{"id":301096,"date":"2011-07-22T06:54:02","date_gmt":"2011-07-22T04:54:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/guine-bissau-e-possivel-perdoar-os-inimigos\/"},"modified":"2024-05-13T21:14:07","modified_gmt":"2024-05-13T19:14:07","slug":"guine-bissau-e-possivel-perdoar-os-inimigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/guine-bissau-e-possivel-perdoar-os-inimigos\/","title":{"rendered":"Guin\u00e9-Bissau: \u00e9 poss\u00edvel perdoar os inimigos?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Eu era p\u00e1roco da Miss\u00e3o de Farim, na Guin\u00e9-Bissau<\/strong>, uma pequena cidade ao norte da capital, na fronteira com o Senegal. Ia at\u00e9 uma aldeia para os encontros de catequese em prepara\u00e7\u00e3o para o batismo. O que se ensinava era importante, mas pessoalmente eu tinha a impress\u00e3o de que muitas vezes permanecia a teoria. Durante os anos vividos em <strong>Fonjumetaw, em Camar\u00f5es<\/strong>, eu experimentei o quanto a <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/spiritualita-dellunita\/la-parola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Palavra da Vida <\/strong><\/a>ajudou no trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o. E assim eu comecei a tomar a Palavra de Vida do m\u00eas, e depois de uma explica\u00e7\u00e3o simples, convidei a todos para coloc\u00e1-la em pr\u00e1tica, para depois partilharem os frutos, na semana seguinte.  Para facilitar as coisas, eu dava a todos <strong>um folheto no qual estava escrita a frase do Evangelho<\/strong> e dizia para coloc\u00e1-lo perto da cama e para dar uma lida pela manh\u00e3, quando eles se levantassem, e \u00e0 noite, quando fossem dormir. Se eles n\u00e3o soubessem ler, eu sugeri que pedissem ajuda a seus filhos. Nas semanas seguintes, aumentava sempre mais o n\u00famero daqueles que tinham \u201calgo a dizer\u201d.  Numa tarde, <strong>na aldeia de Sandjal<\/strong>, a cerca de 20 km de dist\u00e2ncia de Farim, no momento de partilhar as experi\u00eancias, um homem disse o que lhe tinha acontecido na semana anterior. A Palavra de Vida era \u201cAmai os vossos inimigos\u201d (Mt 5,44).  \u00abCerta noite as vacas do vizinho entraram na minha planta\u00e7\u00e3o de feij\u00e3o e destru\u00edram tudo. N\u00e3o era a primeira vez que isso acontecia. Por essa raz\u00e3o, fazia meses que n\u00f3s n\u00e3o nos fal\u00e1vamos. Mas dessa vez est\u00e1vamos determinados a fazer com que o vizinho pagasse o preju\u00edzo. Era o momento certo para que ele entendesse quanto mal estava nos causando. Eu, minha esposa e meus filhos, cada um tomou <strong>um bom peda\u00e7o de madeira<\/strong> e nos encaminhamos para a casa dele. Mas, tendo dado os primeiros passos, lembrei-me da Palavra e disse: \u201cParem! N\u00f3s n\u00e3o podemos ir l\u00e1 dessa forma\u201d. Na semana passada recebi um folheto que diz para perdoar os nossos inimigos, e, daqui a poucos dias, eu tenho que ir ao catecismo. <strong>O que vou contar se agora estamos indo para punir o nosso vizinho com as pr\u00f3prias m\u00e3os?<\/strong>\u201d. \u201cMas as vacas v\u00e3o continuar soltas\u201d. Voltemos para casa e sentemo-nos. N\u00e3o nos parecia certo deixar passar aquela situa\u00e7\u00e3o como se nada fosse. Ent\u00e3o, decidimos ir ter com ele, n\u00e3o com uma atitude amea\u00e7adora, mas para <strong>conversar<\/strong>. Explicamos ao nosso vizinho o que tinha acontecido e pedimos para que ele prestasse mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s suas vacas. <strong>O nosso vizinho ficou sem palavras<\/strong>. Ele se jogou aos meus p\u00e9s e pediu perd\u00e3o v\u00e1rias vezes. Desde ent\u00e3o, passamos a nos cumprimentar, e posso dizer que nos tornamos amigos. Fazia meses desde a \u00faltima vez que t\u00ednhamos nos falado! A minha casa foi preenchida com uma nova alegria\u00bb.  E em outra aldeia, Sarioba, a 5 km de Farim, a mesma cena, um aluno se levantou e disse:  <strong>\u00abToda segunda-feira vamos a p\u00e9 para a escola que fica em Farim<\/strong>. Existe um comerciante que vive em um vilarejo n\u00e3o muito longe, que tamb\u00e9m vai para Farim, com seu caminh\u00e3o. Geralmente n\u00e3o traz nada com ele. V\u00e1rias vezes pedimos-lhe <strong>uma carona, mas ele sempre recusou<\/strong>. Segunda-feira passada aconteceu a mesma coisa. S\u00f3 que dessa vez, depois de ter passado e chegado a uma dist\u00e2ncia de mais ou menos 1 km, ele parou. O caminh\u00e3o estava com problemas e n\u00e3o podia continuar. Quando chegamos l\u00e1, perguntou-nos se n\u00f3s pod\u00edamos dar <strong>um empurr\u00e3o<\/strong> <strong>para<\/strong> que ele pudesse <strong>dar partida no caminh\u00e3o<\/strong>. Meus amigos me disseram: \u201cDeixemos ele a\u00ed, que se arranje. <strong>Ele nunca nos ajudou\u201d<\/strong>. Eu tamb\u00e9m tinha a mesma id\u00e9ia, mas depois lembrei aos meus colegas a Palavra da Vida. Ent\u00e3o decidimos ajud\u00e1-lo empurrando o caminh\u00e3o. O motor funcionou e o senhor convidou-nos para subir, mas dissemos a ele que n\u00e3o havia necessidade, e continuamos a caminhar\u00bb.  <em>Padre Celso Corbioli, omi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Celso Corbioli, em uma miss\u00e3o em v\u00e1rios pa\u00edses africanos que dura a mais de 30 anos, conta-nos alguns epis\u00f3dios em que os protagonistas passam do desejo de vingan\u00e7a ao perd\u00e3o, at\u00e9 mesmo \u00e0 amizade. O truque? O compromisso de viver a \u201cPalavra de Vida\u201d, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[909],"tags":[],"class_list":["post-301096","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-focolare-worldwide-2-4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=301096"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/301096\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=301096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=301096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=301096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}