{"id":317312,"date":"2019-08-13T20:02:38","date_gmt":"2019-08-13T18:02:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/catolicos-e-protestantes-unidos-pela-reconciliacao-na-irlanda-do-norte\/"},"modified":"2024-05-15T21:09:50","modified_gmt":"2024-05-15T19:09:50","slug":"catolicos-e-protestantes-unidos-pela-reconciliacao-na-irlanda-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/catolicos-e-protestantes-unidos-pela-reconciliacao-na-irlanda-do-norte\/","title":{"rendered":"Cat\u00f3licos e protestantes unidos pela reconcilia\u00e7\u00e3o na Irlanda do Norte"},"content":{"rendered":"<p><em>Na Mari\u00e1polis Europeia, a hist\u00f3ria de uma amizade poss\u00edvel que lan\u00e7a sementes de paz<\/em>  Abrir-se e \u201cescolher um estilo de vida inclusivo\u201d. Abrir-se para reconciliar-se com o outro e descobrir a p\u00e9rola que est\u00e1 dentro de cada homem. Abrir-se como Jesus, que foi ao encontro de todos, e deixar agir o Esp\u00edrito Santo \u201cque se alegra na diversidade, mas persegue a unidade\u201d. \u00c9 essa a estrada que o <strong>Rev. Ken Newell, ministro presbiteriano em Belfast<\/strong>, capital da Irlanda do Norte, percorre h\u00e1 muitos anos.  Uma terra que ainda hoje sofre com as feridas deixadas pelo conflito que, desde o fim dos anos 60, durante 30 anos, viu se contraporem unionistas e separatistas: os primeiros, protestantes, defensores da perman\u00eancia no Reino Unido; os segundos, cat\u00f3licos, defensores da reunifica\u00e7\u00e3o entre Irlanda do Norte e do Sul. Um conflito de origem pol\u00edtica que envenenou o tecido social, transformando as cidades em terreno de batalha e levando \u00e0 \u201csegrega\u00e7\u00e3o religiosa\u201d: protestantes e cat\u00f3licos vivem em bairros diferentes, as comunidades n\u00e3o se encontram, h\u00e1 desconfian\u00e7a e preconceito.  N\u00e3o foi f\u00e1cil para o reverendo Ken tentar construir pontes. Teve de fazer o primeiro trabalho ele mesmo: \u201cCresci em Belfast, em uma comunidade protestante e unionista\u201d, contou na Mari\u00e1polis Europeia, \u201cnos meus primeiros anos de vida, fui moldado pela cultura da minha comunidade (&#8230;); muitas coisas eram saud\u00e1veis, boas e serenas; outros aspectos, no entanto, me influenciaram a ter atitudes negativas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade cat\u00f3lica, irlandesa e nacionalista; para superar isso, foram necess\u00e1rios alguns anos\u201d.  Um percurso que viu abrir-se lentamente e descobrindo a beleza da diversidade. Como quando na Holanda o encontro com um sacerdote o convenceu a participar de uma missa. Ou na Indon\u00e9sia, onde, sendo professor de um semin\u00e1rio do Timor, p\u00f4de imergir em um pa\u00eds diferente, com l\u00edngua, comida e cultura pr\u00f3prias. \u201cComecei a perceber que, justamente como h\u00e1 cores diferentes em um arco-\u00edris, assim tamb\u00e9m Deus criou a ra\u00e7a humana com uma diversidade incr\u00edvel; valorizar a cultura de Timor me ensinou a valorizar o bem dentro da minha cultura\u201d. No v\u00ednculo com o sacerdote Noel Carrel, houve a descoberta de uma amizade poss\u00edvel: \u201cpercebemos que est\u00e1vamos no Timor para servir o \u00fanico Cristo, que t\u00ednhamos o mesmo pai celeste e \u00e9ramos irm\u00e3os. Eu me perguntava se teria sido poss\u00edvel ter um amigo assim na Irlanda no Norte\u201d. E disso saiu uma consci\u00eancia clara: \u201cO Esp\u00edrito Santo fez com que eu me abrisse \u00e0 \u2018diversidade\u2019 do outro lado do mundo e me impulsionou a procurar o melhor da cultura e da espiritualidade cat\u00f3lica irlandesa\u201d.  Ao voltar a Belfast, em 76, foi chamado a comandar a Igreja presbiteriana de Fitzroy: seu estilo de vida inclusivo era contracorrente. Em um dos momentos mais dif\u00edceis do conflito, seu convite a construir novas rela\u00e7\u00f5es foi acolhido pelos membros de um mosteiro redentorista em Clonard: assim nasceu a <em>Clonard-Fitzroy Fellowship<\/em>.  A amizade humana e espiritual com o Padre Gerry Reynolds, que dirigia a Comunidade de Clonard, \u201ccompanheiro na constru\u00e7\u00e3o da paz\u201d, d\u00e1 vida a muitas experi\u00eancias de partilha: \u201cCome\u00e7amos a ir juntos aos funerais de policiais assassinados por terroristas e de civis inocentes assassinados por grupos paramilitares legalistas; \u00e9 raro ver ministros protestantes e sacerdotes cat\u00f3licos juntos em funerais para confortar os familiares dos falecidos\u201d. E depois de participar das celebra\u00e7\u00f5es um do outro, P. Gerry e Rev. Ken come\u00e7am a participar juntos de matrim\u00f4nios entre pessoas de Igrejas diferentes.  E tornou-se poss\u00edvel outro passo impensado: o sacerdote e o ministro foram convidados a encontros com os l\u00edderes pol\u00edticos dos lados que lutavam, para chegar a um cessar fogo e adotar pol\u00edticas de paz. Pouco a pouco, pol\u00edticos dos principais partidos da Irlanda do Norte, o Partido Democr\u00e1tico Unionista (DUP), que defende permanecer no Reino Unido, e o Sinn Fein, que defende a uni\u00e3o das Irlandas, reconhecem na <em>Clonard \u2013 Fitzroy Fellowship<\/em> um \u201cespa\u00e7o seguro\u201d para confrontar-se. Cresce o desejo de reconcilia\u00e7\u00e3o que levar\u00e1, em 2007, ao \u201cmilagre de Belfast\u201d: \u201cem Stormont, o pal\u00e1cio do governo da Irlanda do Norte\u201d, conta o Rev. Newell, \u201co Rev. Ian Paisley, primeiro ministro do poder executivo dividido, e o vice primeiro ministro, Martin McGuinness, ex-comandante do IRA, desceram a escada de m\u00e1rmore, sentaram-se lado a lado diante da imprensa mundial e dirigiram-se ao povo da Irlanda do Norte; falaram de sua determina\u00e7\u00e3o em conduzir o pa\u00eds para um futuro melhor e mais reconciliado\u201d. Era a aurora de um novo dia.  A <em>Clonard-Fitzroy Fellowship<\/em>, que j\u00e1 opera h\u00e1 38 anos e inspirou milhares de iniciativas similares, recebeu em 1999 o pr\u00eamio internacional de paz <em>Pax Christi<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Mari\u00e1polis Europeia, a hist\u00f3ria de uma amizade poss\u00edvel que lan\u00e7a sementes de paz<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-317312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}