{"id":316186,"date":"2018-02-14T01:10:14","date_gmt":"2018-02-14T00:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/da-siria-a-siria\/"},"modified":"2024-05-15T21:06:15","modified_gmt":"2024-05-15T19:06:15","slug":"da-siria-a-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/da-siria-a-siria\/","title":{"rendered":"Da S\u00edria \u00e0 S\u00edria"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-161286 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/Focolare_Aleppo.jpg\" alt=\"Focolare_Aleppo\" width=\"384\" height=\"256\" \/>Robert Chelhod, classe 1963, nasceu na <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/focolare-worldwide\/asia\/siria\/\">S\u00edria<\/a>, em Aleppo.<\/strong> Encontra-se na It\u00e1lia, na sede da <a href=\"http:\/\/www.amu-it.eu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amu (A\u00e7\u00e3o Mundo Unido)<\/a>, nas proximidades de Roma, para fazer uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o dos projetos sociais e da organiza\u00e7\u00e3o das ajudas. Em 1990 voltou ao seu pa\u00eds de origem para abrir o primeiro centro dos Focolares, e permaneceu em Aleppo por 18 anos, antes de ir para o L\u00edbano, em 2008.  <strong>Qual \u00e9 a sua recorda\u00e7\u00e3o da S\u00edria?<\/strong> \u00abO regime n\u00e3o impediu o progresso. Assisti a um florescimento sob todos os n\u00edveis: a S\u00edria era cheia de turistas, a economia estava no m\u00e1ximo. Antes da guerra, o sal\u00e1rio m\u00ednimo era de 500 $, agora, para dar uma ideia \u00e9 de 50$. O \u00e1pice foi em 2010. Com a primavera \u00e1rabe em 2011 come\u00e7aram os problemas internos que depois deram origem \u00e0 guerra\u00bb.  <strong>Como voc\u00ea viveu os anos da guerra na S\u00edria, estando no L\u00edbano? <\/strong>\u00abEu gostaria de estar perto da minha gente, mas n\u00e3o era poss\u00edvel deixar o L\u00edbano naquele momento. A dor maior era ver os refugiados s\u00edrios chegarem no L\u00edbano. Aquelas pessoas, eu as conhecia! Gente honesta, que trabalhava bem, que seria um recurso para o pa\u00eds\u00bb.  <strong>Em janeiro de 2017, voc\u00ea voltou \u00e0 S\u00edria, um m\u00eas depois da liberta\u00e7\u00e3o de Aleppo. <\/strong>\u00abFiquei tr\u00eas meses \u201cem casa\u201d, num c\u00edrculo restrito. S\u00f3 ap\u00f3s tr\u00eas meses encontrei a coragem para sair e ver a parte mais bonita da cidade totalmente destru\u00edda. Rever os lugares dos quais sempre me \u201corgulhei\u201d, ou melhor, ver que n\u00e3o existem mais, foi um choque. Quando fui pela primeira vez ao velho Suk, onde voc\u00ea s\u00f3 encontra escombros, algu\u00e9m me explicou: \u201caqui entraram os rebeldes, aqui veio o ex\u00e9rcito\u2026\u201d. Eu pensei em quantas pessoas tinham morrido naquele lugar. E senti que n\u00e3o devia julgar nem mesmo aquelas que destru\u00edram a minha cidade\u00bb.  <strong>Como voc\u00ea encontrou as pessoas no seu retorno?<\/strong> \u00abDesencorajadas e desiludidas. Mas tamb\u00e9m desejosas de ir em frente. H\u00e1 um cansa\u00e7o pelos anos passados, pelas condi\u00e7\u00f5es de vida, mas ao mesmo tempo, a vontade de come\u00e7ar de novo\u00bb.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-161284 alignright\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180214-03.jpg\" alt=\"20180214-03\" width=\"368\" height=\"254\" \/>O que se pode fazer pela S\u00edria hoje? <\/strong>\u00abPara quem tem uma f\u00e9, continuar a rezar. E, depois, apostar junto com os s\u00edrios que o pa\u00eds est\u00e1 vivo. Na S\u00edria, precisamos de apoio. N\u00e3o s\u00f3 do ponto de vista econ\u00f4mico, certamente importante, mas de acreditar conosco que este pa\u00eds, ber\u00e7o de civiliza\u00e7\u00f5es, pode renascer. Que a paz ainda \u00e9 poss\u00edvel. Precisamos sentir que o mundo sente o nosso sofrimento, o de um pa\u00eds que est\u00e1 desaparecendo\u00bb.  <strong>Voc\u00ea coordena localmente os projetos sociais apoiados atrav\u00e9s da <\/strong><strong>Amu<\/strong><strong>. Como voc\u00eas se movem? <\/strong>\u00abOs projetos v\u00e3o da ajuda para a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e0 ajuda para a escolariza\u00e7\u00e3o. Depois existem as ajudas para sa\u00fade, porque a sa\u00fade p\u00fablica, por falta de m\u00e9dicos, medicamentos e instrumentos, n\u00e3o consegue responder a padr\u00f5es m\u00ednimos de acessibilidade. Al\u00e9m das ajudas \u00e0s fam\u00edlias, se estruturaram alguns projetos mais est\u00e1veis: dois refor\u00e7os escolares, em Damasco e Homs, com 100 crian\u00e7as cada um, crist\u00e3s e mu\u00e7ulmanas; dois projetos de sa\u00fade espec\u00edficos, para tratamentos contra o c\u00e2ncer e para a di\u00e1lise; e uma escola para crian\u00e7as surdas-mudas, em atividade j\u00e1 desde antes da guerra. Estes projetos oferecem uma possibilidade de trabalho a muitos jovens do lugar. A quest\u00e3o trabalho \u00e9 fundamental. Estamos sonhando, no futuro pr\u00f3ximo, com a possibilidade de trabalhar sobre o microcr\u00e9dito para fazer com que as atividades se reativem. Aleppo era uma cidade cheia de comerciantes, que hoje voltariam \u00e0 atividade, mas falta o capital inicial\u00bb.  <strong>Muitos, ao inv\u00e9s, continuam a ir embora\u2026<\/strong> \u00abO \u00eaxodo, sobretudo dos crist\u00e3os, \u00e9 irrefre\u00e1vel. O motivo \u00e9 a inseguran\u00e7a, a falta de trabalho. A Igreja sofre, esta \u00e9 historicamente terra dos crist\u00e3os, antes da chegada do isl\u00e3. E procura fazer o poss\u00edvel para ajudar e apoiar. Mas os recursos s\u00e3o muito poucos. A maioria dos jovens est\u00e1 no ex\u00e9rcito. Voc\u00ea encontra alguns universit\u00e1rios, ou adolescentes. Mas a faixa 25-40 n\u00e3o existe. Na cidade de Aleppo se calcula uma diminui\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os de 130 mil para 40 mil, enquanto que chegaram muitos mu\u00e7ulmanos evacuados das suas cidades destru\u00eddas\u00bb.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-161289 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180214-02.jpg\" alt=\"20180214-02\" width=\"372\" height=\"248\" \/>Que reflexo isto tem sobre o di\u00e1logo inter-religioso?<\/strong> \u00abEm Aleppo os crist\u00e3os se consideravam um pouco a elite do pa\u00eds. Com a guerra, visto que as zonas mu\u00e7ulmanas foram atingidas, muitos se refugiaram nas zonas crist\u00e3s. Portanto os crist\u00e3os se abriram aos mu\u00e7ulmanos, tiveram que acolh\u00ea-los. O bispo em\u00e9rito latino de Aleppo, d. Armando Bortolaso, durante a guerra me disse: \u201cAgora \u00e9 o momento de sermos verdadeiros crist\u00e3os\u201d. Ao mesmo tempo, os mu\u00e7ulmanos conheceram mais de perto os crist\u00e3os. Ficaram tocados pela ajuda concreta. Existe o positivo, existe o negativo. O positivo \u00e9 que esta guerra nos uniu mais entre s\u00edrios\u00bb.  Fonte: <a href=\"https:\/\/www.cittanuova.it\/fonte\/citta-nuova\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Citt\u00e0 Nuova<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-160491 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Anniversary_logo.jpg\" alt=\"Anniversary_logo\" width=\"50\" height=\"50\" \/>Publicamos uma s\u00edntese da entrevista feita pela revista Cidade Nova italiana com Robert Chelhod, origin\u00e1rio de Aleppo, na S\u00edria, coordenador local dos projetos AMU. A sua esperan\u00e7a num renascimento do pa\u00eds.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[909],"tags":[],"class_list":["post-316186","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-focolare-worldwide-2-4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316186\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}