{"id":317320,"date":"2019-08-22T20:02:22","date_gmt":"2019-08-22T18:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-face-de-deus-hoje\/"},"modified":"2024-05-15T21:09:51","modified_gmt":"2024-05-15T19:09:51","slug":"a-face-de-deus-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-face-de-deus-hoje\/","title":{"rendered":"A face de Deus hoje"},"content":{"rendered":"<p><em>Desde 2012, o festival de Salzburgo, o evento mais importante do mundo dedicado \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica, \u00e9 aberto com uma <\/em>ouverture spirituelle<em>: uma s\u00e9rie de concertos de m\u00fasica sacra e confer\u00eancias dedicadas ao di\u00e1logo entre as religi\u00f5es. Participam grandes figuras do cen\u00e1rio musical internacional e, pela primeira vez, esse ano estava presente tamb\u00e9m a arquidiocese de Salzburgo com uma exposi\u00e7\u00e3o do artista franc\u00eas Michel Pochet.<\/em>  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-190723 alignleft\" title=\"P7200112\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/P7200112.jpg\" alt=\"P7200112\" width=\"327\" height=\"245\" \/>S\u00e1bado \u00e0 tarde, 20 de julho de 2019, \u00e0s 5h, o hall de entrada do pr\u00e9dio da arquidiocese de Salzburgoficou lotado: a presidente do Festival, Helga Rabl-Stadler, e o arcebispo, Franz Lackner, abriram a exposi\u00e7\u00e3o do artista franc\u00eas Michel Pochet, intitulada \u201cLacrimae<em>\u201d <\/em>(l\u00e1grimas). \u201cPela primeira vez, a Igreja Cat\u00f3lica de Salzburgoparticipou da assim chamada <em>ouverture spirituelle<\/em> do festival de m\u00fasica\u201d, explicou Monsenhor Matth\u00e4us Appesbacher, vig\u00e1rio do bispo, contando a g\u00eanese da exposi\u00e7\u00e3o. Foi ele que soube que o artista teve a oportunidade de presentear o papa Francisco com uma tela que representava o vulto de Deus-Miseric\u00f3rdia chorando. Desde ent\u00e3o, decidiu que o convidaria \u00e0 <em>ouverture spirituelle<\/em> deste ano, cujo tema central s\u00e3o justamente as l\u00e1grimas.  \u201cA beleza\u201d, destacou Michel Pochet em sua breve fala, \u201c\u00e9 uma necessidade prim\u00e1ria do homem\u201d. E para evidenciar a necessidade de liberar os artistas do complexo de sua inutilidade social, conta a hist\u00f3ria de um garoto da Amaz\u00f4nia que, com a m\u00fasica de sua flauta, procurava sustentar seus familiares que passavam fome.  As obras escolhidas para essa exposi\u00e7\u00e3o, conclu\u00edda no dia 30 de julho, estimulam o di\u00e1logo. A exibi\u00e7\u00e3o foi montada no majestosocen\u00e1rio da cidade de Salzburgo, onde o pacto que foi feito em outra \u00e9poca entre Igreja e poder \u00e9 ressaltado em toda parte. Aqui o encontro entre a Igreja e a arte assumiu tons fortemente celebrantes, enquanto as obras de Pochet eram definitivamente antitriunfantes: na mat\u00e9ria, na forma e no conte\u00fado.  <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-190724 alignright\" title=\"P7190044\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/P7190044.jpg\" alt=\"P7190044\" width=\"346\" height=\"259\" \/>Suas telas demonstravam isso, como aquela em que \u201cconta\u201d sobre a presen\u00e7a de Deus em Auschwitz, usando um tra\u00e7o leve sobre umatela branca quase reduzida a um pedacinho de pano. Pochet desenha o horror indiz\u00edvel da montanha de cad\u00e1veres olhados pelaface-cora\u00e7\u00e3o de Deus que chora. Uma particularidade surpreendente e quase irritante: cada cad\u00e1ver tem um crach\u00e1 que o identifica, e que n\u00e3o existia nos campos de exterm\u00ednio. Todavia, os conhecemos pelos programas televisivos: apesar de ser um procedimento burocr\u00e1tico, deste modo realmente se arrancam os mortos do anonimato nos obitu\u00e1rios. Na tela, eles s\u00e3o uma t\u00edmida recorda\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Deus: apesar de ter-se procurado apagar in\u00fameros nomes da face da terra, Ele n\u00e3o esquece. Ao lado dessa cena, fazendo contrapeso, aparece um grande vulto de Maria que com suas linhas retas tem um aspecto quase viril; esse pano ensopado de cores delicadas \u00e9 cheio de poesia: as l\u00e1grimas de Maria s\u00e3o como p\u00e9rolas de orvalho e falam da aurora de uma nova cria\u00e7\u00e3o.  A mostra foi montada no hall de entrada e em uma sala adjacente. Inclu\u00eda umas\u00e9rie gr\u00e1fica em preto e branco: uma \u201cVia Crucis\u201d que mostra cenas da paix\u00e3o de Jesus e cenas de dores dos nossos tempos. Continuava com uma s\u00e9rie de medita\u00e7\u00f5es sobre outras \u201cfaces de Deus\u201d com que se aproximou de seu povo em seus arcanjos. Pode ser definida como \u201carte sacra\u201d, mesmo que se distinga notavelmente das representa\u00e7\u00f5es que levam esse nome. N\u00e3o ilustra cenas tratadas pela santa escritura ou, como aconteceu sobretudo no barroco e no rococ\u00f3, os conceitos dos te\u00f3logos, mas tem a aud\u00e1cia de trazer a reflex\u00e3o pessoal. A concentra\u00e7\u00e3o no vulto faz pensar nas palavras do fil\u00f3sofo Giuseppe M. Zangh\u00ec, segundo o qual o \u201cSacro emergente\u201d no s\u00e9culo 20 \u00e9 \u201calgu\u00e9m sem rosto\u201d, um \u201cPoder sem vulto\u201d 1). <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Peter Seifert , h<\/em><em>istoriador de arte<\/em><\/p>\n<p> <em>\u00a0<\/em><em>\u00a0<\/em>  1) Giuseppe Maria Zangh\u00ed, <em>Notte della cultura europea<\/em>, Roma 2007, p. 46-47<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde 2012, o festival de Salzburgo, o evento mais importante do mundo dedicado \u00e0 m\u00fasica cl\u00e1ssica, \u00e9 aberto com uma ouverture spirituelle: uma s\u00e9rie de concertos de m\u00fasica sacra e confer\u00eancias dedicadas ao di\u00e1logo entre as religi\u00f5es. 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