{"id":318086,"date":"2021-03-12T03:00:39","date_gmt":"2021-03-12T02:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-geopolitica-corajosa-do-papa-francisco\/"},"modified":"2024-05-15T21:12:11","modified_gmt":"2024-05-15T19:12:11","slug":"a-geopolitica-corajosa-do-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-geopolitica-corajosa-do-papa-francisco\/","title":{"rendered":"A geopol\u00edtica corajosa do Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p><em>A caracter\u00edstica imprescind\u00edvel do pontificado do Papa Francisco, confirmada tamb\u00e9m no Iraque, \u00e9 a fraternidade. Seu testemunho pessoal e eclesial, seu magist\u00e9rio e o relacionamento com o mundo mu\u00e7ulmano j\u00e1 fazem da fraternidade uma marca geopol\u00edtica. O encontro hist\u00f3rico com Al-Sistani.<\/em>  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-241061 alignright\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Papa-Iraq-510x340.png\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"209\" \/>Por todas essas partes, nesses dias, est\u00e3o procurando fazer um balan\u00e7o da viagem do Papa Francisco ao Iraque. Acredito que seja dif\u00edcil, se n\u00e3o imposs\u00edvel, encontrar um completo. Os temas tratados foram muitos e, sobretudo, estamos muito pr\u00f3ximos, imediatamente ap\u00f3s um evento global articulado, que s\u00f3 o passar do tempo nos far\u00e1 compreender todos os significados. Obviamente, <strong>alguns elementos, mais do que outros, atingiram o imagin\u00e1rio <\/strong>de quem acompanhou os v\u00e1rios acontecimentos em um contexto que, em um certo sentido, parecia quase surreal em sua realidade crua.  Pensando nas viagens papais inauguradas por Wojtyla a partir de 1979, est\u00e1vamos acostumados com cen\u00e1rios e panos de fundo bem diferentes: grandes multid\u00f5es, apresenta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que muitas vezes se aproximavam da perfei\u00e7\u00e3o e, sobretudo, eventos que passavam a imagem, sobretudo nos primeiros anos da \u00e9poca do papa polon\u00eas, de uma f\u00e9 forte, no centro da hist\u00f3ria, em contraposi\u00e7\u00e3o ao mundo ateu de onde o papa polon\u00eas vinha.  <strong>O Papa Francisco, que desde o in\u00edcio do seu pontificado introduziu a ideia de uma Igreja <em>acidentada<\/em> e comparada a um <em>hospital de campanha<\/em>,<\/strong> se empenhou nesses anos em transmitir essa imagem de Igreja e fez isso praticamente em todos os lugares onde esteve.  Desde a sua primeira viagem oficial a Lampedusa, porto e cemit\u00e9rio de migrantes, passando por Bangui, onde quis inaugurar seu Jubileu inesperado e extraordin\u00e1rio, at\u00e9 chegar em Mossul, onde o palco tinha como pano de fundo ru\u00ednas e muros ainda com marcas de balas de v\u00e1rios calibres. E n\u00e3o podemos nos esquecer de Tacloban, onde desafiou um furac\u00e3o iminente para ficar ao lado dos sobreviventes de outro evento catastr\u00f3fico; Lesbos, onde, sem pressa, passou um tempo precioso escutando as hist\u00f3rias inenarr\u00e1veis de refugiados de diversas proveni\u00eancias.  Mas a li\u00e7\u00e3o de Francisco n\u00e3o tem a ver s\u00f3 com o comprometimento em mostrar que a face mais preciosa da Igreja \u00e9 a <em>acidentada<\/em>. Tem mais a ver com o modo com que mostra a <em>proximidade<\/em>, o calor necess\u00e1rio para fazer com que as pessoas que sofrem sintam a comunidade crist\u00e3. Sobretudo, est\u00e1 comprometido em projetar essas comunidades no palco mundial, para dizer que aquela \u00e9 a Igreja verdadeira que todos devemos ter no cora\u00e7\u00e3o, e que testemunha Cristo de maneira real.  Como disse no voo de volta, Bergoglio respira nessas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, porque <strong>esse \u00e9 o seu chamado petrino<\/strong>, aquele pelo qual o conclave o elegeu mesmo sem saber e imaginar para onde conduziria o barco de Pedro. Estamos todos vendo e experimentando nesses anos. E as viagens s\u00e3o provavelmente o espelho mais verdadeiro, que n\u00e3o trai e n\u00e3o deixa brecha nenhuma para mal-entendidos.  De resto, n\u00e3o h\u00e1 nada de novo. Como seus antecessores, <strong>o papa argentino demonstra que sabe ler e decodificar os <em>sinais dos tempos<\/em><\/strong> e oferece seu testemunho cr\u00edvel de que a Igreja \u00e9 testemunha no tempo, interceptando as problem\u00e1ticas e os pontos-chaves, oferecendo respostas frequentemente contracorrentes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas que o mundo pol\u00edtico, internacional e, hoje, financeiro imp\u00f5em.  Diante da realidade que Francisco se encontrou, inclusive aquela sem precedentes (ao menos nesses termos) da pandemia, a caracter\u00edstica imprescind\u00edvel do seu pontificado, confirmada tamb\u00e9m no Iraque, \u00e9 a <strong>fraternidade. O testemunho pessoal e eclesial de Bergoglio<\/strong>, seu magist\u00e9rio e o relacionamento, sobretudo, mas n\u00e3o somente, com o mundo mu\u00e7ulmano, j\u00e1 formam uma marca geopol\u00edtica. O encontro dele com o Grande Ayatollah <strong>Al-Sistani <\/strong><strong>tamb\u00e9m demonstrou isso. As implica\u00e7\u00f5es daqueles 45 minutos s\u00e3o fundamentais.<\/strong>  De fato, todos sabemos que o <strong>grande n\u00f3 que o isl\u00e3 deve desfazer hoje est\u00e1 dentro do seu mundo<\/strong>: a tens\u00e3o nunca aliviada, mas agora perigosamente intensificada entre os <strong>sunitas<\/strong> e <strong>xiitas<\/strong>. \u00c9 aqui que devem buscar as ra\u00edzes de muitos dos problemas que os mu\u00e7ulmanos vivem e tamb\u00e9m pelos quais muitos morrem. Bergoglio mostrou um grande tato pol\u00edtico ao querer se encontrar com Al-Sistani, o maior ponto de refer\u00eancia para os xiitas, bem distante da teocracia iraniana que desde a revolu\u00e7\u00e3o iraniana dos anos 1980, impulsionou o mundo iraniano a ser paladino dessa frente do caleidosc\u00f3pio mu\u00e7ulmano. Al-Sistani sempre ficou distante da escolha teocr\u00e1tica dos ayatollah iranianos e \u00e9 um l\u00edder espiritual e religioso reconhecido h\u00e1 uma d\u00e9cada. Entre outras coisas, nasceu no Ir\u00e3.  O encontro entre os dois ocorreu a portas fechadas, mas, como descreveu o Papa Francisco no voo de volta, foi <strong>um momento de espiritualidade<\/strong>, \u201cuma mensagem universal. Senti o dever, (&#8230;) de ir encontrar um dos grandes, um s\u00e1bio, <strong>um homem de Deus<\/strong>. E escutando-o se percebe isso. (&#8230;) E ele \u00e9 uma pessoa que tem aquela sabedoria&#8230; e tamb\u00e9m prud\u00eancia. (&#8230;) E ele foi muito respeitoso, muito respeitoso no encontro e eu me senti honrado. Inclusive na hora de cumprimentar: ele nunca se levanta, mas se levantou para me cumprimentar, duas vezes. \u00c9 <strong>um homem humilde e s\u00e1bio<\/strong>. Esse encontro fez bem \u00e0 minha alma. \u00c9 uma luz\u201d.  Mais tarde, Bergoglio arriscou uma opini\u00e3o que talvez nenhum papa tenha tido a coragem de exprimir no passado: \u201c<strong>Esses s\u00e1bios est\u00e3o por toda parte, porque a sabedoria de Deus foi espalhada pelo mundo inteiro. Acontece o mesmo com os santos, que n\u00e3o s\u00e3o somente aqueles que est\u00e3o nos altares. S\u00e3o os santos de todos os dias, aqueles que eu chamo \u2018da porta lateral\u2019<\/strong>, os santos \u2013 homens e mulheres \u2013 que vivem sua f\u00e9, seja qual for, com coer\u00eancia, que vivem os valores humanos com coer\u00eancia, a fraternidade com coer\u00eancia\u201d.  Tudo isso n\u00e3o passou desapercebido. Os <strong>coment\u00e1rios positivos<\/strong> choveram de v\u00e1rias partes, come\u00e7ando justamente pelo mundo mu\u00e7ulmano. Sayyid Jawad Mohammed Taqi <strong>Al-Khoei<\/strong>, secret\u00e1rio geral do Instituto Al-Khoei de Najaf, expoente de destaque do mundo xiita iraquiano e diretor do Instituto Al-Khoei de Najaf que faz parte do Hawza de Najaf, um semin\u00e1rio religioso fundado h\u00e1 quase mil anos para os estudiosos mu\u00e7ulmanos xiitas, foi muito claro ao expor sua opini\u00e3o.  \u201cApesar desse ser o primeiro encontro na hist\u00f3ria entre o chefe do <em>establishment<\/em> isl\u00e2mico xiita e o chefe da Igreja cat\u00f3lica, essa visita \u00e9 o fruto de muitos anos de trocas entre Najaf e Vaticano e sem d\u00favidas refor\u00e7ar\u00e1 nossas rela\u00e7\u00f5es inter-religiosas. Foi <strong>um momento hist\u00f3rico tamb\u00e9m para o Ir\u00e3<\/strong>.\u201d Al-Khoei confirmou o comprometimento em \u201ccontinuar a refor\u00e7ar nosso relacionamento como institui\u00e7\u00f5es e indiv\u00edduos. <strong>Logo, nos encontraremos no Vaticano para assegurar que este di\u00e1logo continue<\/strong>, se desenvolva e n\u00e3o pare aqui. O mundo deve enfrentar <strong>desafios comuns<\/strong> e esses desafios n\u00e3o podem ser resolvidos sozinhos por nenhum estado, institui\u00e7\u00e3o ou pessoa\u201d.  A ag\u00eancia <em>AsiaNews<\/em><em> tamb\u00e9m reportou alguns coment\u00e1rios positivos que apareceram na imprensa iraniana, que deu uma evid\u00eancia ampla e celebrou o encontro hist\u00f3rico como \u201c<strong>oportunidade de paz<\/strong>\u201d. A not\u00edcia foi o t\u00edtulo de abertura dos jornais cotidianos e \u00f3rg\u00e3os de informa\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica isl\u00e2mica. <\/em><em>Sazandegi<\/em>, uma publica\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pr\u00f3xima da ala reformista, sublinhou que os dois l\u00edderes religiosos s\u00e3o hoje \u201cos porta-bandeiras da paz mundial\u201d. E definiu o encontro deles na casa do l\u00edder espiritual xiita como \u201c<strong>o evento mais eficaz (na hist\u00f3ria) do di\u00e1logo entre as religi\u00f5es<\/strong>\u201d. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Roberto Catalano<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A caracter\u00edstica imprescind\u00edvel do pontificado do Papa Francisco, confirmada tamb\u00e9m no Iraque, \u00e9 a fraternidade. Seu testemunho pessoal e eclesial, seu magist\u00e9rio e o relacionamento com o mundo mu\u00e7ulmano j\u00e1 fazem da fraternidade uma marca geopol\u00edtica. 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