{"id":317132,"date":"2019-03-31T20:01:20","date_gmt":"2019-03-31T18:01:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/papa-francisco-em-marrocos\/"},"modified":"2024-05-15T21:09:17","modified_gmt":"2024-05-15T19:09:17","slug":"papa-francisco-em-marrocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/papa-francisco-em-marrocos\/","title":{"rendered":"Papa Francisco em Marrocos"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cO que importa para Deus \u00e9 que sejamos homens e vivamos o amor rec\u00edproco.\u201d Entrevista com Claude Gamble, pioneiro do Movimento dos Focolares em Marrocos.<\/em>  Depois da viagem apost\u00f3lica aos Emirados \u00c1rabes, a viagem do papa a Marrocos foi mais uma ocasi\u00e3o importante, como ele mesmo afirmou, \u201cpara desenvolver posteriormente o di\u00e1logo inter-religioso e o conhecimento rec\u00edproco entre os fi\u00e9is de ambas as religi\u00f5es\u201d. <strong>Claude Gamble<\/strong>, que acompanhou o nascimento das primeiras comunidades do Movimento dos Focolares no pa\u00eds, nos oferece breves trechos da sua experi\u00eancia:  <strong>Quais s\u00e3o os desafios atuais para os crist\u00e3os em Marrocos?<\/strong> O desafio \u00e9 aquele de construir pontes. Hoje vivemos em uma fase de extremismos que envolve todos, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos. H\u00e1 muito perigo nos bairros pobres porque as pessoas s\u00e3o tomadas por idealismos que as levam ao radicalismo. Indo \u00e0 missa, em T\u00e2nger, com um grupo de pessoas que compartilham o esp\u00edrito do Movimento dos Focolares, muitas vezes encontramos pedras que foram jogadas para intimidar, mas n\u00f3s acreditamos na fraternidade universal e \u00e9 isso que devemos testemunhar. Aos poucos, alguns aceitam nossa amizade. Na Arg\u00e9lia, onde morei, os exemplos de fraternidade s\u00e3o muitos: cada vez que \u00edamos visitar alguma fam\u00edlia, me sentia em casa. Todos eram mu\u00e7ulmanos, mas \u00e9ramos irm\u00e3os. A amizade \u00e9 o ant\u00eddoto para o extremismo. O que importa para Deus \u00e9 que sejamos homens e vivamos o amor rec\u00edproco.  <strong>O que podemos esperar dessa viagem com rela\u00e7\u00e3o ao caminho para o di\u00e1logo?<\/strong> O di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 a busca de quem possui a verdade, porque s\u00f3 quem possui a verdade \u00e9 Deus. Acredito que o papa, como representante da Igreja Cat\u00f3lica, possa mostrar como vive o \u201cser crist\u00e3o\u201d. Portanto, trata-se de um testemunho e como tal n\u00e3o pode ser recusar. Sobretudo porque ele vem em paz. A beleza da mentalidade \u00e1rabe \u00e9 a acolhida, portanto receber\u00e3o o papa como um querido irm\u00e3o. O encontro entre o papa e o rei \u00e9 um convite a agir juntos para o bem do homem. No Movimento, falamos de di\u00e1logo e tamb\u00e9m de \u201ccomunh\u00e3o\u201d. Viver em comunh\u00e3o significa que eu posso falar como crist\u00e3o e voc\u00ea, como mu\u00e7ulmano, mas podemos viver juntos, compartilhando as experi\u00eancias. Isso pode ser feito a n\u00edvel pessoal, n\u00e3o como povos, porque o di\u00e1logo \u00e9 face a face.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-186818\" title=\"DSC 0113\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DSC_0113-90x60.jpg\" alt=\"DSC 0113\" width=\"350\" height=\"233\" \/>De que maneira pessoas de credos e convic\u00e7\u00f5es diferentes podem se sentir irm\u00e3s?<\/strong> No n\u00edvel humano \u00e9 necess\u00e1rio valorizar o que h\u00e1 em comum. No Alcor\u00e3o, todas as suras, menos uma, come\u00e7am com a frase \u201cEm nome de Deus, o Misericordioso\u201d, e com a palavra miseric\u00f3rdia um mu\u00e7ulmano se aproxima muito daquilo que n\u00f3s entendemos como amor. Portanto, podemos partilhar a palavra miseric\u00f3rdia com os mu\u00e7ulmanos. Ela vem do termo rahma que significa o seio materno, onde est\u00e1 o ber\u00e7o da vida. E Deus, que \u00e9 miseric\u00f3rdia, recorda o amor de uma m\u00e3e que cuida do seu filho. A mesma coisa vale para o hebraico rehem, que tem a mesma raiz sem\u00e2ntica de rahma, e traduz as \u201cv\u00edceras\u201d, tamb\u00e9m aqui, novamente, o seio materno. Ent\u00e3o, tamb\u00e9m para o judeu, a miseric\u00f3rdia de Deus significa que devemos ter um amor maternal para com os outros. Para os ateus, \u00e9 a mesma coisa: um ateu que acredita no homem, acredita no amor materno pelo outro.  S\u00e3o Francisco, h\u00e1 800 anos, se encontrava com o sult\u00e3o al-K\u0101mil em sinal de paz. Enviou os primeiros frades para Marrocos. Desde ent\u00e3o, a presen\u00e7a dos franciscanos no pa\u00eds sempre foi muito respeitada. Em Marrocos, os Frades Menores se permitiam ser presos para encorajar os detentos nos c\u00e1rceres. Dois deles foram martirizados. Recentemente, o vig\u00e1rio geral de T\u00e2nger encontrou nas bibliotecas espanholas e marroquinas mais de 160 cartas trocadas entre os franciscanos e os sult\u00f5es de Marrocos, nas quais os sult\u00f5es exprimem o apre\u00e7o pelo trabalho deles. Isso mostra que h\u00e1 um profundo respeito pela Igreja Cat\u00f3lica. O rei atual pediu o livro que re\u00fane as cartas para conhecer esse antigo relacionamento.  <strong>Para concluir, qual terreno comum pode haver entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos?<\/strong> O que h\u00e1 em comum \u00e9 Deus. Respondo \u00e0s pessoas que dizem que n\u00e3o temos o mesmo Deus que n\u00e3o \u00e9 verdade. \u00c9 como em uma fam\u00edlia em que h\u00e1 muitos filhos. Talvez, com o primeiro, o pai foi r\u00edgido para corrigi-lo. Talvez o \u00faltimo seja o preferido. Se perguntar a ambos como \u00e9 o pai, o primeiro dir\u00e1 que tem medo, o \u00faltimo, que \u00e9 um amor de pai. E \u00e9 o mesmo pai visto por \u00e2ngulos diferentes. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Claudia Di Lorenzi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO que importa para Deus \u00e9 que sejamos homens e vivamos o amor rec\u00edproco.\u201d Entrevista com Claude Gamble, pioneiro do Movimento dos Focolares em Marrocos.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-317132","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317132\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}