{"id":318064,"date":"2021-02-23T03:00:27","date_gmt":"2021-02-23T02:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/fundacao-unisol-a-maior-recompensa\/"},"modified":"2024-05-15T21:12:06","modified_gmt":"2024-05-15T19:12:06","slug":"fundacao-unisol-a-maior-recompensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/fundacao-unisol-a-maior-recompensa\/","title":{"rendered":"Funda\u00e7\u00e3o Unisol: a maior recompensa"},"content":{"rendered":"<p><em>Um centro social na Bol\u00edvia oferece suporte a 220 crian\u00e7as e fam\u00edlias com dificuldades. A hist\u00f3ria de Silvio: acolhido quando era crian\u00e7a, hoje trabalha para a associa\u00e7\u00e3o que o salvou.<\/em>  Silvio mora em Cochabamba, tem 10 irm\u00e3os, seu pai era minerador e morreu quando ele tinha apenas 10 anos. A partir daquele momento, sua m\u00e3e teve de criar sozinha os 11 filhos: moravam em um c\u00f4modo de 4 por 5 metros em um bairro em que as drogas e os furtos eram as principais atividades dos adolescentes. Agora, Silvio trabalha para a Funda\u00e7\u00e3o Unisol, a mesma associa\u00e7\u00e3o beneficente que um dia tirou ele e seus irm\u00e3os das ruas. Essa funda\u00e7\u00e3o \u00e9 sustentada tamb\u00e9m pela AFN (Associa\u00e7\u00e3o A\u00e7\u00e3o por Fam\u00edlias Novas), uma ONLUS (organiza\u00e7\u00e3o de utilidade social sem fins lucrativos) que oferece por meio de programas espec\u00edficos de sustento a dist\u00e2ncia servi\u00e7os que t\u00eam como objetivo apoiar os menores no \u00e2mbito escolar, alimentar e m\u00e9dico, cuidando tamb\u00e9m do contexto familiar e comunit\u00e1rio ao qual o menor pertence, a fim de que possa crescer o m\u00e1ximo poss\u00edvel em um ambiente saud\u00e1vel. A realiza\u00e7\u00e3o desses programas \u00e9 coordenada a dist\u00e2ncia por uma equipe competente local. Mas o que a funda\u00e7\u00e3o faz de concreto? Perguntamos justamente a Silvio, cuja hist\u00f3ria est\u00e1 entrela\u00e7ada com a da Unisol que hoje apoia 220 crian\u00e7as e fam\u00edlias em dificuldade.  <strong><em>Pode nos contar alguma coisa sobre a sua fam\u00edlia e a sua inf\u00e2ncia?<\/em><\/strong> \u201cSomos uma fam\u00edlia muito numerosa, ao todo, somos 11 filhos. Antes, mor\u00e1vamos em Quillacollo, um dos bairros mais perigosos de Cochabamba (uma das cidades mais populosas da Bol\u00edvia). Meu pai trabalhava em uma mineradora. Morreu com um tumor quando eu tinha 10 anos e, a partir daquele momento, minha m\u00e3e ficou encarregada de tudo e nos criou sozinha. Pela primeira vez, foi obrigada a procurar um trabalho e foi contratada como respons\u00e1vel pela limpeza de uma escola de outra cidade. Para facilitar os deslocamentos, lhe ofereceram moradia dentro da escola, na portaria: um pequeno c\u00f4modo de 4 por 5 metros em que j\u00e1 moravam 8 pessoas.  O bairro para o qual nos mudamos era melhor que o anterior, mas tamb\u00e9m era bastante perigoso. Muitas vezes, as fam\u00edlias n\u00e3o conseguem cuidar dos filhos porque trabalham o dia inteiro, e os garotos entram facilmente no mundo das drogas, portanto vendem ou roubam para pagar as doses. Muitos dos meus colegas que frequentavam a escola acabaram nas gangues. E eu falava com eles, inclusive com os mais perigosos. \u00c9 claro que eu n\u00e3o queria ser inimigo de ningu\u00e9m que mais tarde poderia se vingar de mim ou da minha fam\u00edlia! Alguns dos meus amigos e drogavam muito. E tamb\u00e9m me ofereciam. Mas sempre recusei, sobretudo pelo respeito que tinha para com a minha m\u00e3e, que se sacrificava por todos n\u00f3s, os filhos, e sempre a admirei muito.\u201d  <strong><em>Mas um dia algo mudou&#8230;<\/em><\/strong> \u201cSim. Um dia chegaram na escola algumas pessoas do Movimento dos Focolares que ofereceram \u00e0 minha m\u00e3e ajuda para n\u00f3s, os filhos. Eles nos davam lanches e doces, nos deixavam jogar, nos escutavam, nos davam aquilo de que precis\u00e1vamos. E finalmente nos sent\u00edamos felizes. Mais tarde, pouco a pouco fomos ficando bem mais numerosos e nasceu a ideia de encontrar um espa\u00e7o, que n\u00e3o fosse a rua, para brincar, estudar, ficar juntos. Assim, nasceu o centro Rinc\u00f3n de Luz (<em>Canto de Luz<\/em>) em Cochabamba. Mais tarde, tamb\u00e9m nasceu ao lado dele o centro Clara Luz (<em>Luz Clara<\/em>), em Santa Cruz.  Esse espa\u00e7o mudou nossas vidas; por exemplo, uma das minhas irm\u00e3s \u00e9 surda-muda. Era imposs\u00edvel encontrar um trabalho para ela e n\u00e3o t\u00ednhamos dinheiro para faz\u00ea-la estudar. Mas gra\u00e7as \u00e0 ajuda que recebemos dos doadores da Funda\u00e7\u00e3o, ela conseguiu se formar e agora tamb\u00e9m tem uma profiss\u00e3o.\u201d  <strong><em>O que a Funda\u00e7\u00e3o Unisol faz concretamente?<\/em><\/strong> \u201cAjuda os mais indigentes, em particular, as fam\u00edlias. Fornece comida, rem\u00e9dios e material escolar para eles; oferece tamb\u00e9m apoio educativo com atividades depois da escola para as crian\u00e7as; organiza momentos recreativos, almo\u00e7os, lanches, workshops para ensinar a elas atividades pr\u00e1ticas e manuais, de conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e0 reciclagem e ao meio-ambiente, forma\u00e7\u00e3o pessoal, partilha de experi\u00eancias&#8230;  <strong><em>Depois de ter feito essa experi\u00eancia de ser acolhido pela Funda\u00e7\u00e3o, agora \u00e9 voc\u00ea mesmo que acolhe crian\u00e7as e fam\u00edlias em dificuldade. O que o incentiva a ficar?<\/em><\/strong> \u201cAntes de tudo, preciso explicar um pouco o contexto: em outubro de 2019, na Bol\u00edvia, tivemos elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Logo depois, houve uma crise pol\u00edtica que reduziu notavelmente o fornecimento de fundos aos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, depois, chegou a pandemia. A situa\u00e7\u00e3o se agravou: muitos m\u00e9dicos e operadores sanit\u00e1rios pararam de trabalhar por medo do cont\u00e1gio; quem aceitasse trabalhar nos hospitais recebia sal\u00e1rios altos. Foi nesse momento que recebi uma proposta de trabalho muito vantajosa. Fiquei tentado: quem n\u00e3o gostaria de ter mais comodidade? Mas depois me dei conta de que o dinheiro n\u00e3o me faria feliz. Entendi que viver pelos outros me faria feliz: eu devia continuar no Rinc\u00f3n de Luz.\u201d  <strong><em>Como mudou a ajuda \u00e0s fam\u00edlias com a pandemia? E h\u00e1 algo que voc\u00ea gostaria de dizer em particular para quem vai conhecer a Funda\u00e7\u00e3o Unisol?<\/em><\/strong> \u201cA pandemia atingiu duramente as fam\u00edlias. Muitos vendiam objetos ou alimentos nas ruas e agora n\u00e3o podem mais fazer isso e n\u00e3o ganham dinheiro. Muitos est\u00e3o perdendo a esperan\u00e7a de se reerguer dessa situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, houve v\u00e1rios div\u00f3rcios e isso tamb\u00e9m tem muitas consequ\u00eancias para as crian\u00e7as que acolhemos. Neste momento, tamb\u00e9m a minha m\u00e3e acolheu um menino em casa, filho de um casal que acabou de se separar e n\u00e3o tem praticamente nada. O que fazemos \u00e9 isso, estar dispon\u00edveis para tudo o que essas fam\u00edlias precisam. Infelizmente n\u00e3o temos recursos para chegar a um n\u00famero maior de pessoas, mesmo que isso seja o que gostar\u00edamos de fazer. Continuamos a ajudar as fam\u00edlias que segu\u00edamos antes. Al\u00e9m das outras coisas, procuramos oferecer a eles tamb\u00e9m um lugar onde possam se distrair, porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 realmente pesada. Mas os que precisam de um apoio s\u00e3o muito mais, por isso, convido os que est\u00e3o conhecendo a Funda\u00e7\u00e3o Unisol a dar uma m\u00e3o, come\u00e7ando por quem est\u00e1 ao nosso lado, que talvez n\u00e3o conhe\u00e7amos, mas que precisam do nosso tempo, da nossa aten\u00e7\u00e3o e do nosso amor.\u201d <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Por Laura Salerno<\/em><\/p>\n<p> Entrevista de Laura Salerno com Silvio (Escolher subt\u00edtulos em portugu\u00eas):  https:\/\/youtu.be\/UVTztN2UoUE  <strong>Contatos:<\/strong> www.fundacionunisol.org Facebook: @Fundaci\u00f3nunisol https:\/\/www.afnonlus.org\/ Facebook: @afnonlus Instagram: @afn.onlus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um centro social na Bol\u00edvia oferece suporte a 220 crian\u00e7as e fam\u00edlias com dificuldades. 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