{"id":318230,"date":"2021-07-13T01:00:23","date_gmt":"2021-07-12T23:00:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/o-harpista-paraguaio\/"},"modified":"2024-05-15T21:12:42","modified_gmt":"2024-05-15T19:12:42","slug":"o-harpista-paraguaio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/o-harpista-paraguaio\/","title":{"rendered":"O harpista paraguaio"},"content":{"rendered":"<p><em>A m\u00fasica dele ecoava na sala do aeroporto entre a indiferen\u00e7a das pessoas. Um jogo de olhares e sorrisos. S\u00e3o os mist\u00e9rios dos relacionamentos bons, capazes de gerar reciprocidade. Pequenos gestos que lhe fazem compartilhar algo com o pr\u00f3ximo e se sentir parte de uma mesma humanidade.<\/em>  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-243151 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/aeroporto-Asuncio\u0300n-614x340.jpeg\" alt=\"\" width=\"332\" height=\"184\" \/>Eu estava voltando ao Paraguai depois de ter passado muitos anos na Europa. E me comovi quando entrevi a terra vermelha e o verde, t\u00e3o t\u00edpicos, enquanto o avi\u00e3o come\u00e7ava a descida para a aterrissagem. O aeroporto internacional, Silvio Pettirossi, n\u00e3o tinha mudado muito. A primeira sensa\u00e7\u00e3o, ao sair do avi\u00e3o, foi o calor sufocante que me trazia lembran\u00e7as distantes e muito amadas. Acolhi a falta de ar como um abra\u00e7o caloroso de tantas pessoas queridas que encontraria.  <img alt=\"\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-243149 alignright\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/arpista-paraguaiano-454x340.jpeg\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"257\" \/>Enquanto esperava a minha bagagem na grande sala reservada para as partidas e chegadas, na \u00e1rea de pegar as malas, onde tem o duty free e um bar, meus ouvido foram invadidos pelas notas maravilhosas de uma harpa paraguaia. Procurei a origem da m\u00fasica. E l\u00e1 estava: sentado na frente do bar, meio que abra\u00e7ado ao seu grande instrumento musical, um homem de semblante sereno e tra\u00e7os ind\u00edgenas: o harpista paraguaio. Sua m\u00fasica ecoava pela sala, enchendo-a de harmonia e notas alegres de uma polca paraguaia. Fui tocado pela discri\u00e7\u00e3o dele e pela indiferen\u00e7a das pessoas, como se estivessem habituadas \u00e0 m\u00fasica do harpista. Como se fizesse parte do cen\u00e1rio, como o bar, as lojas ou a \u00e1rea de pegar as malas.  O homem parecia conformado em tocar notas t\u00e3o bonitas sem que ningu\u00e9m \u2013 aparentemente \u2013 notasse a presen\u00e7a dele. Instintivamente, procurei nos bolsos e me lembrei de ter separado cinco d\u00f3lares para dar a quem, na sa\u00edda, se oferecesse (geralmente algum garoto) para levar minha mala at\u00e9 o carro que viria me buscar. Aproximei-me do harpista discretamente, o olhei com gratid\u00e3o, e deixei os cinco d\u00f3lares no chap\u00e9u que estava diante dele, com o temor de ferir a sua sensibilidade, consciente de que aquela m\u00fasica valia muito mais. Foi um gesto simples, mas o fiz com a inten\u00e7\u00e3o de agradec\u00ea-lo e reconhecer o talento dele, tamb\u00e9m em nome de quem n\u00e3o o notava.  Passaram-se tr\u00eas semanas inesquec\u00edveis, cheias de encontros com pessoas t\u00e3o amadas e&#8230; me vi na mesma sala do aeroporto, dessa vez, por\u00e9m, esperando o avi\u00e3o que me levaria de volta a Montevideo, onde eu morava. Ainda estava me despedindo dos meus amigos que, pelo vidro, via que continuavam acenando, quando meus ouvidos foram surpreendidos pelas notas de&#8230; La cumparsita! O tango que ganhou popularidade gra\u00e7as \u00e0 incompar\u00e1vel voz de Carlos Gardel.  Mas o que estava acontecendo? Est\u00e1vamos no Paraguai, onde se executa e se escuta m\u00fasica paraguaia. De onde vinham as notas daquele tango? Procurei com os olhos j\u00e1 com um palpite. E estava ali, na frente do bar, sentado com a sua insepar\u00e1vel harpa, me olhando com um sorriso c\u00famplice, como se dissesse: \u201cGostou da surpresa?\u201d. Respondi: \u201cEstou muito contente\u201d, com outro sorriso c\u00famplice, mas o olhar interrogador, perguntando como havia me reconhecido \u2013 entre as tantas pessoas que passam por aquela sala \u2013, e ainda como havia adivinhado que eu sou argentino!  S\u00e3o os mist\u00e9rios dos relacionamentos bons, capazes de gerar reciprocidade. S\u00e3o pequenos gestos que lhe fazem compartilhar algo com o pr\u00f3ximo e se sentir parte de uma mesma humanidade. Desde ent\u00e3o, todas as vezes que me v\u00ea entrar na sala de chegadas e partidas, com a \u00e1rea de pegar as malas e o duty free&#8230; interrompe sua polca e come\u00e7a a tocar um tango sempre diferente, dedicado ao seu amigo argentino. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Gustavo E. Clari\u00e1<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00fasica dele ecoava na sala do aeroporto entre a indiferen\u00e7a das pessoas. Um jogo de olhares e sorrisos. 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