{"id":316312,"date":"2018-03-28T01:10:56","date_gmt":"2018-03-27T23:10:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/as-minhas-ferias-em-aleppo\/"},"modified":"2024-05-15T21:06:39","modified_gmt":"2024-05-15T19:06:39","slug":"as-minhas-ferias-em-aleppo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/as-minhas-ferias-em-aleppo\/","title":{"rendered":"As minhas f\u00e9rias em Aleppo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-162802\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/18-1.jpg\" alt=\"18-1\" width=\"368\" height=\"167\" \/><strong>\u00abSetembro voou. Pego o t\u00e1xi, junto com outras duas pessoas, que moram aqui. Deixamos a cidade que me acolheu: Aleppo.<\/strong> Sou um dos poucos estrangeiros (talvez o \u00fanico?) que escolheu esta cidade para um per\u00edodo de f\u00e9rias. O taxista atravessa a cidade, uma extens\u00e3o de bairros completamente destru\u00eddos. Quantos mortos haver\u00e1 ainda debaixo daqueles escombros? Ele parece n\u00e3o se importar com isso, dirige a uma velocidade incr\u00edvel percorrendo ruas que levam para o sul, na dire\u00e7\u00e3o de Homs. De l\u00e1, continuarei at\u00e9 Beirute. Ap\u00f3s duas horas e meia, entrevemos, entre os escombros, a primeira casa que ainda ficou em p\u00e9! Dif\u00edcil de acreditar.  <strong>Fui acolhido durante um m\u00eas no focolare desta comunidade<\/strong>. Na minha chegada, algu\u00e9m \u00e0s portas de uma igreja me disse: \u201c<strong>Aqui voc\u00ea encontrar\u00e1 verdadeiros crist\u00e3os\u201d<\/strong>. Uma afirma\u00e7\u00e3o que nunca havia ouvido. Mas agora a entendo. Fui testemunha de como o focolare seja aquele lugar em que se compartilha tudo: a \u201cprovid\u00eancia\u201d que chega do mundo inteiro, com mesas cheias de roupas, etc., mas sobretudo as dores e as alegrias, a vida de cada dia. Aqui, durante anos, o \u00fanico apoio foi a Palavra do Evangelho, Deus. Como ressoava para mim o in\u00edcio, ouvido muitas vezes, da hist\u00f3ria do Movimento dos Focolares, quando Chiara Lubich contava: \u201cEram tempos de guerra e tudo desmoronava\u201d!  <div id=\"attachment_162801\" style=\"width: 311px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-162801\" class=\"wp-image-162801\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG-20170824-WA0010-768x576.jpg\" alt=\"Bernard (centro), con due popi del focolare di Aleppo: Fredy (sinistra) e Murad (destra)\" width=\"301\" height=\"225\" \/><p id=\"caption-attachment-162801\" class=\"wp-caption-text\">Bernard (ao centro), com Fredy (\u00e0 esquerda) e Murad (\u00e0 direita) no focolare de Aleppo.<\/p><\/div>  <strong>Aqui em Aleppo, enquanto ainda se enfurecia a guerra, com as bombas que explodiam ao redor, os focolarinos iam visitar cada dia duas fam\u00edlias<\/strong>. Por tr\u00eas vezes, por causa das bombas que ca\u00edram sobre os pr\u00e9dios ao lado, os vidros do focolare acabaram em frangalhos. Conheci muitas pessoas da comunidade do Movimento, uma comunidade viva, uma verdadeira fam\u00edlia, que passou por prova\u00e7\u00f5es terr\u00edveis. Perderam tudo, a atividade profissional, os parentes, as casas, os amigos. Mas encontraram na f\u00e9 e na unidade a for\u00e7a para se reerguer e come\u00e7ar a buscar novas oportunidades.  <strong>Uma noite, mesmo se \u00e0 dist\u00e2ncia ainda se ouviam as bombas, voltou a eletricidade na cidade<\/strong>. N\u00e3o acontecia h\u00e1 cinco anos. Samir tinha l\u00e1grimas nos olhos: \u00ab\u00c9 a primeira vez que vejo a minha loja iluminada!\u00bb. Georges, ao inv\u00e9s, ainda tem que levar os botij\u00f5es de g\u00e1s at\u00e9 o terceiro andar, porque o elevador naquele edif\u00edcio n\u00e3o funciona. Quando deve entrar no condom\u00ednio, vindo da rua, se anuncia, gritando, e do alto jogam as chaves para ele. Com Maher fiz regularmente jogging. Muitas outras pessoas, como n\u00f3s, lotam o bel\u00edssimo parque central da cidade. Havia clima de esperan\u00e7a. Nabla me dizia que dentro de alguns meses as coisas poderiam melhorar neste pa\u00eds, de passado grandioso. Na antiga cidadela fortificada, emblema da cidade de Aleppo, sobre a colina, um dia se realizou, depois de muitos anos, um concerto de m\u00fasica, com dan\u00e7as e poesias da tradi\u00e7\u00e3o. 4000 mil pessoas cantaram juntas num ar de festa.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-162803 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_7442-768x512.jpg\" alt=\"IMG_7442-768x512\" width=\"317\" height=\"211\" \/>Durante a guerra, o pre\u00e7o pago pela popula\u00e7\u00e3o foi muito,<\/strong> demasiado alto: muit\u00edssimos mortos e, depois, doen\u00e7as, depress\u00e3o, traumas, isolamento, falta de instru\u00e7\u00e3o, de forma\u00e7\u00e3o para o trabalho e, ainda, muitas crian\u00e7as abandonadas \u2026 a lista \u00e9 longu\u00edssima.<strong> Frequentemente dirigi uma pergunta \u00e0s pessoas do lugar: \u201cO que voc\u00ea considera importante para enfrentar o futuro?\u201d<\/strong>, pensando que a resposta seria \u201ca reconstru\u00e7\u00e3o das casas, a retomada das atividades produtivas\u201d. Ao inv\u00e9s, para a minha surpresa, a resposta que ouvi com mais frequ\u00eancia foi <strong>\u201cuma grande for\u00e7a espiritual, capaz de fazer com que renas\u00e7a tamb\u00e9m aqui uma nova vida\u201d.<\/strong> Obrigado Robert, Pascal, Fredy, Murad. Obrigado Ghada, Lina, Chris, Maria Grazia, Maria, Zeina, pela vida e pelo testemunho de voc\u00eas. Agora voc\u00eas t\u00eam um lugar especial no meu cora\u00e7\u00e3o\u00bb.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na cidade da S\u00edria, martirizada pela guerra e agora \u00e0s voltas com uma dif\u00edcil retomada, Bernard passou um m\u00eas com a comunidade dos Focolares. Enquanto publicamos a forte impress\u00e3o daquele per\u00edodo, Bernard voltou a Aleppo para compor, junto com Robert, Fredy, Murad e Tareb, o focolare da cidade.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-316312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}