{"id":317558,"date":"2020-03-23T03:00:49","date_gmt":"2020-03-23T02:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/o-desafio-quotidiano-de-tornar-se-familia\/"},"modified":"2024-05-15T21:10:34","modified_gmt":"2024-05-15T19:10:34","slug":"o-desafio-quotidiano-de-tornar-se-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/o-desafio-quotidiano-de-tornar-se-familia\/","title":{"rendered":"O desafio quotidiano de tornar-se fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<p><em>A hist\u00f3ria de dois c\u00f4njuges da Cro\u00e1cia e a experi\u00eancia deles no \u00e2mbito do projeto \u201cPercursos de luz\u201d promovido pelo Movimento dos Focolares<\/em>  \u201cComo as crian\u00e7as pequenas que aprendem do nada, tamb\u00e9m n\u00f3s aprendemos a entender, em primeiro lugar, a n\u00f3s mesmos, reconhecendo os nossos sentimentos, e a entender o outro, aprendendo que os pensamentos diferentes n\u00e3o devem terminar sempre e por for\u00e7a em conflitos. Entendemos que os casais que nos rodeiam enriquecem os nossos relacionamentos e que \u00e9 preciso evitar o isolamento\u201d. Melita e Slavko s\u00e3o casados h\u00e1 cerca de vinte anos, s\u00e3o pais e vivem na Cro\u00e1cia. Contam a pr\u00f3pria experi\u00eancia como casal com toda a clareza, sem tentar mascarar nada, sem omitir aqueles momentos de prova\u00e7\u00e3o que desenham o caminho que eles percorreram como um desafio, uma \u201ccasa\u201d a ser constru\u00edda cada dia, muitas vezes sem saber com que instrumentos. N\u00e3o uma rodovia reta para atravessar com um autom\u00f3vel potente, mas uma estrada desterrada a ser percorrida em bicicleta apenas com o motor das pr\u00f3prias pernas, pulm\u00f5es e cora\u00e7\u00e3o, com subidas muito cansativas e descidas regenerantes. Talvez a hist\u00f3ria deles seja como a de muitos casais, mas oferece uma chave de leitura sobre a fam\u00edlia que n\u00e3o \u00e9 obvia.  A ocasi\u00e3o deste relato foi a participa\u00e7\u00e3o deles em um encontro, na It\u00e1lia, no \u00e2mbito do projeto Percursos de luz, que o Movimento dos Focolares dedica aos casais, com uma aten\u00e7\u00e3o particular aos que vivem momentos de separa\u00e7\u00e3o. Num dos momentos mais escuros no seu relacionamento &#8211; explicam &#8211; foi gra\u00e7as a encontros como este que encontraram os instrumentos para \u201cusar cada dia, para que a nossa fam\u00edlia seja feliz e o nosso relacionamento cres\u00e7a\u201d. Intrumentos \u201cque facilitam a escalada que nos espera na vida de casal para realizar os planos de Deus sobre a nossa fam\u00edlia\u201d.  Nas palavras deles emerge claramente que a imagem do casal \u201cperfeito\u201d \u00e9 uma dolorosa ilus\u00e3o. A espectativa de um percurso linear e ensolarado, alimentado pelo entusiasmo que segue o encontro com a pessoa \u201ccerta\u201d, choca-se com a realidade de uma \u201cpartida\u201d inteira para jogar e da qual n\u00e3o se conhece o resultado, onde o companheiro de equipe transforma-se \u00e0s vezes em advers\u00e1rio e onde a vit\u00f3ria existe apenas quando os dois s\u00e3o vencedores. Um jogo que n\u00e3o tem regras escritas, mas que deve ser jogado com um objetivo muito claro, ou reencontrando-o quando desaparece. Um jogo onde cada um \u00e9 chamado a dar a pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o e a enfrentar as vari\u00e1veis contr\u00e1rias, sem procurar atalhos: \u201cDa perspectiva de hoje &#8211; dizem &#8211; podemos testemunhar que o casamento n\u00e3o \u00e9 algo fixo e est\u00e1tico, e que um curso como este n\u00e3o \u00e9 uma varinha m\u00e1gica que resolve todos os nossos problemas para sempre\u201d. Aqui \u201caprendemos que o nosso primeiro filho \u2013 o casamento \u2013 precisa do m\u00e1ximo cuidado e import\u00e2ncia, porque somente quando estamos em paz e em sintonia podemos ser capazes de dar amor aos filhos e \u00e0s pessoas que nos circundam. S\u00f3 assim nos realizamos como pessoas\u201d.  Em efeito, tudo parte do sentir-nos j\u00e1 realizados \u201cda linha de partida\u201d. Melita conta do in\u00edcio: \u201cEra um per\u00edodo muito bonito. Finalmente eu tinha realizado o sonho de ter um companheiro que sabia ouvir-me, consolar-me, entender-me. A pessoa com a qual partilhar o modo de ver a vida, a f\u00e9, o amor. Imediatamente, entendemos que nos quer\u00edamos casar coroando o nosso amor com o matrim\u00f4nio\u201d.  Mas, muito cedo, apresentou-se a primeira prova\u00e7\u00e3o: a perda de um filho que estava para chegar constrangiu Melita e Slavko a rever os planos, a concentrarem-se na organiza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica da vida, no trabalho e na casa. Foi um momento vantajoso nos resultados, no qual experimentaram uma unidade crescente entre eles e com as respectivas fam\u00edlias, partilhando tudo &#8211; diz Slavko &#8211; encontrando \u201ca for\u00e7a, a vontade e o desejo das coisas mais simples\u201d. \u201cIdealizamos a nossa vida &#8211; acrescenta ela &#8211; completando as pedrinhas do nosso mosaico e esperando que a fam\u00edlia se alargasse\u201d. Depois de tr\u00eas anos, chegou a alegria do primeiro filho, mas ao mesmo tempo a necessidade de encontrar um trabalho menos empenhativo e mais remunerativo. O emprego para Slavko chegou, mas o novo contexto produziu no casal conflitos, incompreens\u00f5es e feridas profundas.  \u201cA seguran\u00e7a que t\u00ednhamos constru\u00eddo e a confian\u00e7a rec\u00edproca desapareceram \u2013 conta Melita \u2013 come\u00e7ou um per\u00edodo de insatisfa\u00e7\u00e3o nos nossos relacionamentos, de queixas pelos erros cometidos. Slavko n\u00e3o percebia a minha insatisfa\u00e7\u00e3o e eu n\u00e3o sabia como mostrar-lhe as coisas que me incomodavam\u201d. E ele: \u201cAcontentava-me com aquela vida, pensando: o que posso querer ainda? Queremo-nos bem, estamos casados, a vida vai num trilho certo, porque tenho ainda que demonstrar a minha fidelidade e o meu afeto? \u00c9 ela que n\u00e3o entende que a amo e que estou aqui. Ao inv\u00e9s, eu estava como surdo aos seus gritos de ajuda e achava que era ela que deveria mudar e aceitar as novas circunst\u00e2ncias. Em n\u00f3s crescia a sensa\u00e7\u00e3o de incapacidade e de desespero: ca\u00edamos num abismo do qual n\u00e3o v\u00edamos uma estrada de sa\u00edda\u201d.  Come\u00e7aram, ent\u00e3o, a pensar em separar-se. Tinham chegado ao fundo do po\u00e7o. Mas naquele deserto, pouco a pouco, a vida come\u00e7ou a reflorescer. \u201cNaquele momento o Senhor colocou no nosso caminho os nossos padrinhos e alguns amigos, que assim como tantos outros t\u00ednhamos cancelado da nossa vida, e mandou-nos indica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s deles\u201d, continua Slavko. Foi no relacionamento com outros casais que participavam dos Percursos de luz que, finalmente, conseguiram entrever uma sa\u00edda. \u201cSozinhos, um diante do outro, e sozinhos diante de Deus come\u00e7amos a entender e conhecer o outro novamente, aprendendo que ter opini\u00f5es diferentes n\u00e3o significa que n\u00e3o existe amor, pelo contr\u00e1rio, aprendemos de novo que a diversidade enriquece e completa-nos como casal\u201d. Aprender, descobrir, crescer e consolidar-se como pessoas e como casal. Certamente, esta \u00e9 uma conquista inesperada de um caminho aut\u00eantico e corajoso, imprevis\u00edvel e cheio de prova\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de conquistas e satisfa\u00e7\u00f5es. Melita e Slavko descobriram que os planos de Deus para eles como casal e como fam\u00edlia n\u00e3o s\u00e3o obvios, mas requerem a pr\u00f3pria determina\u00e7\u00e3o na viv\u00eancia do amor rec\u00edproco. E aprenderam que \u00e9 por meio deste esfor\u00e7o que o homem e a mulher realizam-se como pessoas. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Claudia Di Lorenzi<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de dois c\u00f4njuges da Cro\u00e1cia e a experi\u00eancia deles no \u00e2mbito do projeto \u201cPercursos de luz\u201d promovido pelo Movimento dos Focolares<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-317558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}