{"id":299608,"date":"2005-08-25T22:00:00","date_gmt":"2005-08-25T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/discurso-de-bento-xvi-3\/"},"modified":"2024-05-13T21:08:24","modified_gmt":"2024-05-13T19:08:24","slug":"discurso-de-bento-xvi-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/discurso-de-bento-xvi-3\/","title":{"rendered":"Discurso de Bento XVI\/3"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0Queridos amigos mu\u00e7ulmanos:<\/p>\n<p>\u00c9 grato para mim acolher-vos e dirigir-vos minha cordial sauda\u00e7\u00e3o. Estou aqui para encontrar-me com os jovens vindos de todas as partes da Europa e do mundo. Os jovens s\u00e3o o futuro da humanidade e a esperan\u00e7a das na\u00e7\u00f5es. Meu querido predecessor, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, disse um dia aos jovens mu\u00e7ulmanos reunidos no est\u00e1dio de Casablanca, no Marrocos: \u00abOs jovens podem construir um futuro melhor se colocam em primeiro lugar sua f\u00e9 em Deus e se empenham em edificar com sabedoria e confian\u00e7a um mundo novo segundo o plano de Deus\u00bb (Insegnamenti, VIII\/2, 1985, p. 500). Esta \u00e9 a perspectiva da qual me dirijo a v\u00f3s, queridos amigos mu\u00e7ulmanos, para compartilhar convosco minhas esperan\u00e7as e fazer-vos participes de minhas preocupa\u00e7\u00f5es, nestes momentos particularmente dif\u00edceis da hist\u00f3ria de nosso tempo.<\/p>\n<p>Estou seguro de interpretar tamb\u00e9m vosso pensamento ao sublinhar, entre as preocupa\u00e7\u00f5es, a que nasce da constata\u00e7\u00e3o do difundido fen\u00f4meno do terrorismo, que semeia morte e destrui\u00e7\u00e3o, deixando a muitos irm\u00e3os e irm\u00e3s nossos no pranto e no desespero. Os que pensam e programa estes atentados demonstram querer envenenar nossa rela\u00e7\u00f5es, recorrendo a todos os meios, at\u00e9 mesmo \u00e0 religi\u00e3o, para oporem-se aos esfor\u00e7os de conviv\u00eancia pac\u00edfica, leal e serena. O terrorismo de qualquer origem que seja, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o perversa e cruel, que desdenha do direito sacrossanto \u00e0 vida e corr\u00f3i os fundamentos pr\u00f3prios de toda conviv\u00eancia civil. Se conseguimos juntos extirpar dos cora\u00e7\u00f5es o sentimento de rancor, contrastar toda forma de intoler\u00e2ncia e opormos a cada manifesta\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, frearemos a onda de fanatismo cruel, que p\u00f5e em perigo a vida de tantas pessoas, obstaculizando o progresso da paz no mundo. A tarefa \u00e9 \u00e1rdua, mas n\u00e3o imposs\u00edvel. De fato, o crente sabe que pode contar, n\u00e3o obstante sua pr\u00f3pria fragilidade, com a for\u00e7a espiritual da ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Queridos amigos, estou profundamente convencido de que temos de afirmar, sem ceder \u00e0s press\u00f5es negativas do ambiente, os valores do respeito rec\u00edproco, da solidariedade e da paz. A vida de cada ser humano \u00e9 sagrada, tanto para os crist\u00e3os como para os mu\u00e7ulmanos. Temos uma grande campo de a\u00e7\u00e3o no qual temos de nos sentir unidos no servi\u00e7o dos valores morais fundamentais. A dignidade da pessoa e da defesa dos direitos que de tal dignidade se derivam devem ser o objetivo de todo projeto social e de todo esfor\u00e7o por leva-lo a cabo. Esta \u00e9 uma mensagem confirmada de maneira inconfund\u00edvel pela voz suave mas clara da consci\u00eancia. Uma mensagem que se h\u00e1 de escutar e fazer escutar: se cessasse seu eco nos cora\u00e7\u00f5es o mundo estaria exposto \u00e0s trevas de uma nova barb\u00e1rie. S\u00f3 se pode encontrar uma base de concilia\u00e7\u00e3o reconhecendo a centralidade da pessoa, superando eventuais contraposi\u00e7\u00f5es culturais e neutralizando a for\u00e7a destruidora das ideologias.<\/p>\n<p>No encontro que tive em abril com os Delegados das Igrejas e Comunidades eclesiais e com representantes de diversas Tradi\u00e7\u00f5es religiosas, disse: \u00abAsseguro-vos que a Igreja quer seguir construindo pontes de amizade com os seguidores de todas as religi\u00f5es, para buscar o verdadeiro bem de cada pessoa e da sociedade inteira\u00bb (L\u2019Osservatore Romano, 25 de abril de 2005, p. 4). A experi\u00eancia do passado nos ensina que o respeito mutuo e a compreens\u00e3o nem sempre caracterizaram as rela\u00e7\u00f5es entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. Quantas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria dedicadas \u00e0s batalhas e \u00e0s guerras empreendidas invocando, de uma parte e de outra, o nome de Deus, como se combater o inimigo e matar o advers\u00e1rio pudesse agrada-Lo. A lembran\u00e7a destes tristes acontecimentos deveria encher-nos de vergonha, sabendo bem quantas atrocidades se cometeram em nome da religi\u00e3o. A li\u00e7\u00e3o do passado h\u00e1 de nos servir para evitar cair nos mesmos erros. N\u00f3s queremos buscar as vias da reconcilia\u00e7\u00e3o e aprender a viver respeitando cada um a identidade do outro. A defesa da liberdade religiosa, neste sentido, \u00e9 um imperativo constante e o respeito das minorias um sinal indiscut\u00edvel de verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A este prop\u00f3sito, sempre \u00e9 oportuno recordar o que os Padres do Conc\u00edlio Vaticano II disseram sobre as rela\u00e7\u00f5es com os mu\u00e7ulmanos. \u00abA Igreja olha tamb\u00e9m com apre\u00e7o aos mu\u00e7ulmanos que adoram ao \u00fanico Deus, vivo e subsistente, misericordioso e onipotente, Criador do c\u00e9u e da terra, que falou aos homens, a cujos ocultos des\u00edgnios procuram submeter-se por inteiro, como se submeteu a Deus Abra\u00e3o, a quem a f\u00e9 isl\u00e2mica se refere de bom grado [&#8230;]. Ainda que no transcurso dos s\u00e9culos surgiram n\u00e3o poucas dissens\u00f5es e inimizades entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, o santo S\u00ednodo exorta a todos a que, esquecendo o passado, exer\u00e7am sinceramente a compreens\u00e3o m\u00fatua, defendam e promovam juntos a justi\u00e7a social, os bens morais, a paz e a liberdade para todos os homens\u00bb (Declara\u00e7\u00e3o Nostra Aetate, n. 3).<\/p>\n<p>V\u00f3s, estimados amigos, representais algumas Comunidades mu\u00e7ulmanas neste Pais no qual nasci, estudei e passei uma boa parte de minha vida. Precisamente por isso desejava encontrar-vos. Guiais aos fi\u00e9is do Isl\u00e3 e os educais na f\u00e9 mu\u00e7ulmana. O ensinamento \u00e9 o ve\u00edculo pelo qual se comunicam id\u00e9ias e convic\u00e7\u00f5es. A palavra \u00e9 a via mestra na educa\u00e7\u00e3o da mente. Tendes, portanto, uma grande responsabilidade na forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es. Juntos, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, temos de enfrentar os numerosos desafios que nosso tempo nos cria. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a apatia e o desinteresse, e menos ainda para a parcialidade e o sectarismo. N\u00e3o podemos ceder ao medo nem ao pessimismo. Devemos melhor fomentar o otimismo e a esperan\u00e7a. O di\u00e1logo inter-religioso e inter-cultural entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos n\u00e3o pode reduzir-se a uma op\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. Com efeito, \u00e9 uma necessidade vital, da qual depende em grande parte nosso futuro. Os jovens, procedentes de tantas partes do mundo est\u00e3o aqui, em Col\u00f4nia, como testemunhas vivas de solidariedade, de fraternidade e de amor. Eles s\u00e3o a prim\u00edcia de um alvorecer novo para a humanidade. Desejo-vos de todo o cora\u00e7\u00e3o, queridos amigos mu\u00e7ulmanos, que o Deus misericordioso e compassivo vos proteja, vos aben\u00e7oe e vos ilumine sempre. O Deus da paz conforte nossos cora\u00e7\u00f5es, alimente nossa esperan\u00e7a e guie nossos passos pelos caminhos do mundo.<\/p>\n<p><em>[Tradu\u00e7\u00e3o realizada por Zenit]<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>para representantes de algumas comunidades mu\u00e7ulmanas<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-299608","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299608\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}