em Martigny, a qual, a seguir, desdobrou-se em v\u00e1rios encontros locais. Hoje, este mesmo grupo quis aproveitar a sess\u00e3o outonal das C\u00e2maras Federais para organizar o encontro de hoje.  O t\u00edtulo proposto para a minha palestra \u00e9: &#8220;A fraternidade na pol\u00edtica: utopia ou necessidade?&#8221; Espero que, neste discurso, eu possa demonstrar quanto a fraternidade \u00e9 necess\u00e1ria e como podemos realiz\u00e1-la.  O lema: liberdade, igualdade, fraternidade, quase uma s\u00edntese do programa pol\u00edtico da modernidade, revela uma intui\u00e7\u00e3o profunda, e hoje demanda a n\u00f3s uma s\u00e9ria reflex\u00e3o: em que fase estamos na realiza\u00e7\u00e3o desta grande aspira\u00e7\u00e3o? A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa anunciou esses tr\u00eas princ\u00edpios, mas na verdade n\u00e3o os inventou. Eles j\u00e1 estavam empreendendo o seu extenuante caminho ao longo dos s\u00e9culos, sobretudo a partir da mensagem crist\u00e3, que vivificou o lado melhor das antigas tradi\u00e7\u00f5es dos diversos povos e o patrim\u00f4nio da revela\u00e7\u00e3o hebraica, efetivando uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o: o humanismo novo, inaugurado por Cristo, que capacitou o homem a viver plenamente esses princ\u00edpios. No decorrer dos s\u00e9culos, a partir desse an\u00fancio, eles foram revelando a sua riqueza nas obras humanas. A liberdade e a igualdade deixaram uma marca profunda na hist\u00f3ria pol\u00edtica dos povos, produzindo avan\u00e7os como civiliza\u00e7\u00e3o e criando as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a progressiva conscientiza\u00e7\u00e3o acerca da dignidade da pessoa humana. A liberdade e a igualdade tornaram-se princ\u00edpios jur\u00eddicos, que cotidianamente s\u00e3o aplicados como verdadeiras categorias pol\u00edticas.  N\u00f3s bem sabemos que, a afirma\u00e7\u00e3o exclusiva da liberdade, pode se transformar no privil\u00e9gio do mais forte, enquanto que a igualdade (e a hist\u00f3ria o confirma) pode se traduzir no coletivismo que massifica. Al\u00e9m disso, muitos povos, na realidade, ainda n\u00e3o se beneficiaram dos conte\u00fados da liberdade e da igualdade\u2026 Como fazer, ent\u00e3o, para que a sua assimila\u00e7\u00e3o produza frutos maduros? Como acionar a marcha da hist\u00f3ria dos nossos pa\u00edses e da humanidade inteira rumo ao destino que lhe \u00e9 pr\u00f3prio? Para n\u00f3s, a resposta est\u00e1 na fraternidade universal, que deve ocupar o devido lugar nas categorias pol\u00edticas fundamentais. Se esses tr\u00eas princ\u00edpios estiverem um ao lado do outro, poder\u00e3o dar origem a uma pol\u00edtica adequada \u00e0s demandas de hoje.  Em raros momentos o nosso planeta sofreu tanto pela desconfian\u00e7a, pelo temor, inclusive pelo terror quanto no nosso tempo. Basta pensar no dia 11 de setembro de 2001 e, ainda mais pr\u00f3ximo, no dia 11 de mar\u00e7o de 2004, sem esquecer outras centenas de atentados que, nesses \u00faltimos anos, alimentaram a nossa cr\u00f4nica cotidiana. O terrorismo: uma calamidade t\u00e3o grave quanto as dezenas de guerras que ensang\u00fcentam o nosso planeta! E quais s\u00e3o as causas? Muitas. Por\u00e9m, por for\u00e7a reconhecemos que uma das mais graves \u00e9 o desequil\u00edbrio econ\u00f4mico e social que existe no mundo entre pa\u00edses ricos e pobres. Esse desequil\u00edbrio gera ressentimento, hostilidade, vingan\u00e7a, favorecendo o fundamentalismo, que ali encontra um terreno adequado para crescer. Se o quadro \u00e9 este; ent\u00e3o, para que o terrorismo perca a sua for\u00e7a e desapare\u00e7a, a guerra n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o. Temos que buscar os caminhos do di\u00e1logo, solu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e diplom\u00e1ticas. Mas n\u00e3o s\u00f3; \u00e9 preciso priorizar no mundo mais solidariedade entre todos e uma mais justa comunh\u00e3o de bens. Sem contar que s\u00e3o muito mais numerosos os temas candentes que interpelam a pol\u00edtica em dimens\u00e3o nacional e internacional. Tamb\u00e9m, o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico do mundo ocidental j\u00e1 est\u00e1 indiscutivelmente em crise. Essa crise requer n\u00e3o s\u00f3 poucos ajustes, mas uma revis\u00e3o global. A marcha irrefre\u00e1vel da pesquisa cient\u00edfica deve ser controlada por meios que garantam a integridade e a sa\u00fade da esp\u00e9cie humana e de todo o ecossistema. O reconhecimento da fun\u00e7\u00e3o essencial dos meios de comunica\u00e7\u00e3o no mundo moderno deve estruturar regras claras frente \u00e0s espec\u00edficas exig\u00eancias de promo\u00e7\u00e3o dos valores e de tutela das pessoas, dos grupos, dos povos. Outra quest\u00e3o central prov\u00e9m da necessidade de defender e valorizar a riqueza proveniente das diferen\u00e7as \u00e9tnicas, religiosas, culturais, mesmo no horizonte dos irrevers\u00edveis processos de globaliza\u00e7\u00e3o em andamento. Esses s\u00e3o alguns dentre os maiores desafios apresentados pela atualidade que demandam fortemente a id\u00e9ia e a pr\u00e1tica da fraternidade, e, pela vastid\u00e3o do problema, de uma fraternidade universal.  A mentalidade de grandes personalidades compreendia o conceito da fraternidade universal. Mahatma Gandhi afirmava: \u201cA lei de ouro \u00e9 ser amigo do mundo e considerar &#8220;uma s\u00f3&#8221; toda a fam\u00edlia humana\u201d . A prop\u00f3sito do que aconteceu no dia 11 de setembro, Dalai Lama escreveu: \u201cPara n\u00f3s, as raz\u00f5es (dos acontecimentos desses dias) s\u00e3o claras. (&#8230;) N\u00f3s n\u00e3o nos lembramos das verdades humanas mais basilares. (&#8230;) Somos uma coisa s\u00f3. Esta \u00e9 a mensagem que a ra\u00e7a humana ignorou completamente. O esquecimento dessa verdade \u00e9 a \u00fanica causa do \u00f3dio e da guerra\u201d. Sem esquecer o santo su\u00ed\u00e7o, Nicolau de Fl\u00fce, profeta e agente da paz, que afirmava o seguinte: os conflitos podem ser resolvidos de forma proveitosa unicamente no pleno e total respeito rec\u00edproco. Portanto, na fraternidade que leva \u00e0 obedi\u00eancia rec\u00edproca.  Por\u00e9m, quem indicou e suscitou a fraternidade como um dom essencial para a humanidade, foi Jesus, o qual rezou assim antes de morrer: \u201cPai, que todos sejam um\u201d (Jo 17,21). Ele, revelando que Deus \u00e9 Pai, fez de todos n\u00f3s irm\u00e3os e abateu as paredes que separam os \u201ciguais\u201d dos \u201cdiferentes\u201d, os amigos do inimigos.  Portanto, a fraternidade deve ser afirmada como ideal, como o ideal do mundo de hoje.  Mas existem sinais de fraternidade na atual vida dos povos?  Com o passar dos anos, tendo experimentado incont\u00e1veis vezes, na minha vida e naquela dos outros a a\u00e7\u00e3o providencial de Deus, e tendo podido conhecer diretamente muitos povos, aprendi a identificar os avan\u00e7os impl\u00edcitos na humanidade, at\u00e9 poder afirmar que a sua hist\u00f3ria \u00e9 uma lenta, mas irrefre\u00e1vel caminhada rumo \u00e0 fraternidade universal. Os fatos est\u00e3o diante de n\u00f3s; devemos saber interpret\u00e1-los. O mundo nunca buscou a unidade numa forma t\u00e3o viva e reconhec\u00edvel quanto hoje. Um dos sinais \u00e9 a Uni\u00e3o de Estados e os processos de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica que, com maior intensidade, v\u00e3o se realizando em n\u00edvel continental ou segundo \u00e1reas geopol\u00edticas; o papel dos organismos internacionais, de modo especial das Na\u00e7\u00f5es Unidas, que volta a ser determinante para conhecer, enfrentar e gerenciar as principais quest\u00f5es que tocam a vida de povos e pa\u00edses; o desenvolvimento de um di\u00e1logo a 360 graus, cada vez mais difundido e fecundo entre as pessoas mais diferentes; o crescimento de movimentos sociais, culturais e religiosos, que se apresentam como novos protagonistas das rela\u00e7\u00f5es internacionais e trabalham por objetivos de dimens\u00f5es mundiais.  Para criar no mundo a fraternidade, que gere uma unidade espiritual, garantia da unidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social, cultural, n\u00e3o faltam os instrumentos. Basta saber identific\u00e1-los. Um deles, cuja efic\u00e1cia ainda deve ser descoberta, \u00e9 o surgimento no mundo crist\u00e3o, depois das primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, de dezenas de Movimentos que, como muitas redes, ligam os povos, as culturas e o que \u00e9 diferente: quase um sinal de que o mundo poderia se tornar uma casa das na\u00e7\u00f5es; pois ele j\u00e1 \u00e9 assim gra\u00e7as a esses Movimentos, ainda que em n\u00edvel de laborat\u00f3rio. Esses Movimentos n\u00e3o s\u00e3o um produto de um projeto humano, mas de carismas do Esp\u00edrito de Deus, que conhece melhor do que ningu\u00e9m os problemas do nosso planeta e deseja ajudar a resolv\u00ea-los. Esses Movimentos s\u00e3o fundados ou prevalentemente compostos por leigos, por isso veiculam um sincero e profundo interesse pela vida humana com incid\u00eancia no campo civil, oferecendo concretas iniciativas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e assim por diante. Esses Movimentos s\u00e3o v\u00e1rios e espl\u00eandidos; nasceram na Igreja cat\u00f3lica, reformada, anglicana, evang\u00e9lica, ortodoxa, etc. Uma sua peculiaridade \u00e9 serem compostos por muitos jovens, garantia do futuro. Os jovens est\u00e3o menos condicionados do que os adultos por decepcionantes experi\u00eancias do passado e acreditam com mais entusiasmo nos ideais verdadeiros e nos maiores. Esses Movimentos se apresentaram, no dia 8 de maio deste ano, em Stuttgart (Alemanha), numa Jornada excelente, promovida por alguns deles, transmitida via Sat\u00e9lite ao nosso continente e a outros, com o t\u00edtulo: &#8220;Juntos pela Europa&#8221;. Ofereceram-se como contribui\u00e7\u00e3o para realizar, ao lado da Europa pol\u00edtica, econ\u00f4mica ou do euro, a Europa do Esp\u00edrito, buscando dar uma alma para a Europa a qual, al\u00e9m do mais, veria refor\u00e7ada a pr\u00f3pria multiplicidade e coes\u00e3o.  Para exemplificar esses Movimentos, gostaria de expor aos senhores as linhas principais do Movimento que conhe\u00e7o melhor, pois a ele estou ligada: o Movimento dos Focolares, cujo objetivo \u00e9 exatamente a unidade e a fraternidade universal. Ele nasceu durante a Segunda Guerra Mundial, sob os bombardeios, em Trento, no Norte da It\u00e1lia, quando desmoronavam as casas e com elas projetos de vida como os nossos, as esperan\u00e7as, as seguran\u00e7as. Tudo estava sendo destru\u00eddo, enquanto que nos jovens cora\u00e7\u00f5es da primeiras focolarinas despontava, com uma for\u00e7a desconhecida, uma \u00fanica verdade: Deus \u00e9 o \u00fanico Ideal que n\u00e3o \u00e9 destru\u00eddo. Deus, que se revelou a n\u00f3s por aquilo que \u00e9: Amor. Exatamente diante do \u00f3dio e da divis\u00e3o extrema, Deus Amor nos sugeriu que, para am\u00e1-lo, dev\u00edamos fazer de tudo para viver entre n\u00f3s o amor rec\u00edproco e para levar este amor a todos. Amor que logo se alastrou na cidade. A seguir, com o passar dos anos, o Movimento foi se difundindo por todo o planeta, em 182 pa\u00edses. A nossa voca\u00e7\u00e3o \u00e0 unidade nos levou a preferir os pontos da Terra onde era mais forte a divis\u00e3o e sobressa\u00edram alguns \u00e2mbitos espec\u00edficos de di\u00e1logo e de partilha: em primeiro lugar, no \u00e2mbito de cada uma das Igrejas, onde o Movimento d\u00e1 a sua contribui\u00e7\u00e3o para que exista uma crescente \u201ccomunh\u00e3o\u201d; com os crist\u00e3os de diversas denomina\u00e7\u00f5es; com os fi\u00e9is das grandes religi\u00f5es, a partir de numerosas experi\u00eancias de \u201cdi\u00e1logo da vida\u201d respeitoso e fecundo, premissa para a paz. Enfim, um di\u00e1logo imbu\u00eddo de concreta colabora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m com aqueles que n\u00e3o possuem um preciso referencial religioso.  O Movimento dos Focolares, mesmo sendo primariamente religioso, desde o in\u00edcio e no decorrer dos anos, deu um grande enfoque a todos os \u00e2mbitos da sociedade, inclusive ao campo pol\u00edtico, a ponto de ver nascer de seu seio, em N\u00e1poles, na It\u00e1lia, em 1996, o \u201cMovimento Pol\u00edtico pela Unidade\u201d. Movimento que tamb\u00e9m est\u00e1 se difundindo e organizando em todo o globo. Pude narrar o seu nascimento e desenvolvimento v\u00e1rias vezes a parlamentares de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias e n\u00e3o, em Estrasburgo, no Centro Europeu de Madri e na ONU. Como express\u00e3o pol\u00edtica do Movimento dos Focolares, ele tem como objetivo: fazer com que as pessoas e grupos, engajados na pol\u00edtica, redescubram os valores profundos, eternos do homem, coloquem a fraternidade como base da sua vida e s\u00f3 depois se mobilizem na a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A conseq\u00fc\u00eancia \u00e9 a seguinte: o agir pol\u00edtico se alarga de um amor interpessoal para um amor maior, aquele pela polis. Um amor que, adquirindo a dimens\u00e3o pol\u00edtica, n\u00e3o perde as suas caracter\u00edsticas: o envolvimento de toda a pessoa, com a sua intelig\u00eancia e a vontade de chegar a todos; a sua intui\u00e7\u00e3o e a criatividade para dar o primeiro passo; o seu realismo para se colocar na pele do outro, com a capacidade de doar-se sem interesses pessoais e de abrir novas estradas, inclusive quando as limita\u00e7\u00f5es humanas e os fracassos parecem obstru\u00ed-las. Portanto, n\u00e3o se trata de formar um novo partido nem desejamos confundir religi\u00e3o com pol\u00edtica, como aconteceu e acontece pelo integrismo de crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os. Os agentes do Movimento pol\u00edtico pela unidade s\u00e3o pol\u00edticos de todos os n\u00edveis \u2013 administradores, parlamentares, militantes de partido \u2013 de v\u00e1rias filia\u00e7\u00f5es, que sentem o dever de agir ao lado do verdadeiro titular da soberania: o cidad\u00e3o. Cidad\u00e3os que desejam fazer a pr\u00f3pria parte como sujeito atuante na pol\u00edtica; de modo especial os jovens que, como aqui na Su\u00ed\u00e7a, sabem se comprometer de modo admir\u00e1vel e apaixonado como estudiosos de Ci\u00eancias Pol\u00edticas, por exemplo, e desejam oferecer a pr\u00f3pria compet\u00eancia e investiga\u00e7\u00e3o; funcion\u00e1rios da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, conscientes do pr\u00f3prio papel espec\u00edfico. Propomos unicamente e testemunhamos juntos um estilo de vida que permite \u00e0 pol\u00edtica realizar da melhor maneira o seu objetivo: o bem comum, na unidade do corpo social. Ali\u00e1s, gostar\u00edamos de propor a todos aqueles que trabalham na pol\u00edtica quase a formula\u00e7\u00e3o de um pacto de fraternidade pelo pr\u00f3prio pa\u00eds, que coloque o bem acima de qualquer interesse parcial, individual, de grupo, de classe ou de partido, porque a fraternidade oferece possibilidades surpreendentes: consente conjugar e valorizar exig\u00eancias que, sem ela, poderiam desencadear conflitos irrepar\u00e1veis. A fraternidade articula em harmonia as experi\u00eancias das autonomias locais, valorizando a hist\u00f3ria comum. Consolida a consci\u00eancia de que s\u00e3o importantes os organismos internacionais e todos os processos que visam superar as barreiras e atingir importantes etapas em vista da unidade da fam\u00edlia humana. De fato, a fraternidade pode fazer despontar projetos e atividades no complexo tecido pol\u00edtico, econ\u00f4mico, cultural e social do nosso mundo. \u00c9 a fraternidade que tira do isolamento, abrindo as portas do desenvolvimento aos povos exclu\u00eddos. \u00c9 a fraternidade que indica como resolver pacificamente as controv\u00e9rsias e que relega a guerra aos livros de hist\u00f3ria. \u00c9 em virtude da fraternidade vivida que podemos sonhar (e at\u00e9 mesmo esperar) com alguma forma de comunh\u00e3o de bens entre pa\u00edses ricos e pobres.  A profunda necessidade de paz, que a humanidade hoje externa, demonstra que a fraternidade n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um valor, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um m\u00e9todo, mas o paradigma global do desenvolvimento pol\u00edtico. \u00c9 por isso que o mundo, tornando-se cada vez mais interdependente, precisa de pol\u00edticos, de empres\u00e1rios, de intelectuais, artistas que coloquem a fraternidade \u2013 instrumento de unidade \u2013 no centro do pr\u00f3prio agir e pensar. Era esse o sonho de Martin Luther King: que a fraternidade se torne a ordem do dia de um homem de neg\u00f3cios e a palavra de ordem do homem de governo. Os pol\u00edticos do \u201cMovimento Pol\u00edtico pela Unidade\u201d querem que esse sonho se torne realidade.  Mas isso pode acontecer se, na atividade pol\u00edtica, n\u00e3o nos esquecermos da dimens\u00e3o espiritual ou, seja como for, da f\u00e9 nos valores profundos que devem orientar a vida social. S\u00e3o Nicolau de Fl\u00fce tamb\u00e9m estava convencido disso, pois ele fez muito pela vida pol\u00edtica deste pa\u00eds. Ele estava sempre informado de tudo. Na sua cela, ele tinha uma janela que dava para o lado de fora, para a vida dos homens, mas a outra dava para o interior, para o altar da capela. O deputado Igino Giordani, parlamentar italiano e co-fundador do nosso Movimento, que hoje \u00e9 declarado Servo de Deus, no seu estilo inconfund\u00edvel escreveu: \u201cQuando se cruza a soleira de casa para entrar nos meandros do mundo, a f\u00e9 n\u00e3o fica pendurada como um gorro desbotado num prego atr\u00e1s da porta\u201d .  Um dia, tive a sensa\u00e7\u00e3o de compreender o que se pretendia dizer ao afirmar que a pol\u00edtica \u00e9 amor. Se d\u00e9ssemos uma cor a cada atividade humana: \u00e0 economia, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0 arte, ao trabalho cultural, \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a&#8230; Imaginei que a pol\u00edtica n\u00e3o teria uma cor; seria um fundo preto, que d\u00e1 ressalto a todas as outras cores. Por isso, a pol\u00edtica deve estabelecer uma inter-rela\u00e7\u00e3o cotidiana com cada \u00e2mbito da vida, para criar as condi\u00e7\u00f5es a fim de que pr\u00f3pria sociedade, com todas as suas express\u00f5es possa realizar perfeitamente o seu des\u00edgnio. \u00c9 claro que nesta cont\u00ednua aten\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo, a pol\u00edtica tem o dever de reservar para si alguns espa\u00e7os espec\u00edficos: indicar as prioridades num programa justo; fazer dos desfavorecidos os alvos privilegiados; buscar sempre e seja como for a participa\u00e7\u00e3o, ou seja, o di\u00e1logo, a media\u00e7\u00e3o, responsabilidade e concretitude.  Para esses pol\u00edticos de que falo, a pr\u00f3pria op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 um ato de amor, por meio do qual cada um responde a uma aut\u00eantica voca\u00e7\u00e3o, a um chamado pessoal. Quem possui uma f\u00e9 religiosa sabe que \u00e9 Deus mesmo a cham\u00e1-lo por meio das circunst\u00e2ncias; quem n\u00e3o tem um referencial religioso responde a uma exig\u00eancia humana, a uma necessidade social, a um problema da sua cidade, aos sofrimentos do seu povo, que ecoam na pr\u00f3pria consci\u00eancia. Ambos t\u00eam a sua casa no Movimento pol\u00edtico pela unidade e agem sempre por amor. Aquele amor que \u00e9 fonte de luz, que mostra a possibilidade de obter grandes resultados, que substitui o temor asfixiante, comumente presente no mundo pol\u00edtico, que incute medo, com a coragem, com uma nova coragem.  Os pol\u00edticos da unidade tomam consci\u00eancia de que a pol\u00edtica \u00e9, na sua raiz, amor; compreendem que tamb\u00e9m o outro, o advers\u00e1rio pol\u00edtico, pode ter feito a pr\u00f3pria escolha por amor. S\u00e3o conscientes de que cada forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, que cada op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pode ser a resposta para uma necessidade social e, portanto, todas s\u00e3o necess\u00e1rias para a obten\u00e7\u00e3o do bem comum. Eles se interessam pelo destino do outro e pela sua proposta como pela pr\u00f3pria, e a cr\u00edtica torna-se construtiva. Procuram vivenciar o aparente paradoxo de amar o partido alheio como o pr\u00f3prio, porque o bem do pa\u00eds precisa da a\u00e7\u00e3o de todos. Este \u00e9, em grandes linhas, o ideal do \u201cMovimento Pol\u00edtico pela Unidade\u201d e \u00e9 esta \u2013 creio \u2013 a pol\u00edtica que vale a pena ser vivida. Uma pol\u00edtica capaz de reconhecer e servir o des\u00edgnio da pr\u00f3pria comunidade, da pr\u00f3pria cidade e na\u00e7\u00e3o, inclusive da humanidade inteira, pois a fraternidade \u00e9 o projeto de Deus para toda a fam\u00edlia humana. \u00c9 esta a verdadeira pol\u00edtica respeit\u00e1vel de que cada pa\u00eds precisa; o poder, de fato, confere a for\u00e7a, mas \u00e9 o amor que d\u00e1 autoridade. \u00c9 esta pol\u00edtica que constr\u00f3i obras que permanecem. As gera\u00e7\u00f5es que vir\u00e3o n\u00e3o ser\u00e3o gratas aos pol\u00edticos por terem assumido o poder, mas por como o administraram. Esta \u00e9 a pol\u00edtica que o \u201cMovimento Pol\u00edtico pela Unidade\u201d deseja, com a ajuda de Deus, gerar e apoiar. Ent\u00e3o, o que desejo para os pol\u00edticos dessa espl\u00eandida Su\u00ed\u00e7a? Que este povo e de modo especial os seus representantes, ricos da sua nobre hist\u00f3ria democr\u00e1tica, encontrem na fraternidade o vigor necess\u00e1rio para continuar com uma efic\u00e1cia ainda maior o seu caminho, e para dar a sua contribui\u00e7\u00e3o como protagonista na hist\u00f3ria da unidade da fam\u00edlia humana. Na parte que nos cabe, prometemos n\u00e3o deix\u00e1-los sozinhos, colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos senhores o carisma da unidade, que o C\u00e9u ofereceu para toda a humanidade. Obrigada pela aten\u00e7\u00e3o dispensada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Message de Chiara Lubich<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299362","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299362\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}