{"id":299946,"date":"2007-03-16T23:00:00","date_gmt":"2007-03-16T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/esperar-contra-qualquer-esperanca\/"},"modified":"2024-05-13T21:09:37","modified_gmt":"2024-05-13T19:09:37","slug":"esperar-contra-qualquer-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/esperar-contra-qualquer-esperanca\/","title":{"rendered":"\u201cEsperar contra qualquer esperan\u00e7a\u201d"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0<strong>Chiara M. alguns anos atr\u00e1s anota em seu di\u00e1rio: \u201cTateio nesta dolorosa escurid\u00e3o<\/strong>, solit\u00e1ria e de l\u00e1grimas da alma, um grito silencioso que ultrapassa gal\u00e1xias sem confins, voltadas para o alto num eco sem fim. Mas onde est\u00e1 voc\u00ea? Por que n\u00e3o fala? O que faz enquanto grito a minha dor, a minha fraqueza, a minha solid\u00e3o? Cerre os dentes, dizia a mim mesma, e acredite, n\u00e3o obstante tudo. Acredite para al\u00e9m do inacredit\u00e1vel, do imposs\u00edvel, perder tudo. Nada, nada deve restar. Ouvia a minha alma chorar. Nada me restou, um nada repleto do tudo, Deus s\u00f3\u201d.  <strong>Conclu\u00eddos os estudos, iniciei a trabalhar no hospital da minha cidade, em Trento<\/strong>, no norte da It\u00e1lia, como enfermeira profissional. Apreciava tudo: viajar, tocar viol\u00e3o, fotografar, ler, estudar l\u00ednguas, conhecer povos e culturas diferentes, escalar montanhas ou contemplar o mar, cantar ao redor da fogueira do acampamento, ou mesmo extasiar-me diante dos jogos de luz ocasionados pelo sol nas folhas de um bosque. Al\u00e9m disso havia programado ir a Fontem, nos Camar\u00f5es, \u00e0 nossa Cidadela, para enriquecer-me, porque desejava desenvolver a minha bagagem cultural e humana.  <strong>S\u00f3 que n\u00e3o tinha feito as contas com o imprevisto<\/strong>. Tive uma rea\u00e7\u00e3o violenta a um f\u00e1rmaco, inexplic\u00e1vel; cheguei a ser internada com urg\u00eancia no setor do hospital em que eu trabalhava. A partir da\u00ed teve in\u00edcio um calv\u00e1rio feito de exames, internamentos, viagens a v\u00e1rias cidades, hospitais diferentes, tratamentos ou tentativas de tratamentos de todos os tipos, esperan\u00e7as, expectativas, desilus\u00f5es, fraqueza, mas sobretudo muita, muit\u00edssima dor, que nem mesmo a morfina fazia passar, jamais conseguiu eliminar. A minha demoli\u00e7\u00e3o f\u00edsica iniciou devagar e continua constantemente gota a gota no quotidiano. Lembro o momento em que, pela \u00faltima vez, coloquei o meu viol\u00e3o na capa. Chorava, porque intu\u00eda que era mesmo a \u00faltima vez. As minhas m\u00e3os do\u00edam demais e sabia que, cada piora era irrevers\u00edvel.  <strong>Noutra ocasi\u00e3o, por causa de um grav\u00edssimo erro m\u00e9dico, corri o risco de perder uma perna<\/strong>. Naquela circunst\u00e2ncia, com certeza, n\u00e3o teria mesmo ag\u00fcentado sozinha. A frase de uma amiga de Ideal me ajudou deveras a n\u00e3o me afogar num desespero total. \u00abVoc\u00ea sabe o que \u00e9 esta dor. Carreguemo-la juntas, mas se voc\u00ea n\u00e3o ag\u00fcentar, n\u00e3o se preocupe, n\u00f3s a carregaremos por voc\u00ea\u00bb. Naquele instante a situa\u00e7\u00e3o do meu corpo n\u00e3o mudou, por\u00e9m no \u00edntimo toquei a for\u00e7a da unidade.  <strong>Houve momentos em que foi tremendo dizer sim a Deus.<\/strong> Sim a perder o trabalho que muito amava, sim a ficar definitivamente nesta cadeira de rodas. Pensando bem, \u00e9 uma coisa de loucos Lhe dizer sim, constantemente, tenazmente, continuamente. E\u2019 de loucos atirar-se no vazio, confiando unicamente Nele, dando-Lhe carta branca, deixando-O agir. N\u00e3o obstante, paradoxalmente, cada queda aparente no vazio, na escurid\u00e3o, torna-se um mergulho na luz, e o meu s\u00f3cio nunca deixa de me surpreender. Sabe, no ano passado, deu-me at\u00e9 a possibilidade de escrever um livro com o t\u00edtulo \u201cCruel delicad\u00edssimo amor\u201d, onde narro esta experi\u00eancia. E todos os dias recebo e-mails, cartas de pessoas que se abrem, se confidenciam, que voltam a esperar, gra\u00e7as a este sim radical que eu digo a Ele, ao meu s\u00f3cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia dolorosa da doen\u00e7a, da \u201cdemoli\u00e7\u00e3o f\u00edsica\u201d tornou-se um estilic\u00eddio di\u00e1rio. 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