{"id":300058,"date":"2008-03-14T23:00:00","date_gmt":"2008-03-14T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/que-todos-sejam-um-o-testamento-de-jesus\/"},"modified":"2024-05-13T21:10:03","modified_gmt":"2024-05-13T19:10:03","slug":"que-todos-sejam-um-o-testamento-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/que-todos-sejam-um-o-testamento-de-jesus\/","title":{"rendered":"\u201cQue todos sejam um\u201d: o testamento de Jesus"},"content":{"rendered":"<p>Que todos sejam um Se tivermos a felicidade de visitar a Terra Santa, durante a primavera, entre as mil e uma coisas que Jerusal\u00e9m nos oferece para contemplar e meditar, uma delas \u00e9 muito marcante, pela lembran\u00e7a que evoca na sua extrema simplicidade. Uma longa escadaria de pedra, que resistiu ao tempo e foi lavada pelas intemp\u00e9ries de dois mil anos, ornamentada aqui e ali por papoulas, vermelhas como o sangue da Paix\u00e3o, se estende, quase como um tapete ondulado, numa descida l\u00edmpida e solene at\u00e9 o vale do C\u00e9dron. Essa escadaria permaneceu a c\u00e9u aberto, ladeada pelo gramado em forma de moldura, parecendo que nenhuma ab\u00f3bada de um templo poderia substituir o c\u00e9u que a coroa. A tradi\u00e7\u00e3o conta que Jesus desceu por ali na \u00faltima noite, depois do jantar, quando, \u201ctendo elevado os olhos para o c\u00e9u\u201d pontilhado de estrelas, rezou: <strong><em>\u00abPai, chegou a hora&#8230;\u00bb.  <\/em><\/strong>Impressiona colocar os pr\u00f3prios p\u00e9s no lugar em que pisaram os p\u00e9s de um Deus, e toda a alma se concentra nos olhos, fitando a ab\u00f3bada celeste para a qual os olhos de um Deus tamb\u00e9m, um dia, olharam. A impress\u00e3o pode ser t\u00e3o grande que a medita\u00e7\u00e3o nos imobiliza em adora\u00e7\u00e3o. A Sua ora\u00e7\u00e3o foi \u00fanica antes de morrer. E, quanto mais esse \u201cFilho do homem\u201d, que adoramos, resplandece como Deus, muito mais sentimos que Ele foi um homem e por Ele nos apaixonamos. S\u00f3 o Pai compreendeu plenamente o seu discurso, mesmo assim Ele o fez com voz clara, talvez para que chegasse tamb\u00e9m a n\u00f3s um eco de t\u00e3o maviosa melodia.  1943. N\u00e3o sabemos o motivo, mas foi mesmo assim: quase todas as noites as primeiras focolarinas, reunidas em busca do amor de Deus, utilizando luz de vela \u2013 porque muitas vezes faltava a luz \u2013 liam esse trecho. Era a magna carta do crist\u00e3o. Ali, palavras, que elas desconheciam, brilharam como o sol em meio \u00e0 noite: noite de um tempo de guerra. Jesus, por tr\u00eas anos, falou muitas vezes aos homens: pronunciou palavras celestes, semeou-as por entre pessoas de \u201cpouca intelig\u00eancia\u201d , anunciou um programa de paz, mas ofereceu o Seu patrim\u00f4nio divino, de certo modo adaptando-se \u00e0 mente de quem o ouvia, e as par\u00e1bolas d\u00e3o testemunho disso. Por\u00e9m, nesse momento em que n\u00e3o fala aos homens, e a Sua voz \u00e9 dirigida ao Pai, parece que nada det\u00e9m mais o seu \u00edmpeto. \u00c9 espl\u00eandido esse Homem, que \u00e9 Deus, e derrama \u2013 como fonte transbordante de Vida Eterna \u2013 a \u00c1gua que submerge a alma do crist\u00e3o, perdida nele, nos mares desmedidos da Trindade beata. Esse \u00faltimo discurso \u00e9 t\u00e3o belo quanto Ele:  <strong><em>\u00abPor eles \u00e9 que eu rogo. N\u00e3o rogo pelo mundo&#8230; Guarda-os em teu nome (&#8230;) a fim de que sejam um como n\u00f3s\u00bb. <\/em><\/strong>Ser um como Jesus \u00e9 um com o Pai: mas o que isso significava? N\u00e3o compreend\u00edamos muito bem, mas intu\u00edamos que devia ser algo grande. Foi por isso que, unidas um dia no Nome de Jesus, reunidas ao redor de um altar, pedimos que Ele nos ensinasse a viver essa verdade. Ele sabia o que significava e s\u00f3 Ele podia nos revelar o segredo para realiz\u00e1-la.  <strong><em>\u00abAgora eu vou para junto de ti&#8230; para que tenham em si a plenitude da minha alegria\u00bb. <\/em><\/strong>E n\u00e3o t\u00ednhamos experimentado uma \u201cnova\u201d alegria, devido a essa breve experi\u00eancia de unidade que fizemos? Era a essa alegria que Jesus se referia? Claro que a alegria \u00e9 a veste do crist\u00e3o e, dentro de n\u00f3s, Algu\u00e9m nos fazia entender que, para quem segue Cristo, a alegria \u00e9 um dever, porque Deus ama quem doa com alegria.  <strong><em>\u00abN\u00e3o pe\u00e7o que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal\u00bb. <\/em><\/strong>Fascinante e nova \u2013 pelo menos para n\u00f3s \u2013 era esta vida: viver no mundo (e todos sabem que est\u00e1 em ant\u00edtese com Deus) e viver nele por Deus, numa aventura celestial&#8230;  <em><strong>\u00abSantifica-os pela verdade. N\u00e3o rogo somente por eles, mas tamb\u00e9m por aqueles que por sua palavra h\u00e3o de crer em mim, para que todos sejam um\u00bb. <\/strong><\/em>No entanto, que tipo de cristianismo viv\u00edamos antes, se pass\u00e1vamos ao lado dos outros com indiferen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo com desprezo, julgando-os, uma vez que o nosso destino era fundir-nos na unidade invocada por Cristo? Com esse novo modo de ver, parecia que Jesus lan\u00e7asse um la\u00e7o ao C\u00e9u e ligasse os membros espalhados, que \u00e9ramos n\u00f3s, em unidade \u2013 por meio d\u2019Ele \u2013 com o Pai e em unidade entre n\u00f3s. E o Corpo m\u00edstico se abria para n\u00f3s em toda a sua realidade, verdade e beleza.  <strong><em>\u00abAssim como tu, Pai, est\u00e1s em mim e eu em ti, para que tamb\u00e9m eles estejam em n\u00f3s \u00bb. <\/em><\/strong>Jesus \u00e9 uma coisa s\u00f3 com o Pai, por isso cada um de n\u00f3s deve ser uma coisa s\u00f3 com Jesus e, por conseq\u00fc\u00eancia, com os outros: era um modo de viver em que pouco ou nada t\u00ednhamos pensado antes, um modo de viver \u201csegundo a Trindade\u201d&#8230;  <strong><em>\u00abA fim de que o mundo creia que tu me enviaste\u00bb . <\/em><\/strong>A convers\u00e3o do mundo, que nos circundava, seria a conseq\u00fc\u00eancia da nossa unidade. Provavelmente era por isso que, desde a aurora do Movimento, muitas almas voltavam para Deus, sem que n\u00f3s nos preocup\u00e1ssemos em convert\u00ea-las, mas unicamente mantendo a unidade entre n\u00f3s e amando-as em Cristo.  <strong><em>\u00ab&#8230;Dei-lhes a gl\u00f3ria que me deste, para que sejam perfeitos na unidade e o mundo reconhe\u00e7a que me enviaste&#8230;\u00bb. <\/em><\/strong>Os homens acreditariam em Cristo, se f\u00f4ssemos perfeitos na unidade. Portanto, era preciso aperfei\u00e7oar-se nessa vida. Dev\u00edamos pospor tudo \u00e0 unidade. 1943 foi o ano da Enc\u00edclica Mystici Corporis. Cristo, por meio do Papa Pio XII, fazia ecoar o seu Testamento. Ser\u00e1 que Jesus, que vive na Cabe\u00e7a e no seu Corpo, impelia-nos tamb\u00e9m a focalizar a exig\u00eancia da unidade e a fazer dela um dom para muitos? Unidade, unidade, todos um! Num tempo em que a id\u00e9ia fundamental de Cristo estava se transformando, tendo sido deformada e depauperada de divino, na id\u00e9ia-for\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o at\u00e9ia, Deus quis evidenci\u00e1-la para n\u00f3s no Evangelho. N\u00e3o sabemos. Sabemos unicamente que o Movimento dos Focolares teve esse timbre inconfund\u00edvel e que, para n\u00f3s, nada tem mais valor do que a unidade: porque foi o conte\u00fado do Testamento d\u2019Aquele que queremos amar acima de tudo; porque, pela experi\u00eancia que fizemos at\u00e9 aqui, ela \u00e9 riqu\u00edssima e fecund\u00edssima de frutos para o Reino de Deus, para a Sua Igreja.  <strong><em>\u00abEu lhes dei a conhecer o teu nome e lhes darei a conhec\u00ea-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles e eu neles\u00bb. <\/em><\/strong>Jesus depois de ter dito tudo isso, saiu com os seus disc\u00edpulos para al\u00e9m da torrente de C\u00e9dron&#8230;  <em>Extra\u00eddo de \u201cCitt\u00e0 Nuova\u201d, dezembro de 1959<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um escrito de Chiara de 1959<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-300058","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300058","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300058"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300058\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=300058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=300058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}