{"id":318248,"date":"2021-07-26T01:00:38","date_gmt":"2021-07-25T23:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-familia-e-o-futuro\/"},"modified":"2024-05-15T21:12:45","modified_gmt":"2024-05-15T19:12:45","slug":"a-familia-e-o-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-familia-e-o-futuro\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia \u00e9 o futuro"},"content":{"rendered":"<p><em>Trecho do discurso de Chiara Lubich feito em Lucerna (Su\u00ed\u00e7a) em 16 de maio de 1999, por ocasi\u00e3o do 19\u00b0 Congresso Internacional para a fam\u00edlia.<\/em>  Se observarmos a situa\u00e7\u00e3o internacional da sociedade que nos circundaque nso circunda, essas breves reflex\u00f5es sobre o que \u00e9 e deveria ser o que \u00e9 e o que a fam\u00edlia, o que \u00e9 e o que poderia ser, podem parecer uma ing\u00eanua utopia. O mundo ocidental foi invadido por uma cultura individualista, preocupada sobretudo em classificar e valorizar o homem e a mulher segundo as necessidades e o consumo. [\u2026] Em um contexto cultural marcado pelo individualismo e pela busca do lucro, a fam\u00edlia se tornou muito fr\u00e1gil. E s\u00e3o sobretudo as fam\u00edlias socialmente marginalizadas que se desintegram\u00bb*. [\u2026]  Diante do grande mist\u00e9rio da dor, ficamos desorientados. Existe na B\u00edblia um \u00e1pice de dor, expresso atrav\u00e9s de um \u201cpor qu\u00ea\u201d gritado\u00a0 ao C\u00e9u. O evangelista Mateus o menciona, narrando a morte de Jesus: \u00ab\u00c0s tr\u00eas horas Jesus grita em alta voz: \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d\u00bb (<em>Mt <\/em>27, 46). [\u2026] Naquele abandono, sinal \u00faltimo e maior do seu amor, Cristo atinge a extrema anula\u00e7\u00e3o de si mesmo e reabre aos homens o caminho da unidade com Deus e entre eles. Naquele \u201cpor qu\u00ea?\u201d, que ficou para Ele sem resposta, todo grito do homem encontra resposta. N\u00e3o \u00e9 semelhante a ele o angustiado, o s\u00f3, o fracassado, o condenado? N\u00e3o \u00e9 uma imagem Dele cada divis\u00e3o familiar, entre grupos e entre povos? N\u00e3o \u00e9 a figura de Jesus abandonado quem perde, por assim dizer, o sentido de Deus e de seu des\u00edgnio sobre a humanidade, ou quem n\u00e3o acredita mais no amor e aceita em seu lugar qualquer substituto? N\u00e3o existe trag\u00e9dia humana nem fracasso familiar que n\u00e3o estejam contidos na escurid\u00e3o do Homem-Deus.  [\u2026] Por meio daquele vazio, daquele nada, voltou a jorrar a gra\u00e7a, a vida de Deus ao homem. Cristo refez a unidade entre Deus e a Cria\u00e7\u00e3o, recomp\u00f4s o des\u00edgnio, fez homens novos e, por conseguinte, fam\u00edlias tamb\u00e9m novas.  [\u2026] O grande evento do sofrimento e do abandono do Homem-Deus pode, portanto, tornar-se o ponto de refer\u00eancia e a fonte secreta capaz de transformar a morte em ressurrei\u00e7\u00e3o, os limites em ocasi\u00f5es para amar, as crises familiares em etapas de crescimento. Como?  [\u2026] \u00a0Se acreditarmos que por tr\u00e1s da trama da exist\u00eancia est\u00e1 Deus com o seu amor e se, fortalecidos por esta f\u00e9, percebermos nos pequenos e grandes sofrimentos do dia a dia, nossos e dos outros, um aspecto da dor de Cristo crucificado e abandonado, uma participa\u00e7\u00e3o na dor que redimiu o mundo, ser\u00e1 poss\u00edvel compreendermos o significado e a perspectiva at\u00e9 mesmo das situa\u00e7\u00f5es mais absurdas.  [\u2026] Podemos contar duas experi\u00eancias emblem\u00e1ticas:  Claudette, uma jovem esposa francesa, foi abandonada pelo marido. Tinha um filho de um ano. O ambiente fechado do interior e da sua fam\u00edlia leva-a a pedir o div\u00f3rcio. Neste meio tempo conheceu um casal que lhe falou de um Deus que est\u00e1 perto de quem sofre: \u00abJesus a ama \u2013 disseram-lhe \u2013; tamb\u00e9m ele, como voc\u00ea, foi tra\u00eddo e abandonado; nele voc\u00ea pode encontrar a for\u00e7a para amar e perdoar\u00bb. Lentamente vai desaparecendo nela o ressentimento e come\u00e7ou a mudar de atitude. Tamb\u00e9m o seu marido notou a mudan\u00e7a, porque quando se encontraram diante do juiz para a primeira audi\u00eancia, Claudette e Louren\u00e7o se olham de modo novo. Aceitaram refletir por seis meses. Voltaram a se encontrar e quando o juiz os convocou para decretar o div\u00f3rcio, eles responderam \u00abn\u00e3o\u00bb, e desceram as escadas do tribunal de m\u00e3os dadas. O nascimento de outras duas filhas deu muita alegria a um amor que na dor colocou ra\u00edzes profundas.  E ainda. Uma bela fam\u00edlia, exatamente da Su\u00ed\u00e7a, uma noite recebeu do pr\u00f3prio filho a not\u00edcia de que era dependente de drogas. Tentam trat\u00e1-lo, mas \u00e9 em v\u00e3o. Um dia ele n\u00e3o voltou mais para casa. Sentimentos de culpa, medo, impot\u00eancia e vergonha nos pais. Mas era o encontro com Jesus abandonado, em uma t\u00edpica chaga da nossa sociedade. Eles o abra\u00e7aram nesse sofrimento e tiveram a impress\u00e3o de compreender que o amor verdadeiro \u201cse faz um\u201d com o outro, entra na sua realidade&#8230; Os pais se abriram \u00e0 solidariedade e organizaram um grupo de fam\u00edlias que distribu\u00edam lanches aos jovens em uma pra\u00e7a de Zurique que, na \u00e9poca, representava o inferno da droga. L\u00e1 um dia reencontraram o pr\u00f3prio filho desfigurado, destru\u00eddo. Com a ajuda tamb\u00e9m de outras fam\u00edlias, foi poss\u00edvel come\u00e7ar e percorrer o seu longo caminho de recupera\u00e7\u00e3o.  [\u2026] \u00c0s vezes, os traumas se resolvem, as fam\u00edlias se unem novamente, \u00e0s vezes n\u00e3o. As situa\u00e7\u00f5es externas permanecem como antes, mas a dor \u00e9 iluminada, a ang\u00fastia \u00e9 serenada, a fratura \u00e9 superada. \u00c0s vezes, o sofrimento f\u00edsico ou espiritual permanece, mas adquire um sentido, quando se une o pr\u00f3prio sofrimento \u00e0 Paix\u00e3o de Cristo, que continua redimindo e salvando as fam\u00edlias e a humanidade. E ent\u00e3o o jugo se torna suave.  A fam\u00edlia pode tentar recompor-se no esplendor original do des\u00edgnio do Criador, abastecendo-se na fonte de amor que Cristo trouxe \u00e0 terra. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Chiara Lubich<\/em><\/p>\n<p> <em>Da Nuova Umanit\u00e0, 21 [1999\/5], 125, pp. 475-487<\/em>  *<em> Chiesa locale e famiglia<\/em> (CLEF), \u00abAgenzia di informazione e documentazione di pastorale familiare\u00bb, 13 (1995), 49, p. 15.  <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Extrait du discours de Chiara\u00a0Lubich \u00e0 Lucerne (Suisse) le 16\u00a0mai 1999, \u00e0 l\u2019occasion du 19\u00b0 Congr\u00e8s International pour la famille.<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-318248","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318248","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318248"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/318248\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}