{"id":316814,"date":"2018-10-02T23:10:39","date_gmt":"2018-10-02T21:10:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-arte-da-gratuidade-se-aprende-na-familia\/"},"modified":"2024-05-15T21:08:18","modified_gmt":"2024-05-15T19:08:18","slug":"a-arte-da-gratuidade-se-aprende-na-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-arte-da-gratuidade-se-aprende-na-familia\/","title":{"rendered":"A arte da gratuidade se aprende na fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-171659\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/Luigino-Bruni.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/><strong>Economia \u00e9 uma palavra grega que reporta diretamente \u00e0 casa (oikos nomos, regras para administrar a casa), portanto \u00e0 fam\u00edlia<\/strong>. E, no entanto, a economia moderna, e ainda mais a contempor\u00e2nea, se imaginou como um \u00e2mbito regido por princ\u00edpios diferentes, distintos e, em muitos aspectos, opostos aos princ\u00edpios e valores que sempre regeram e continuam a reger a fam\u00edlia. Um princ\u00edpio que fundamenta a fam\u00edlia, talvez o primeiro e o que est\u00e1 por baixo dos outros, \u00e9 o de gratuidade, que \u00e9 o que de mais distante est\u00e1 da economia capitalista, que conhece suced\u00e2neos da gratuidade (descontos, filantropia, saldos) que desempenham a fun\u00e7\u00e3o de imunizar os mercados da gratuidade verdadeira.  A fam\u00edlia, de fato, \u00e9 o principal lugar onde aprendemos, para a vida inteira e de um modo todo especial ainda crian\u00e7as, <strong>aquela que Pavel Florensky chamava \u201ca arte da gratuidade\u201d<\/strong>. \u00c9 l\u00e1 que sobretudo ainda crian\u00e7as aprendemos tamb\u00e9m a trabalhar, porque n\u00e3o existe trabalho bem feito sem gratuidade. A nossa cultura, por\u00e9m, associa a gratuidade ao gr\u00e1tis, ao brinde, ao desconto, \u00e0 meia hora a mais n\u00e3o remunerada no trabalho, ao pre\u00e7o zero (S\u00e3o Francisco, no entanto, nos disse que a gratuidade \u00e9 um pre\u00e7o infinito: n\u00e3o se pode nem comprar nem vender porque \u00e9 impag\u00e1vel).  [\u2026] <strong>A gratuidade \u00e9 um modo de agir e um estilo de vida que consiste em se aproximar dos outros, de si mesmo, da natureza, de Deus, das coisas<\/strong> n\u00e3o para us\u00e1-los de modo utilitarista em vantagem pr\u00f3pria, mas para reconhec\u00ea-los na sua alteridade e no seu mist\u00e9rio, respeit\u00e1-los e servi-los. Dizer gratuidade significa, portanto, reconhecer que um comportamento deve ser feito porque \u00e9 bom, e n\u00e3o pela sua recompensa ou aprova\u00e7\u00e3o. [\u2026] Se a fam\u00edlia quer, e deve, cultivar a arte da gratuidade, deve ficar muito atenta a n\u00e3o importar para dentro de casa a l\u00f3gica do incentivo que hoje vige por toda a parte. [\u2026] Uma das fun\u00e7\u00f5es t\u00edpicas da fam\u00edlia \u00e9 justamente formar nas pessoas a \u00e9tica do trabalho bem feito, uma \u00e9tica que nasce precisamente do princ\u00edpio de gratuidade. Se, ao inv\u00e9s, se inicia a praticar tamb\u00e9m na fam\u00edlia a l\u00f3gica e a cultura do incentivo e, portanto, o dinheiro se torna o \u2018porqu\u00ea\u2019 se fazem e n\u00e3o se fazem tarefas e pequenos trabalhos de casa, aquelas crian\u00e7as, quando adultos, dificilmente ser\u00e3o bons trabalhadores, porque o trabalho bem feito de amanh\u00e3 se apoia sempre nesta gratuidade que se aprende sobretudo nos primeiros anos de vida, e sobretudo em casa.  <strong>A aus\u00eancia do princ\u00edpio de gratuidade na economia depende tamb\u00e9m, e muito, da aus\u00eancia do olhar feminino.<\/strong> [\u2026] As mulheres olham para a casa e para a economia vendo antes de tudo o nexo de rela\u00e7\u00f5es humanas que acontece nelas. Os primeiros bens que veem s\u00e3o aqueles relacionais e os bens comuns, e dentro destes veem tamb\u00e9m os bens econ\u00f4micos.<strong> N\u00e3o \u00e9 certamente por um acaso que a <a href=\"http:\/\/www.edc-online.org\/br\/\">Economia de Comunh\u00e3o<\/a> tenha nascido de um olhar de uma mulher (<a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/chi-e-chiara\/\">Chiara Lubich<\/a>)<\/strong>, nem que a primeira te\u00f3rica dos bens comuns tenha sido <strong>Katherine Coman<\/strong> (em 1911), e que <strong>Elinor Ostrom<\/strong> tenha sido agraciada (\u00fanica mulher at\u00e9 agora) com o pr\u00eamio Nobel em economia justamente pelo seu trabalho sobre os bens comuns. E existem duas mulheres (<strong>Martha Nussbaum e Carol Uhlaner<\/strong>) na origem da teoria dos bens relacionais. Quando falta o olhar feminino sobre a economia, as \u00fanicas rela\u00e7\u00f5es vistas s\u00e3o as instrumentais, onde n\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o a ser o bem, mas onde as rela\u00e7\u00f5es humanas e com a natureza s\u00e3o meios usados para se conseguir os bens.  <strong>Se o olhar e o g\u00eanio feminino da oikos, casa, tivessem estado presentes na funda\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da economia moderna<\/strong>, ter\u00edamos tido uma economia mais atenta \u00e0s rela\u00e7\u00f5es, \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o da renda, ao meio ambiente e talvez \u00e0 comunh\u00e3o. Com efeito, \u00e9 a comunh\u00e3o uma grande palavra que da fam\u00edlia pode passar \u00e0 economia de hoje. [\u2026] A profecia da fam\u00edlia hoje, para ser cred\u00edvel, deve tomar a forma dos filhos e a forma da economia e, portanto, do compartilhamento, da acolhida e da comunh\u00e3o. Porque seja os filhos seja a economia n\u00e3o s\u00e3o outra coisa sen\u00e3o a vida ordin\u00e1ria de todos e de cada um, que \u00e9 o \u00fanico lugar onde a profecia se nutre e cresce.  Fonte: <a href=\"http:\/\/www.avvenire.it\">www.avvenire.it<\/a>, \u201cCos\u00ec lo sguardo femminile pu\u00f2 cambiare l\u2019economia\u201d, 23 de agosto de 2018.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num artigo que apareceu no jornal cat\u00f3lico italiano \u201cAvvenire\u201d, o economista Luigino Bruni explica o nexo imprescind\u00edvel entre economia e \u201crela\u00e7\u00e3o\u201d, o mesmo sobre o qual se fundamenta a Economia de comunh\u00e3o, nascida do carisma de Chiara Lubich.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-316814","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316814","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=316814"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/316814\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=316814"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=316814"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=316814"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}