{"id":316492,"date":"2018-05-30T23:10:01","date_gmt":"2018-05-30T21:10:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/acolhimento-na-fronteira\/"},"modified":"2024-05-15T21:07:16","modified_gmt":"2024-05-15T19:07:16","slug":"acolhimento-na-fronteira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/acolhimento-na-fronteira\/","title":{"rendered":"Acolhimento na fronteira"},"content":{"rendered":"<p><strong><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-166623\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/20180531-03.jpeg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"373\" \/>\u201cPorta\u201d, n\u00e3o \u201cfronteira\u201d<\/strong>, pelo menos enquanto a Fran\u00e7a n\u00e3o suspender os tratados de livre circula\u00e7\u00e3o.<strong> Assim Ventimiglia transformou-se num funil, onde s\u00e3o acolhidos os migrantes que consideram o nosso pa\u00eds apenas uma etapa<\/strong>, antes de atingirem outras metas al\u00e9m fronteiras. \u00abPor Ventimiglia passaram mais de vinte mil pessoas, s\u00f3 no ano passado\u00bb. \u00c9 o que nos diz Paula, da comunidade local dos Focolares. \u00abPraticamente \u00e9 uma outra Ventimiglia, pois a nossa popula\u00e7\u00e3o anda \u00e0 volta de vinte e quatro mil habitantes\u00bb.  <strong>Paula que \u00e9 professora no Semin\u00e1rio diocesano recorda:<\/strong> \u00abEntre fevereiro e mar\u00e7o de 2015, os seminaristas iniciaram um servi\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos aos sem-abrigo na esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. Com o passar dos dias por\u00e9m, estes sem-abrigo multiplicavam-se\u00bb. De facto, a estes juntavam-se os migrantes que, desenbarcados nas costas italianas, queriam atraversar a fronteira francesa, para chegar a outros pa\u00edses europeus. \u00abDesde ent\u00e3o come\u00e7ou uma \u201cemerg\u00eancia\u201d que nunca mais acabou. De in\u00edcio, juntamenmte com outras entidades locais, empenh\u00e1mo-nos na distribui\u00e7\u00e3o, em regime de voluntariado, de sanduiches pelas ruas\u00bb. Um voluntariado realizado em colabora\u00e7\u00e3o com a C\u00e1ritas diocesana. \u00abPusemo-nos em contacto com a comunidade dos Focolares do outro lado da fronteira, a qual partilhou connosco os turnos, e apoiou-nos com fundos recolhidos numa venda de coisas oferecidas, realizada durante o Grande Pr\u00e9mio de M\u00f3naco\u00bb.  <strong>\u00abEm junho de 2015 \u2013 continua \u2013 a Cruz Vermelha abriu um \u2018campo\u2019 junto da esta\u00e7\u00e3o<\/strong>. O acesso era limitado, mas todos os do nosso grupo que tinham o HACCP puderem entrar para colaborar das mais variadas maneiras\u00bb. Perto deste campo \u201coficial\u201d, surgiu um outro campo \u201cinformal\u201d, precisamente na fronteira com a Fran\u00e7a. \u00abMuitos migrantes chegam sem documentos, e como no campo da Cruz Vermelha era obrigat\u00f3ria a identifica\u00e7\u00e3o, muitos preferiam acampar naquele outro campo, para tentar passar imediatamente a fronteira\u00bb. Depois, nos in\u00edcios de outubro, este campo foi desmantelado e limpo, \u201ccom bastante brutalidade\u201d  <strong><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-166620\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/20180531-01.jpg\" alt=\"\" width=\"312\" height=\"400\" \/><\/strong><strong>\u00abQuando em maio de 2016 foi fechado o Campo da Cruz Vermelha, de repente encontr\u00e1mo-nos com mais de um milhar de pessoas na cidade<\/strong>. Uma situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel, agravada pela diretiva camar\u00e1ria que proibia a distribui\u00e7\u00e3o de alimentos e bens de primeira necessidade aos migantes, sob pena de san\u00e7\u00f5es e multas. Finalmente a Caritas interevio como mediadora. Assim nasceu uma iniciativa de acolhimento junto da igreja de Santo Ant\u00f3nio: igreja de dia, dormit\u00f3rio de noite. As fam\u00edlias com crian\u00e7as e as pessoas mais fr\u00e1geis eram acolhidas na igreja: retiravam-se os bancos, traziam-se cobertores, e de manh\u00e3 limpava-se tudo\u00bb.  <strong>Em meados de julho de 2016, a Cruz Vermelha abriu um novo campo, fora da cidade, reservado aos homens:<\/strong> as mulheres e os de menoridade continuavam a ser acolhidos na igreja. \u00abEm 2017 come\u00e7ou o afluxo de uma s\u00e9rie imensa de menores que, na sua grande maioria, permaneciam nas margens do rio Roya. Por isso, o Presidente da C\u00e2mara solicitou \u00e0 Cruz Vermelha que abrisse uma sec\u00e7\u00e3o dedicada a eles. Entretanto, havia rusgas cont\u00ednuas, cujo resultado era centenas de milhares de migrantes serem obrigados a entrar em autocarros e levados para Taranto. Mas alguns dias depois, estavam aqui de novo\u00bb. O facto \u00e9 que \u2013 explica Paula \u2013 estas pessoas querem ir ter com familiares que j\u00e1 est\u00e3o noutros pa\u00edses, e para isso est\u00e3o prontos a tudo: \u00ab\u00c9 a partir daqui que podem tentar atravessar a fronteira. H\u00e1 pessoas que tentaram dez vezes at\u00e9 conseguirem\u00bb. A fronteira \u00e9 controlada noite e dia.  <strong>\u00abInfelizmente o que estamos a fazer \u00e9 mero assitencialismo<\/strong>. <strong>Mas eles n\u00e3o precisam de roupa, nem de sapatos. Precisam, isso sim, de viver aquela liberdade de autodetermina\u00e7\u00e3o a que todos os seres humanos t\u00eam direito<\/strong>\u00bb. Eventualmente, a solu\u00e7\u00e3o poderia passar pela cria\u00e7\u00e3o de um campo de passagem \u2013 sugere Paula \u2013 \u00abum lugar onde o migrante, durante a viagem, pudesse parar, alimentar-se, lavar-se e trocar de roupa; onde recebesse cuidados m\u00e9dicos e a assist\u00eancia legal necess\u00e1ria\u00bb.  Paula diz que estas coisas s\u00e3o \u201crien du tout\u201d, coisas de nada, pormenores que fazem com que estes viajantes se sintam de novo pessoas: \u00abCozinhamos receitas africanas ou \u00e1rabes, \u00e0 base de cous-cous e arroz, aprendemos a misturar as especiarias e a apresentar os pratos como nas suas tradi\u00e7\u00f5es. Um dia, not\u00e1mos que uma mulher s\u00edria se lavava sempre que vinha \u00e0 Caritas, e trazia sempre a mesma roupa: uma t\u00fanica por cima das cal\u00e7as. Continuava a procurar na rima de roupa, mas ia embora de m\u00e3os vazias. At\u00e9 que percebemos e ent\u00e3o pergunt\u00e1mos a amigas marroquinas se podiam arranjar uma veste daquele estilo. Finalmente, ela p\u00f4de trocar de roupa e foi-se embora contente\u00bb.  <em><strong>Fonte:<\/strong><a href=\"http:\/\/www.unitedworldproject.org\/en\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">United World Project<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPorta Ocidental da It\u00e1lia\u201d: \u00e9 assim que tamb\u00e9m \u00e9 conhecida a cidade de Ventimiglia, na fronteira entre a It\u00e1lia e a Fran\u00e7a, onde passam dezenas de milhar de migrantes provenientes do Mediterr\u00e2nio, em demanda da Europa. \u00c9 sobre isto que nos conta Paula, dos Focolares.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[909],"tags":[],"class_list":["post-316492","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-focolare-worldwide-2-4"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316492","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316492"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316492\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316492"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316492"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316492"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}