{"id":318734,"date":"2022-10-13T12:40:12","date_gmt":"2022-10-13T10:40:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/60-anos-depois-do-vaticano-ii-sonhando-de-novo\/"},"modified":"2024-05-15T21:14:12","modified_gmt":"2024-05-15T19:14:12","slug":"60-anos-depois-do-vaticano-ii-sonhando-de-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/60-anos-depois-do-vaticano-ii-sonhando-de-novo\/","title":{"rendered":"60 Anos depois do Vaticano II: sonhando de novo"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 11 de outubro de 1962, foram abertos os trabalhos do Conc\u00edlio Vaticano II. Sessenta anos depois, uma reflex\u00e3o e uma vis\u00e3o deste acontecimento hist\u00f3rico e excepcional na vida da Igreja.<\/em>  &#8220;O Conc\u00edlio que est\u00e1 come\u00e7ando surge na Igreja como um dia brilhante da mais espl\u00eandida luz. Mal amanhece: mas como os primeiros raios do sol da primavera j\u00e1 est\u00e3o tocando nossas almas&#8221;!  Com estas palavras, o Papa Jo\u00e3o XXIII concluiu a solene celebra\u00e7\u00e3o na Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro em 11 de outubro de 1962, inaugurando uma nova era. Sessenta anos se passaram desde a abertura do <a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/index_it.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conc\u00edlio Vaticano II<\/a>, um Conc\u00edlio ecum\u00eanico, ou seja, universal, e um momento de grande comunh\u00e3o para enfrentar, \u00e0 luz do Evangelho, as novas quest\u00f5es colocadas pela hist\u00f3ria e responder \u00e0s necessidades do mundo.  O trabalho, realizado sucessivamente por Paulo VI, durou at\u00e9 dezembro de 1965 e apenas um m\u00eas antes do final do evento conciliar Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, escreveu: &#8220;Oh! Esp\u00edrito Santo, fazei-nos, atrav\u00e9s do que j\u00e1 sugeristes no Conc\u00edlio, uma Igreja viva: este \u00e9 o nosso \u00fanico anseio e todo o resto \u00e9 para isto\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.  Estas palavras foram fruto do crescente fervor que j\u00e1 animava os movimentos e as novas comunidades eclesiais pr\u00e9-conciliares; um sinal indel\u00e9vel daquela &#8220;circularidade hermen\u00eautica que, em virtude da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo na miss\u00e3o da Igreja, se estabelece entre o magist\u00e9rio de um Conc\u00edlio como o Vaticano II e a inspira\u00e7\u00e3o de um carisma como o da unidade\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.  Mas com que olhos, hoje, devemos olhar para este anivers\u00e1rio? Vincenzo Di Pilato, professor de Teologia Fundamental na Faculdade de Teologia da P\u00falia (It\u00e1lia), nos fala sobre isso.  <strong>Professor Di Pilato, que sonhos animaram o desejo de iniciar este Conselho?<\/strong> A partir da decis\u00e3o resoluta de convocar um Conc\u00edlio universal, em 25 de janeiro de 1959, \u00faltimo dia da Semana de Ora\u00e7\u00e3o pela Unidade dos Crist\u00e3os, o Papa Jo\u00e3o XXIII tentou explicar suas inten\u00e7\u00f5es usando termos que hoje se tornaram altamente significativos, tais como: <em>atualiza\u00e7\u00e3o, sinais dos tempos, reforma, miseric\u00f3rdia, unidade<\/em>. Nos meses que antecederam a abertura do Conc\u00edlio, o Papa esperava que fosse uma epifania do Senhor (cf. Ex. ap. <em>Sacrae Laudis<\/em>, 6 de janeiro de 1962), o que levaria Roma a tornar-se uma nova Bel\u00e9m. Bispos de todo o mundo, como fizeram os Reis Magos, viriam a adorar Jesus no meio de sua Igreja. Roncalli sonhava com uma Igreja sinodal, uma Igreja que sa\u00edsse &#8220;do recinto fechado de seus cen\u00e1culos&#8221; (10 de junho de 1962); uma &#8220;Igreja de todos, especialmente dos pobres&#8221; (11 de setembro de 1962) porque o &#8220;prop\u00f3sito&#8221; do Conc\u00edlio coincidia com o da Encarna\u00e7\u00e3o e Reden\u00e7\u00e3o, ou seja, &#8220;a uni\u00e3o do c\u00e9u com a terra&#8230; em todas as formas de vida social&#8221; (4 de outubro de 1962).  <strong>Por que fazer hoje uma pausa para refletir sobre este anivers\u00e1rio?<\/strong> N\u00e3o \u00e9 um anivers\u00e1rio como qualquer outro, mas a ocasi\u00e3o imperd\u00edvel para uma consci\u00eancia renovada de um tempo de gra\u00e7as especiais. A Igreja &#8211; talvez um pouco sobrecarregada por seus dois mil anos &#8211; \u00e9 encorajada a voltar a &#8220;sonhar&#8221;, isto \u00e9, a reviver ainda hoje esse acontecimento no Esp\u00edrito do Ressuscitado, com a certeza de que Ele est\u00e1 aqui e estar\u00e1 &#8220;at\u00e9 o fim do mundo&#8221; (Mt 28,20). O que mais poderia significar o processo sinodal transmitido pelo Papa Francisco se n\u00e3o o de perpetuar o Pentecostes em todos os tempos e lugares? Al\u00e9m disso, no per\u00edodo antes e, sobretudo, depois do Conc\u00edlio, a vitalidade crescente de novos movimentos, como o Movimento dos Focolares e outras agrega\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is e comunidades eclesiais, fomentou uma maior compreens\u00e3o do princ\u00edpio da co-essencialidade entre as dimens\u00f5es institucional e carism\u00e1tica da Igreja. \u00c9 importante lembrar esta sinergia do Esp\u00edrito que garante que a Igreja nunca seja deixada sozinha diante dos imensos desafios que surgem de tempos em tempos no caminho da hist\u00f3ria. Em uma palavra: a Igreja \u00e9 o lugar da fraternidade onde come\u00e7a o Reino de Deus, cujos limites v\u00e3o para muito al\u00e9m dos limites vis\u00edveis da pr\u00f3pria Igreja.  <strong>A &#8220;corresponsabilidade&#8221; dos leigos na Igreja, uma palavra que pode ser rastreada at\u00e9 o Conc\u00edlio, \u00e9 um caminho que ainda est\u00e1 aberto&#8230;<\/strong> Sim, certamente \u00e9 um discurso em gesta\u00e7\u00e3o, e equivale a reconhecer a igualdade fundamental de todos os batizados; a rever a rela\u00e7\u00e3o presb\u00edteros-leigos; a apreciar a circularidade das voca\u00e7\u00f5es; a implementar todas as estruturas de comunh\u00e3o e formas de sinodalidade j\u00e1 poss\u00edveis; a focalizar a colegialidade episcopal e no pr\u00f3prio presbit\u00e9rio (entre o clero e com o bispo); descobrir a co-essencialidade dos minist\u00e9rios e carismas; promover a plena reciprocidade homem-mulher na Igreja; engajar-se no di\u00e1logo ecum\u00eanico e inter-religioso; abrir-se em uma rela\u00e7\u00e3o autenticamente dial\u00f3gica com o mundo ao redor, com a(s) cultura(s), aumentando a capacidade e a disposi\u00e7\u00e3o para escutar, que a familiaridade com Cristo nos d\u00e1 e nos refina; promover novas tentativas de dar vida a pequenas e animadas comunidades locais. Em uma palavra: deixar Cristo emergir n\u00e3o apenas no que dizemos, mas nas rela\u00e7\u00f5es que constru\u00edmos com cada pr\u00f3ximo e em todos os n\u00edveis. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Maria Grazia Berretta<\/em><\/p>\n<p> <span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> C. Lubich, <em>Una nuova Pentecoste<\/em>, do <em>di\u00e1rio<\/em>, 11 de novembro de 1965, em<em> La Chiesa<\/em>, por B. Leahy e H. Blaumeiser, Citt\u00e0 Nuova, Roma 2018, p. 69.<\/span> <span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Piero Coda, por ocasi\u00e3o do Simp\u00f3sio \u201cO Conc\u00edlio Vaticano II e o carisma da Unidade de Chiara Lubich\u201d, Floren\u00e7a, 11-12 de mar\u00e7o de 2022<\/span>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 11 de outubro de 1962, foram abertos os trabalhos do Conc\u00edlio Vaticano II. 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