{"id":318328,"date":"2021-10-05T01:00:39","date_gmt":"2021-10-04T23:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/a-sabedoria-dos-mansos\/"},"modified":"2024-05-15T21:13:00","modified_gmt":"2024-05-15T19:13:00","slug":"a-sabedoria-dos-mansos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/a-sabedoria-dos-mansos\/","title":{"rendered":"A sabedoria dos mansos"},"content":{"rendered":"<p><em>Lucia Abignente, uma focolarina italiana, recorda Anna Fratta (Doni) com quem compartilhou parte de seus anos na Pol\u00f4nia. Uma vida toda &#8220;Doada&#8221;, assim como o significado do nome dado a ela por Chiara Lubich.<\/em>  Um &#8220;abismo de humanidade&#8221;, &#8220;uma mestra de vida&#8221;, &#8220;uma pequena grande mulher&#8221;. Estes s\u00e3o tr\u00eas fragmentos dos muitos ecos que foram suscitados, em 24 de setembro de 2021, pela not\u00edcia do retorno \u00e0 casa do Pai de Anna Fratta, conhecida no Movimento dos Focolares como Doni.  Talvez, ao ouvi-los, ela se sentisse quase desconfort\u00e1vel, t\u00edmida como era diante de elogios e comedida em suas palavras, que, essenciais, eram uma destila\u00e7\u00e3o de sabedoria. Seu car\u00e1ter, fortalecido pelas experi\u00eancias de vida, a fez assim. A mais nova de seis filhos, Doni viveu uma inf\u00e2ncia que n\u00e3o era de modo algum desconhecida da dimens\u00e3o da dor, que se manifestou de maneira particularmente aguda com a morte de uma irm\u00e3. Profundas perguntas existenciais sobre o sentido da vida a questionavam mesmo quando crian\u00e7a, levando-a gradualmente a se distanciar de Deus e buscar respostas em outro lugar. Mais tarde, o estudo da Medicina, escolhido por causa desta rebeli\u00e3o, provou ser providencial. A Biologia a fascinou e influenciou sua jornada interior. Descobriu na natureza uma rela\u00e7\u00e3o de reciprocidade e servi\u00e7o que n\u00e3o conseguia explicar: uma lei de amor na raiz da qual &#8211; como ela entendeu uma noite &#8220;ap\u00f3s uma luta interior dolorosa e dram\u00e1tica&#8221; &#8211; existe &#8220;um Ser que tem amor em si mesmo&#8221;. Foi um momento decisivo seguido por um encontro com Deus no carisma de Chiara Lubich. Imediatamente, Doni sentiu que Deus a estava chamando para segui-lo no caminho do focolare.  Doni fez parte do grupo de m\u00e9dicos focolarinos que, aceitando o pedido da Igreja, foram viver por trinta anos (1962-1992), primeiro na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3 e depois na Pol\u00f4nia, trabalhando silenciosa e efetivamente para dar vida \u00e0 comunidade dos Focolares, cujo caminho e crescimento ela seguiu com admira\u00e7\u00e3o e gratid\u00e3o a Deus. Destas terras, marcadas pelo sofrimento da falta de liberdade e muitas vezes pela impossibilidade de contato com o Centro dos Focolares em Roma, ela encontrou-se mais tarde bem no centro, vivendo em Rocca di Papa (Roma-It\u00e1lia), no focolare de Chiara Lubich. Compartilhou com ela anos intensos e luminosos, cheios de eventos e compromissos em n\u00edvel mundial, acompanhando-a com dedica\u00e7\u00e3o e grande amor at\u00e9 ao \u00faltimo trecho de sua estada na Terra.  O plano de Deus para ela completou-se com sua s\u00e1bia contribui\u00e7\u00e3o como Conselheira-Geral do Movimento para o aspecto da &#8220;espiritualidade e vida de ora\u00e7\u00e3o&#8221; que, juntamente com sua doa\u00e7\u00e3o em acolher muitos &#8211; com Gis Calliari, Eli Folonari e outras das primeiras focolarinas &#8211; transmitiu a luz da vida cotidiana vivida com Chiara Lubich. E depois na pequena cidade de Loppiano (It\u00e1lia), para onde mudou-se por causa da doen\u00e7a incapacitante que lentamente reduziu suas capacidades f\u00edsicas.  Uma profunda coer\u00eancia interior vinculou suas a\u00e7\u00f5es: &#8220;O amor, voc\u00ea sabe, desarma; nosso discurso foi tal que todos puderam ouvi-lo, amigos e inimigos&#8221;, ela lembrava, consciente do cuidado particular com que, al\u00e9m do Muro, a Pol\u00edcia Secreta os seguiu. &#8220;Amor, amor, s\u00f3 amor e encher as malas com este amor, esta \u00e9 a \u00fanica coisa que levarei comigo&#8221;, escreveu nos seus \u00faltimos anos, enquanto se preparava para a \u201cviagem decisiva\u201d. N\u00e3o \u00e9 de se admirar, ent\u00e3o, que sua atividade profissional tenha merecido a estima das autoridades que, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Alem\u00e3, concederam-lhe tr\u00eas medalhas por seu trabalho e pelo &#8220;coletivo&#8221; constru\u00eddo. E \u00e9 ainda mais l\u00f3gico que sua vida tenha transmitido claramente o amor de Deus a muitas pessoas. Talvez o segredo esteja em sua rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e constante com Nossa Senhora, especialmente com ela que, desolada, abriu seu cora\u00e7\u00e3o e seus bra\u00e7os \u00e0 humanidade no sim do G\u00f3lgota. Dori procurou seguir o seu exemplo. Em 15 de setembro de 1962, pouco depois de atravessar o Muro de Berlim, escreveu: &#8220;Aqui voc\u00ea n\u00e3o tem nada em que se apoiar, e se voc\u00ea n\u00e3o olha sempre para Maria aos p\u00e9s da Cruz, voc\u00ea desmorona. H\u00e1 momentos em que voc\u00ea se sente como se estivesse sufocando, e tudo o que voc\u00ea pode fazer \u00e9 rezar a Maria. \u00c9 somente desta forma que pouco a pouco o vazio se torna plenitude e o sofrimento se transforma em paz. Estes s\u00e3o os momentos mais bonitos do dia, os mais preciosos, porque no sofrimento eu encontro uma rela\u00e7\u00e3o cada vez mais profunda e \u00edntima com Nossa Senhora, e atrav\u00e9s dela com todos os seus filhos&#8221;.  Foi este o segredo da fecundidade de sua vida, toda &#8220;Doada&#8221;, expressa no nome que lhe foi dado por Chiara Lubich. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Lucia<\/em><em> Abignente<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucia Abignente, uma focolarina italiana, recorda Anna Fratta (Doni) com quem compartilhou parte de seus anos na Pol\u00f4nia. 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