{"id":319016,"date":"2023-12-06T03:00:50","date_gmt":"2023-12-06T02:00:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/uma-aventura-de-80-anos\/"},"modified":"2024-05-15T21:15:03","modified_gmt":"2024-05-15T19:15:03","slug":"uma-aventura-de-80-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/uma-aventura-de-80-anos\/","title":{"rendered":"Uma aventura de 80 anos"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 7 de dezembro de 1943, em Trento (It\u00e1lia), Chiara Lubich pronunciou o seu sim a Deus: um sim que, com o tempo, se multiplicou, gerando uma fam\u00edlia numerosa, a do Movimento dos Focolares, composta por pessoas de todos os continentes, idades, culturas e voca\u00e7\u00f5es. <\/em>  N\u00e3o foi um voto, foi um \u201cvoo\u201d. Um voo ousado como o de Charles Lindbergh quando, pela primeira vez, sobrevoou o Atl\u00e2ntico sem parar. \u201cVoc\u00ea encontrou a sua voca\u00e7\u00e3o?\u201d, foi a pergunta que o sacerdote lhe fez, vendo-a regressar radiante do santu\u00e1rio de Loreto que preserva a casa de Nazar\u00e9. \u201cSim\u201d, ela responde com simplicidade. \u201cVoc\u00ea vai se casar?\u201d. \u201cN\u00e3o\u201d. \u201cVoc\u00ea vai para um convento?\u201d. \u201cN\u00e3o\u201d. \u201cVoc\u00ea vai permanecer virgem no mundo?\u201d. \u201cN\u00e3o\u201d. O sacerdote, desnorteado, n\u00e3o tinha alternativas a propor. E ent\u00e3o? Era uma quarta estrada, aquela que Chiara Lubich vislumbrava diante de si. Qual? Nem mesmo ela sabia bem, era um novo caminho a ser percorrido, com aud\u00e1cia e coragem.  Passam-se alguns anos. Ela percebe uma voz dentro dela que lhe pede: \u201cDoe-se inteiramente a mim\u201d. Como? Onde? N\u00e3o tem import\u00e2ncia, s\u00f3 precisa responder a essa voz. A simples ideia de entregar-se completamente a Deus a preenche de alegria. \u201cSe voc\u00ea seguir por este caminho n\u00e3o ter\u00e1 uma fam\u00edlia, alega o sacerdote, n\u00e3o ter\u00e1 filhos, ficar\u00e1 sozinha no mundo&#8230;\u201d. Sozinha? Enquanto houver um sacr\u00e1rio na terra \u2013 diz Chiara a si mesma \u2013 nunca ficarei s\u00f3. Jesus n\u00e3o prometeu cem m\u00e3es, cem irm\u00e3os e cem filhos para aqueles que deixam tudo para segui-Lo? Mas naquele momento Chiara n\u00e3o pensa naquilo que deixaria ou receberia em troca. Sabe apenas que quer desposar Deus.  O sacerdote percebe que, embora aquela jovem tenha apenas 23 anos, ela poderia levantar um voo t\u00e3o ousado:\u00a0 \u00e9 muito determinada, sabe o que quer. Ele combina um encontro com ela na capela do <em>collegetto<\/em>. Por\u00e9m, ele recomenda, \u201cvoc\u00ea passar\u00e1 a noite em ora\u00e7\u00e3o\u201d, como uma vig\u00edlia de reflex\u00e3o feita pelas novi\u00e7as, como era costume na \u00e9poca. No seu quarto, Chiara pega o crucifixo da fam\u00edlia, beija-o e come\u00e7a a conversar com ele. Pouco depois a sua respira\u00e7\u00e3o se condensa na imagem de Jesus e ela adormece&#8230;  De manh\u00e3 cedo ela veste o seu vestido mais bonito. Os pobres \u2013 Chiara era pobre \u2013 t\u00eam sempre um vestido que usam nas festas. Fora, a tempestade, como se algu\u00e9m quisesse impedi-la de dar um passo t\u00e3o imprudente. Ela enfrenta o vento e a chuva, determinada. Na igrejinha ela est\u00e1 novamente envolvida pelo sil\u00eancio. A missa, a comunh\u00e3o, o seu sim total, completo, para sempre. Uma l\u00e1grima cai, porque sabe que uma ponte desaba atr\u00e1s de si, ela nunca mais poderia voltar atr\u00e1s. Mas h\u00e1 uma vida inteira pela frente. Ela desposou Deus e pode esperar tudo Dele. Era o dia 7 de dezembro de 1943.  80 anos se passaram. Chiara Lubich n\u00e3o ficou sozinha. O Esposo a fez viajar com Ele, abrindo-lhe o Para\u00edso e tornando-a participante das suas maravilhas, como ela mesma exclamar\u00e1 mais tarde: \u00abEsposo meu dulc\u00edssimo, belo demais \u00e9 o C\u00e9u e Tu, como um divino Amante, depois das M\u00edsticas N\u00fapcias\u2026, me mostras as tuas posses que s\u00e3o minhas! (&#8230;) Meu Deus, mas por qu\u00ea? Por que a mim tanto? Por que tanta Luz e tanto Amor?\u00bb. Chiara n\u00e3o ficou sozinha. Ao seu redor nasceu uma fam\u00edlia numerosa, composta por homens e mulheres de todos os continentes, de todas as voca\u00e7\u00f5es, de muitas culturas e religi\u00f5es. O seu sim foi fecundo, porque Deus nunca se deixa vencer pela generosidade.  Ap\u00f3s 80 anos, esse \u201csim\u201d se multiplicou e ainda ressoa hoje de mil maneiras. As tempestades se desencadeiam, o futuro parece incerto, o \u201cvoo\u201d pode assemelhar-se a um salto no escuro, o medo paralisa\u2026No entanto, aquela voz continua a ser ouvida por muitos, ora suavemente, ora com for\u00e7a: \u201cDoe-se inteiramente a Mim, doe-se inteiramente&#8230;\u201d. Como? Cada um vai descobrindo aos poucos, mas todo chamado exige um imediato e generoso sim. Pode ser um sim hesitante e t\u00edmido ou decisivo, um sim pequeno, pequeno ou grande, grande&#8230; \u00c9 suficiente que seja um sim sincero, aut\u00eantico. Assim Deus continua a estar presente no mundo e a construir a sua hist\u00f3ria que florescer\u00e1 no Reino dos c\u00e9us. <\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Padre Fabio Ciardi, OMI<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 7 de dezembro de 1943, em Trento (It\u00e1lia), Chiara Lubich pronunciou o seu sim a Deus: um sim que, com o tempo, se multiplicou, gerando uma fam\u00edlia numerosa, a do Movimento dos Focolares, composta por pessoas de todos os continentes, idades, culturas e voca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-319016","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319016","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=319016"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/319016\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=319016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=319016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=319016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}