{"id":300854,"date":"2011-04-16T05:00:24","date_gmt":"2011-04-16T03:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/os-ramos\/"},"modified":"2024-05-13T21:13:24","modified_gmt":"2024-05-13T19:13:24","slug":"os-ramos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/os-ramos\/","title":{"rendered":"Os Ramos"},"content":{"rendered":"<p><p><strong><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-media_min wp-image-32373\" style=\"margin-right: 10px;border: 0pt none\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/20110415-01-120x80.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"80\" \/>O ingresso de Jesus em Jerusal\u00e9m, entre aplausos e ramos, tem um significado pol\u00edtico<\/strong>, n\u00e3o somente porque, por instinto, a multid\u00e3o reconhece nele o chefe do povo, mas tamb\u00e9m porque \u00e9 ele mesmo, chefe pac\u00edfico, que naquela ocasi\u00e3o afirma um valor pol\u00edtico da sua mensagem.<\/p>\n<p>Naquele dia, portanto, enquanto as multid\u00f5es (hoje dir\u00edamos as massas) <strong>o aclamavam Rei de Israel, Jesus Cristo<\/strong>, ao descer o Monte das Oliveiras, avistando Jerusal\u00e9m, com suas casinhas brancas ao redor do templo resplandecente, no meio da alegria de todos, <strong>explodiu em pranto e gemeu: <\/strong><em><strong>\u00abOh! Se conhecesses tu tamb\u00e9m, e justamente neste dia, o que serve \u00e0 tua paz!<\/strong> Mas agora tudo est\u00e1 escondido aos teus olhos. Porque vir\u00e3o para ti os dias nos quais teus inimigos construir\u00e3o trincheiras ao teu redor, te circundar\u00e3o e te tomar\u00e3o de ass\u00e9dio de todos os lados e destruir\u00e3o a ti e aos teus filhos, e n\u00e3o restar\u00e1 de ti pedra sobre pedra, porque n\u00e3o compreendeste o momento no qual foste visitada\u00bb.<\/em><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, justamente naquele dia os chefes da na\u00e7\u00e3o, contra o sentimento do povo, rejeitaram o seu programa de paz para confirmar o programa de guerra que possu\u00edam. Justamente naquele dia decidiram definitivamente desembara\u00e7ar-se do Messias pac\u00edfico, que chegava a Jerusal\u00e9m montado num jumentinho, porque opuseram a ele o her\u00f3i escarlate do seu messianismo b\u00e9lico.<\/p>\n<p>A entrada dos ramos foi, portanto, a celebra\u00e7\u00e3o do messianismo pac\u00edfico, isto \u00e9, de uma pol\u00edtica <em>sui generis<\/em>, que foi imediatamente truncada pela pol\u00edtica de tipo antigo: aquela que acreditava (e talvez continuar\u00e1 acreditando) em Deus e na sua lei, mas confiava (e confiar\u00e1) mais na espada dos pr\u00f3prios escudeiros, mais nos carros armados que nos an\u00fancios do Sinai: esta decr\u00e9pita multid\u00e3o pol\u00edtica que insufla a guerra at\u00e9 nos tratados de paz e transforma o povo em ex\u00e9rcito e a terra de plantio em campo para matar.<\/p>\n<p><strong>A pol\u00edtica messi\u00e2nica de Jesus entende-se sob o nome de reino de Deus<\/strong>: um regime cuja constitui\u00e7\u00e3o seja a lei de Deus, e cujo fim, como o princ\u00edpio, permane\u00e7a Deus. Nela ele organiza o povo como reino, um reino pr\u00f3prio, e o dirige nos caminhos da paz. Este reino de Deus traduz-se tamb\u00e9m numa constitui\u00e7\u00e3o social, a sua lei \u00e9 o Evangelho e comporta unidade, solidariedade, igualdade, paternidade, servi\u00e7o social, justi\u00e7a, racionalidade, verdade, com a luta contra a guerra, o esmagamento, as inimizades, o erro, a estupidez&#8230;<\/p>\n<p><strong>Buscar o reino de Deus \u00e9 buscar as condi\u00e7\u00f5es mais felizes para a express\u00e3o da vida individual e social<\/strong>. E entende-se: onde reina Deus o homem est\u00e1 como um filho de Deus, um ser de valor infinito, e trata os outros homens, e \u00e9 tratado por eles, como irm\u00e3o, e faz aos outros o que gostaria que os outros fizessem a si. E os bens da terra s\u00e3o fraternalmente colocados em comum, o amor circula com o perd\u00e3o, e n\u00e3o se erguem barreiras, que n\u00e3o tem sentido na universalidade do amor. Colocar como primeira finalidade o reino de Deus significa, portanto, elevar a meta da vida humana. Neste sentido, tamb\u00e9m para n\u00f3s, Cristo \u00abvenceu o mundo\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Fora deste significado Jesus n\u00e3o se ocupa de pol\u00edtica, e nem os ap\u00f3stolos<\/strong>. Mas no ensinamento deles est\u00e3o inclu\u00eddos princ\u00edpios, se n\u00e3o de pol\u00edtica concreta, imediata, partid\u00e1ria, certamente de alta sabedoria diretiva, que sustenta a grande e universal arte de governo, de todos os tempos.<strong> Jesus n\u00e3o toca nas institui\u00e7\u00f5es existentes, mas transforma o esp\u00edrito delas, mudando os sentimentos dos homens<\/strong>. N\u00e3o diz aos soldados para desertarem, nem aos publicanos para deixarem a coletoria, nem aos membros do sin\u00e9drio que deixem o Grande Conselho. Diz a eles que cumpram a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o com um esp\u00edrito novo. <strong>N\u00e3o faz agita\u00e7\u00e3o, faz revolu\u00e7\u00e3o. E a faz no esp\u00edrito, justamente onde precisa ser feita.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Em uma semana Jesus ser\u00e1 apresentado<\/strong> como anti-judeu, segundo a lei teocr\u00e1tica, ao <strong>tribunal de Israel<\/strong>; como anti-romano, segundo a lei imperial, ao tribunal do procurador. Muitas acusa\u00e7\u00f5es, muitas mentiras, e mesmo assim \u201csubversor do povo\u201d, como diz a acusa\u00e7\u00e3o, ele de fato \u00e9, num certo sentido. A pol\u00edtica de Jesus \u00e9 subordinar tudo ao fim \u00faltimo; n\u00e3o \u00e9 esfor\u00e7o para aglomerar pot\u00eancias nas m\u00e3os de homens, mas para consentir aos homens que governem a sua vida temporal, de modo a favorecer o desenvolvimento da pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o religiosa. N\u00e3o \u00e9 dom\u00ednio, mas servi\u00e7o; n\u00e3o mira a guerra, mas propugna\u00a0 a paz; n\u00e3o importa hegemonias ou exclusivismos, mas colabora\u00e7\u00e3o fraterna, na universalidade do amor, na igualdade dos irm\u00e3os, na dignidade de todos os componentes.<\/p>\n<p><strong>(Igino Giordani, As festas, SEI, Turim, 1954, PP 104-110)<\/strong><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No nosso caminho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 P\u00e1scoa, continuamos a nos deixar conduzir por Igino Giordani.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-300854","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300854","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=300854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/300854\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=300854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=300854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=300854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}