{"id":299510,"date":"2005-03-20T23:00:00","date_gmt":"2005-03-20T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/depois-da-terrivel-provacao-mais-proximos-da-unidade\/"},"modified":"2024-05-13T21:08:01","modified_gmt":"2024-05-13T19:08:01","slug":"depois-da-terrivel-provacao-mais-proximos-da-unidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/depois-da-terrivel-provacao-mais-proximos-da-unidade\/","title":{"rendered":"Depois da terr\u00edvel prova\u00e7\u00e3o, mais pr\u00f3ximos da unidade"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0Um grupo de jovens do Movimento dos Focolares, entre os quais alguns europeus e alguns indon\u00e9sios, partindo de Singapura, viajaram para a prov\u00edncia de Aceh, no norte de Sumatra, Indon\u00e9sia. Reportamos alguns trechos do di\u00e1rio de viagem:  O objetivo da nossa viagem \u00e9 verificar pessoalmente as necessidades destas regi\u00f5es atingidas e entender o que podemos fazer concretamente, como Movimento dos Focolares, no local, pelas v\u00edtimas do maremoto. Foi uma experi\u00eancia incancel\u00e1vel, fomos para dar e recebemos muito mais. Quando voltamos, algu\u00e9m disse nos ter visto como pessoas que retornam de uma peregrina\u00e7\u00e3o em um lugar sagrado.  O nosso \u00e9 um grupo variado: asi\u00e1ticos, de Singapura e da Indon\u00e9sia mesmo, e tamb\u00e9m alguns europeus, crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos e quem sem um referencial religioso. Juntos fomos para a Indon\u00e9sia, mosaico de culturas.  A neta do rei  Em Aceh, se uniu ao nosso grupo um casal do lugar &#8211; ela, indon\u00e9sia, ele, ingl\u00eas &#8211; que foram nossos guias. O av\u00f3 dela foi o \u00faltimo rei de Sigli, no leste de Aceh. A participa\u00e7\u00e3o deles ao grupo \u00e9 providencial porque nos abrem muitas portas.  A., chamada por n\u00f3s carinhosamente &#8220;princesa&#8221; &#8211; a neta do rei &#8211; durante a viagem nos conta sobre a sua fam\u00edlia: &#8220;At\u00e9 a metade do s\u00e9culo passado, Aceh teve v\u00e1rios sult\u00f5es ou reis. Meu av\u00f3 governou um reino: era o &#8220;Raja&#8221; (rei) de Sigli, e foi assassinado em 1950, quando a Indon\u00e9sia conquistou a independ\u00eancia dos holandeses, formando uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o com as 16 mil ilhas do arquip\u00e9lago\u201d.  Desde ent\u00e3o, foi formado um grupo armado, chamado o GAM (Movimento pela Aceh livre) que, atrav\u00e9s de cont\u00ednuas a\u00e7\u00f5es de guerrilhas, combate pela independ\u00eancia. Os conflitos freq\u00fcentes entre o ex\u00e9rcito indon\u00e9sio e o grupo de guerrilha armada, cria inseguran\u00e7a e tens\u00e3o no povo, que fora desta regi\u00e3o \u00e9 mais desconhecido que amado, mais objeto de preconceito que do sentimento de uma nacionalidade comum; e Aceh \u00e9 vista como uma regi\u00e3o perigosa. Depois desta viagem, descobrimos os habitantes de Aceh como verdadeiros irm\u00e3os, plenos de riqueza espiritual.  O encontro com o sofrimento e com a vida  Encontramos muitas pessoas: crian\u00e7as, religiosos, professores, policiais, a gente nos acampamentos onde se refugiaram centenas e centenas de fam\u00edlias, os pescadores &#8211; a categoria mais atingida, j\u00e1 que o tsunami destruiu seja os barcos que as redes. Escutamos as hist\u00f3rias da vida deles e as necessidades que t\u00eam: nos vem um senso de desorienta\u00e7\u00e3o diante de tanto sofrimento e de tantas necessidades. Mas vamos para frente, com paz. Lembramo-nos que \u00e9 Jesus nos irm\u00e3os a nos diz: \u201cEu precisava de um barco e de redes para viver e voc\u00ea os conseguiu para mim&#8230;\u201d.  Ficamos surpresos pela generosidade das pessoas, que sabem esquecer a pr\u00f3pria dor para pensar em n\u00f3s, estrangeiros desconhecidos: um rapaz, com sua espada, corta do coqueiro um coco para cada um, e os oferece \u00e0 nos para bebermos assim a gostosa \u00e1gua de coco.  Chorar juntos  No vilarejo Kampung Cina, encontramos uma jovem senhora mu\u00e7ulmana que, justamente naquele momento, tinha ido ver a sua casa pela primeira vez depois da trag\u00e9dia. A casa estava totalmente destru\u00edda&#8230; E ela tinha perdido o marido e oito filhos! Contou-nos, chorando, que enquanto escapava levando no bra\u00e7o o mais novo de poucos meses, a um certo ponto, viu outros dois filhos em perigo e voltou atr\u00e1s para socorr\u00ea-los. Mas, naquele instante escutou o grito do pequeno que tinha escapado da sua m\u00e3o, arrastado pela \u00e1gua. Uma outra onda alt\u00edssima chegou, levando embora os dois filhos. Naquele turbilh\u00e3o de \u00e1gua, ela perdeu os sentidos e se acordou depois em cima de um coqueiro. Ficamos petrificados ao escut\u00e1-la: era imposs\u00edvel dizer uma palavra. N\u00e3o sabendo o que fazer, como consol\u00e1-la, a abra\u00e7amos e choramos com ela.  Quando entramos na parte da cidade mais atingida pelo tsunami e nos vilarejos ao redor, encontramos uma desola\u00e7\u00e3o total! Casas esvaziadas de tudo pela viol\u00eancia da \u00e1gua, a maioria destru\u00edda e com montanhas de ru\u00ednas em cima, onde ainda se estavam recolhendo os corpos das v\u00edtimas.  Na impossibilidade de tirar os corpos, colocam em cima uma bandeira, uma para cada corpo que se pensa estar soterrado ali, numa esp\u00e9cie de funeral improvisado, por respeito \u00e0quelas vidas que n\u00e3o devem ser esquecidas.  Ao longo da estrada que leva ao centro da cidade, a cerca de 3 km do mar, dois grandes navios (de 350 toneladas cada), foram assumidos por um hotel. e permanecem ali como monumento, em recorda\u00e7\u00e3o desta grande trag\u00e9dia.  Mas, o sofrimento mais intenso \u00e9 ver o ponto extremo de Banda Aceh, onde a f\u00faria do mar se verteu com toda a sua pot\u00eancia, invadindo em todas as dire\u00e7\u00f5es, destruindo tudo. \u00c9 uma esp\u00e9cie de pen\u00ednsula estreita, com mar de todos os lados. Somente o piso daquelas habita\u00e7\u00f5es restou, junto com um monte de ru\u00ednas. Nenhum sinal de vida.  Percorremos duas horas de viagem de carro, num grande sil\u00eancio, emudecidos por aquele terror. Talvez era tamb\u00e9m ora\u00e7\u00e3o, medita\u00e7\u00e3o, partilha de um sofrimento que grita apenas &#8220;por qu\u00ea?&#8221;. Reconhecemos nisto um vulto de Jesus abandonado na cruz &#8211; Ele que assumiu todas as dores, as divis\u00f5es, os traumas da humanidade -, e assim nos veio tamb\u00e9m a certeza, mesmo no mist\u00e9rio, do Seu Amor pessoal por cada um.  Arrega\u00e7ar as mangas  Procuramos agir: um de n\u00f3s trabalha numa firma que comercializa redes de pesca. Podemos entrar concretamente no problema. Fazemos os c\u00e1lculos: quantas redes, quanto fio, quanta madeira para construir os barcos, possivelmente com o motor, quantas bicicletas para permitir \u00e0s crian\u00e7as de ir \u00e0 escola, quanto material escolar, quanto dinheiro precisa.  Agora, voltando, podemos organizar a distribui\u00e7\u00e3o das ajudas recebidas, conhecendo uma por uma as necessidades e os rostos das pessoas que est\u00e3o por tr\u00e1s (encontramos 953 pescadores). A nossa impress\u00e3o \u00e9 de ter visto milagres realizados pela solidariedade que este tsunami provocou no mundo inteiro. Constata-se a generosidade de grupos, ONGs, congrega\u00e7\u00f5es&#8230; e tem lugar para todos! O lema sobre o bras\u00e3o da Indon\u00e9sia \u00e9: &#8220;Unidade na diversidade&#8221;. Parece-nos que este grande pa\u00eds, depois da terr\u00edvel prova\u00e7\u00e3o, esteja mais pr\u00f3ximo da unidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viagem pelo sofrimento de uma terra devastada pelo tsunami, a Indon\u00e9sia<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[909],"tags":[],"class_list":["post-299510","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-focolare-worldwide-2-4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299510\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}