{"id":299816,"date":"2006-07-31T22:00:00","date_gmt":"2006-07-31T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/agosto-2006\/"},"modified":"2024-05-13T21:08:59","modified_gmt":"2024-05-13T19:08:59","slug":"agosto-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/agosto-2006\/","title":{"rendered":"Agosto 2006"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 um programa de vida concreto e essencial. S\u00f3 ele j\u00e1 bastaria para criar uma sociedade diferente, mais fraterna, mais solid\u00e1ria. Ele faz parte de um amplo projeto que o Ap\u00f3stolo prop\u00f5e aos crist\u00e3os da \u00c1sia Menor. <br \/>Naquela comunidade foi alcan\u00e7ada a paz entre judeus e gentios, os dois povos at\u00e9 ent\u00e3o divididos que representavam a humanidade. <br \/>A unidade, doada por Cristo, deve ser sempre reavivada e traduzida em comportamentos sociais concretos, inteiramente inspirados pelo amor m\u00fatuo. Da\u00ed a raz\u00e3o por que Paulo d\u00e1 estas orienta\u00e7\u00f5es sobre como devemos nos relacionar: <\/p>\n<p class=\"RipPdv\">\u00abSede bondosos e compassivos, uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo\u00bb<\/p>\n<p><strong>\u201cSede bondosos\u2026\u201d:<\/strong> ser bom, querer o bem do outro. \u00c9 \u201cfazer-nos um\u201d com ele, aproximar-nos dele estando completamente vazios de n\u00f3s mesmos, dos nossos interesses, das nossas id\u00e9ias, dos muitos preconceitos que ofuscam o nosso olhar, para tomar sobre n\u00f3s os seus pesos, suas necessidades, seus sofrimentos, para compartilhar as suas alegrias.<br \/>\u00c9 entrar no cora\u00e7\u00e3o daqueles que encontramos para entender a sua mentalidade, sua cultura, suas tradi\u00e7\u00f5es e, de certo modo, faz\u00ea-las nossas; para entender realmente aquilo de que est\u00e3o precisando e saber colher os valores que Deus derramou no cora\u00e7\u00e3o de cada pessoa. Numa palavra: viver por quem est\u00e1 ao nosso lado. <\/p>\n<p><strong>\u201cSede compassivos\u2026\u201d: a compaix\u00e3o.<\/strong> Acolher o outro tal como ele \u00e9; n\u00e3o como gostar\u00edamos que fosse: com um car\u00e1ter diferente, com as mesmas id\u00e9ias pol\u00edticas nossas, com as nossas convic\u00e7\u00f5es religiosas e sem os tais defeitos ou modos de fazer que tanto nos incomodam. N\u00e3o. \u00c9 preciso dilatar o cora\u00e7\u00e3o e torn\u00e1-lo capaz de acolher a todos na sua diversidade, com os seus limites e mis\u00e9rias.<\/p>\n<p><strong>\u201c\u2026 perdoando-vos mutuamente&#8221;: o perd\u00e3o.<\/strong> Ver o outro sempre novo. Mesmo nas conviv\u00eancias mais agrad\u00e1veis e serenas, na fam\u00edlia, na escola, no trabalho, nunca faltam os momentos de atrito, as diverg\u00eancias, os desencontros. \u00c0s vezes se chega a n\u00e3o falar mais um com o outro, ou a evitar-se, isso quando n\u00e3o se estabelece no cora\u00e7\u00e3o um verdadeiro \u00f3dio contra os que t\u00eam um ponto de vista diferente. A conquista mais forte e exigente \u00e9 procurar ver cada dia o irm\u00e3o e a irm\u00e3 como se fossem novos, nov\u00edssimos, esquecendo-se completamente das ofensas recebidas e cobrindo tudo com o amor, com uma anistia total do nosso cora\u00e7\u00e3o, imitando desta forma Deus, que perdoa e esquece. <br \/>E enfim, alcan\u00e7amos a paz verdadeira e a unidade quando vivemos a bondade, a compaix\u00e3o e o perd\u00e3o n\u00e3o apenas como pessoas isoladamente, mas em conjunto, na reciprocidade.<br \/>E assim como acontece numa fogueira, onde as brasas s\u00e3o sufocadas pela cinza se n\u00e3o forem remexidas, da mesma forma as rela\u00e7\u00f5es com os outros podem ser sufocadas pela cinza da indiferen\u00e7a, da apatia, do ego\u00edsmo, se n\u00e3o reavivarmos de tempo em tempo os prop\u00f3sitos de amor m\u00fatuo, os relacionamentos com todos. <\/p>\n<p class=\"RipPdv\">\u00abSede bondosos e compassivos, uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo\u00bb<\/p>\n<p>Essas atitudes precisam ser traduzidas em fatos, em a\u00e7\u00f5es concretas.<br \/>O pr\u00f3prio Jesus demonstrou o que \u00e9 o amor quando curou os doentes, quando saciou a fome das multid\u00f5es, quando ressuscitou os mortos, quando lavou os p\u00e9s dos disc\u00edpulos. Fatos, fatos: isso \u00e9 amar.<br \/>Lembro de uma m\u00e3e de fam\u00edlia africana: viu a pr\u00f3pria filha Ros\u00e2ngela perder um dos olhos, v\u00edtima da agressividade de um garoto que a feriu com um peda\u00e7o de pau e ainda continuava ca\u00e7oando dela. Nem o pai nem a m\u00e3e do menino tinham pedido desculpas pelo acontecido. O sil\u00eancio, a falta de relacionamento com essa fam\u00edlia a deixavam angustiada. \u201cFique tranq\u00fcila \u2013 dizia Ros\u00e2ngela, que j\u00e1 tinha perdoado \u2013, ainda tive sorte: pelo menos posso ver com o outro olho!\u201d<\/p>\n<p>\u201cUm dia, de manh\u00e3 \u2013 conta a m\u00e3e de Ros\u00e2ngela \u2013, a m\u00e3e daquele garoto mandou me chamar porque estava passando mal. A minha primeira rea\u00e7\u00e3o foi: \u2018Essa n\u00e3o! Ela tem tantos outros vizinhos, e agora vem pedir ajuda logo a mim, depois de tudo o que seu filho fez conosco!\u2019<br \/>Mas na hora me lembrei de que o amor n\u00e3o tem barreiras. Corri at\u00e9 a sua casa. Ela abriu a porta e desmaiou nos meus bra\u00e7os. Levei-a para o hospital e l\u00e1 fiquei at\u00e9 que os m\u00e9dicos a atendessem. Depois de uma semana, quando ela teve alta, veio at\u00e9 em casa para me agradecer. Procurei acolh\u00ea-la de todo o cora\u00e7\u00e3o. Consegui perdo\u00e1-la. Agora o relacionamento se recomp\u00f4s. Ou melhor, come\u00e7ou totalmente novo\u201d. <br \/>Podemos preencher tamb\u00e9m o nosso dia com servi\u00e7os concretos, humildes e inteligentes, express\u00f5es do nosso amor. Veremos crescer ao nosso redor a fraternidade e a paz. <\/p>\n<p><em>Chiara Lubich<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abSede bondosos e compassivos, uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo\u00bb (Ef 4,32)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3160,129],"tags":[],"class_list":["post-299816","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-palavra-de-vida-pt-pt","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299816","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=299816"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/299816\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=299816"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=299816"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=299816"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}