{"id":317828,"date":"2020-10-05T01:00:22","date_gmt":"2020-10-04T23:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/chiara-lubich-a-fraternidade-universal\/"},"modified":"2024-05-15T21:11:24","modified_gmt":"2024-05-15T19:11:24","slug":"chiara-lubich-a-fraternidade-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/chiara-lubich-a-fraternidade-universal\/","title":{"rendered":"Chiara Lubich: A fraternidade universal"},"content":{"rendered":"<p><em>8 de maio de 2004, Estugarda, Alemanha. Chiara Lubich encontrou-se diante de quase 9 mil pessoas, na primeira edi\u00e7\u00e3o do \u201cJuntos pela Europa\u201d. Foi um momento hist\u00f3rico, onde ela ofereceu a chave para a constru\u00e7\u00e3o da paz no continente-mosaico, que \u00e9 a Europa, e no mundo inteiro: construir peda\u00e7os de fraternidade universal.<\/em>  A fraternidade universal \u00e9 e foi uma aspira\u00e7\u00e3o profundamente humana, presente, por exemplo, em grandes almas. Martin Luther King revelava: \u00abTenho um sonho: que um dia os homens (&#8230;) se dar\u00e3o conta de que foram criados para viver juntos como irm\u00e3os (&#8230;); e que a fraternidade (&#8230;) se tornar\u00e1 a ordem do dia de um homem de neg\u00f3cios e a palavra de ordem de um homem de governo.\u00bb<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>  O Mahatma Gandhi, a prop\u00f3sito de si, afirmava: \u00abA minha miss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simplesmente a fraternidade do povo indiano. (&#8230;) Mas, atrav\u00e9s da atua\u00e7\u00e3o da liberdade da \u00cdndia, espero atuar e desenvolver a miss\u00e3o da fraternidade dos homens.\u00bb<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>  A fraternidade universal foi tamb\u00e9m o programa de pessoas n\u00e3o inspiradas por motivos religiosos. O pr\u00f3prio projeto da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa tinha por lema: \u00abLiberdade, igualdade, fraternidade\u00bb. Mas se depois in\u00fameros pa\u00edses, ao constru\u00edrem regimes democr\u00e1ticos, conseguiram realizar, pelo menos em parte, a liberdade e a igualdade, certamente n\u00e3o ocorreu o mesmo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fraternidade, mais anunciada do que vivida.  Quem, ao inv\u00e9s, proclamou a fraternidade universal e nos deu o modo de realiz\u00e1-la foi Jesus. Ele, nos revelando a paternidade de Deus, abateu os muros que separam os \u201ciguais\u201d dos \u201cdiferentes\u201d, os amigos dos inimigos. E libertou cada homem das mil formas de subordina\u00e7\u00e3o e de escravid\u00e3o, de todo relacionamento injusto, realizando, assim, uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o existencial, cultural e pol\u00edtica.  Al\u00e9m disso, muitas correntes espirituais, no decorrer dos s\u00e9culos, procuraram atuar essa revolu\u00e7\u00e3o. Uma vida realmente fraterna foi, por exemplo, o projeto audaz e obstinado de Francisco de Assis e dos seus primeiros companheiros<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, cuja vida \u00e9 um exemplo admir\u00e1vel de fraternidade que abra\u00e7a, com todos os homens e as mulheres, tamb\u00e9m o cosmo, com irm\u00e3o sol e lua e estrelas.  O instrumento que Jesus nos ofereceu para realizar essa fraternidade universal \u00e9 o amor: um amor grande, um amor novo, diferente daquele que habitualmente conhecemos. Ele, Jesus, de fato, transplantou na Terra o modo de amar do C\u00e9u. Esse amor exige que se ame a todos, portanto, n\u00e3o s\u00f3 os parentes e os amigos. Pede que amemos o simp\u00e1tico e o antip\u00e1tico, o concidad\u00e3o e o estrangeiro, o europeu e o imigrante, aquele da pr\u00f3pria Igreja e aquele de outra, da pr\u00f3pria religi\u00e3o e de uma diferente. [\u2026]  Esse amor pede que amemos tamb\u00e9m o inimigo e que o perdoemos, se, por acaso, ele nos fez algum mal. [\u2026]  Portanto, aquele de que falo \u00e9 um amor que n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o e leva em considera\u00e7\u00e3o aqueles que est\u00e3o fisicamente ao nosso lado, mas tamb\u00e9m aqueles de quem falamos ou de quem se fala, aqueles aos quais \u00e9 destinado o trabalho que nos mant\u00e9m ocupados dia ap\u00f3s dia, aqueles de quem ficamos sabendo alguma not\u00edcia pelos jornais ou pela televis\u00e3o. Porque \u00e9 assim que Deus Pai ama, que manda sol e chuva sobre todos os seus filhos: sobre os bons, sobre os maus, sobre os justos e sobre os injustos (cf. <em>Mt<\/em> 5,45).  Uma segunda exig\u00eancia desse amor \u00e9 que sejamos os primeiros a amar. Com efeito, o amor que Jesus trouxe \u00e0 Terra \u00e9 desinteressado; n\u00e3o espera que o outro ame, mas, ao contr\u00e1rio, toma sempre a iniciativa, como fez o pr\u00f3prio Jesus, dando a vida por n\u00f3s, quando ainda \u00e9ramos pecadores e, portanto, n\u00e3o am\u00e1vamos.  [\u2026] E ainda, o amor trazido por Jesus n\u00e3o \u00e9 um amor plat\u00f4nico, sentimental, feito de palavras, \u00e9 um amor concreto, exige que se v\u00e1 aos fatos. Isto \u00e9 poss\u00edvel se nos fizermos tudo a todos: doente com quem est\u00e1 doente; alegres com quem est\u00e1 na alegria; preocupados, desprovidos de seguran\u00e7a, famintos, pobres com os outros. E, sentindo em n\u00f3s o que eles experimentam, agir de modo consequente.  [\u2026] Depois, quando esse amor \u00e9 vivido por v\u00e1rias pessoas, ele se torna rec\u00edproco e \u00e9 o que Jesus ressalta mais do que tudo: \u00abAmai-vos uns aos outros como eu vos amei\u00bb (<em>Jo<\/em> 13,34). \u00c9 o mandamento que ele diz ser seu e \u201cnovo\u201d.  N\u00e3o s\u00f3 os indiv\u00edduos s\u00e3o chamados a viver esse amor rec\u00edproco, mas tamb\u00e9m os grupos, os Movimentos, as cidades, as regi\u00f5es, os pa\u00edses. De fato, os tempos atuais exigem que os disc\u00edpulos de Jesus adquiram uma consci\u00eancia \u201csocial\u201d do cristianismo. \u00c9 mais do que nunca urgente e necess\u00e1rio que se ame a p\u00e1tria alheia como a pr\u00f3pria: [\u2026]  Esse amor, que atinge a sua perfei\u00e7\u00e3o na reciprocidade, exprime a pot\u00eancia do cristianismo, porque atrai a esta terra a pr\u00f3pria presen\u00e7a de Jesus entre n\u00f3s, homens e mulheres<em>. <\/em>N\u00e3o foi ele que disse: \u00abOnde dois ou tr\u00eas estiverem reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles\u00bb (<em>Mt<\/em> 18,20)? E n\u00e3o \u00e9 esta sua promessa uma garantia de fraternidade? Se ele, o irm\u00e3o por excel\u00eancia, est\u00e1 conosco, como poder\u00edamos, de fato, n\u00e3o nos sentirmos irm\u00e3os e irm\u00e3s uns dos outros?  [\u2026] Que o Esp\u00edrito Santo ajude a todos n\u00f3s a formarmos, no mundo, l\u00e1 onde vivemos, espa\u00e7os de fraternidade universal cada vez mais extensos, vivendo o amor que Jesus trouxe do C\u00e9u para n\u00f3s. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Chiara Lubich<\/em><\/p>\n<p> <a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cf. Martin Luther King, <em>Discorso della Vigilia di Natale 1967<\/em>, Atlanta, cit. in <em>Il fronte della coscienza<\/em>, Turim 1968.  <a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 M. K. Gandhi, <em>Antichi come le montagne<\/em>, Mil\u00e3o 1970, p.162.  <a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cf. Cardeal R. Etchegaray, <em>Homilia por<\/em><em> ocasi\u00e3o do Jubileu da Fam\u00edlia Franciscana<\/em>, in \u201cL\u2019Osservatore Romano\u201d, 12 de abril de 2000, p. 8.  https:\/\/vimeo.com\/465801263<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>8 de maio de 2004, Estugarda, Alemanha. Chiara Lubich encontrou-se diante de quase 9 mil pessoas, na primeira edi\u00e7\u00e3o do \u201cJuntos pela Europa\u201d. 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