{"id":318348,"date":"2021-10-21T01:00:33","date_gmt":"2021-10-20T23:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/qual-e-o-sabor-da-felicidade\/"},"modified":"2024-05-15T21:13:03","modified_gmt":"2024-05-15T19:13:03","slug":"qual-e-o-sabor-da-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/qual-e-o-sabor-da-felicidade\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o sabor da felicidade?"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cTodas as vezes que fizestes isso a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.\u201d <\/em><em>(Mt 25:40). Esta \u00e9 a passagem evang\u00e9lica que ganha vida nesta experi\u00eancia narrada por Gustavo Clari\u00e0, um focolarino argentino que vive em Lima. Uma hist\u00f3ria que tem o sabor da alegria, a de pequenos gestos capazes de derrubar muros e fazer os outros felizes.<\/em>  A primeira vez que o vi, ele estava ali parado, im\u00f3vel, com algo em suas m\u00e3os que, \u00e0 dist\u00e2ncia, eu n\u00e3o conseguia entender bem. A m\u00e1scara dupla e um chap\u00e9u s\u00f3 permitiam um vislumbre de seus olhos. Aquele olhar mon\u00f3tono, perdido no vazio, tinha atra\u00eddo minha aten\u00e7\u00e3o completamente. Ele estava ali, parado, segurando algo que quando me aproximei, descobri que era uma caixa de bombons. N\u00e3o havia d\u00favida de que ele estava l\u00e1 para vend\u00ea-los, mas n\u00e3o fez nada, nem mesmo um gesto para oferec\u00ea-los. Eu o cumprimentei, mas n\u00e3o obtive resposta. Ao sair da missa o cumprimentei novamente, mas ainda sem sucesso. \u201cEste homem triste deve ter a minha idade\u201d, pensei, \u201ccomo a vida \u00e0s vezes parece injusta\u201d.  No entanto, Deus o ama imensamente assim como me ama. Eu prometi a mim mesmo que o cumprimentaria sempre, mas era isto realmente o que ele desejava? Afinal, ele estava l\u00e1 para fazer seu trabalho e obviamente esperava que algu\u00e9m percebesse. Eu decidi comprar algo. N\u00e3o tenho o h\u00e1bito de gastar com doces ou com\u00ea-los em qualquer momento, mas tive que come\u00e7ar de algum modo. Parei na frente dele e me interessei pela variedade de seus produtos como se estivesse em uma grande loja de doces. Ap\u00f3s cuidadosa considera\u00e7\u00e3o, escolhi um chocolate de menta. Paguei, agradeci-lhe e me despedi, sem despertar nele nenhuma rea\u00e7\u00e3o. A cena se repetiu do mesmo modo por v\u00e1rios dias.  Ap\u00f3s quase um m\u00eas de aus\u00eancia, voltei a assistir a missa na par\u00f3quia. Ele ainda estava l\u00e1, no mesmo lugar. Eu o saudei sem esperar nada, e com surpresa, apenas ele me reconheceu, um sorriso escapou de seus l\u00e1bios, como se estivesse feliz em rever-me. Quase n\u00e3o acreditei. Durante a missa, no momento da coleta das oferendas, procurando no meu bolso, encontrei uma moeda de 2 euros. Eu estava prestes a coloc\u00e1-lo na cesta quando pensei: \u201cJesus tamb\u00e9m se identifica com as pessoas que mais sofrem\u201d. Com dois euros eu posso comprar outro bombom. Na sa\u00edda, aproximei-me dele: &#8220;O que voc\u00ea tem para me oferecer hoje? Pela primeira vez ele me olhou e, com um gesto de cumplicidade, come\u00e7ou a procurar em sua caixa at\u00e9 encontrar o que queria que eu provasse: \u201cVoc\u00ea vai gostar, \u00e9 um chocolate com sabor de morango muito bom e custa 2 euros\u201d. N\u00e3o me pareceu real. Foi o di\u00e1logo mais longo do mundo. Ele havia proferido uma frase completa s\u00f3 para mim. Eu lhe agradeci muito por sua gentileza e me fui embora feliz. Mal posso esperar para v\u00ea-lo novamente para confirmar sua escolha: aquele chocolate de morango era realmente bom. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Gustavo E. Clari\u00e0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTodas as vezes que fizestes isso a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes.\u201d (Mt 25:40). Esta \u00e9 a passagem evang\u00e9lica que ganha vida nesta experi\u00eancia narrada por Gustavo Clari\u00e0, um focolarino argentino que vive em Lima. 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