{"id":333142,"date":"2014-11-28T04:39:23","date_gmt":"2014-11-28T03:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/dezembro-2014\/"},"modified":"2024-05-16T15:22:41","modified_gmt":"2024-05-16T13:22:41","slug":"dezembro-2014","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/dezembro-2014\/","title":{"rendered":"Dezembro 2014"},"content":{"rendered":"<p><p>Neste per\u00edodo de Advento, o tempo que nos prepara para o Natal, nos \u00e9 proposta a figura de Jo\u00e3o Batista. Ele tinha sido mandado por Deus a preparar os caminhos para a vinda do Messias, e exigia uma profunda mudan\u00e7a de vida de todos os que acorriam: \u201cProduzi frutos que mostrem vossa convers\u00e3o\u201d (<em>Lc<\/em> 3,8).<br \/> E \u00e0queles que lhe perguntavam: \u201cQue devemos fazer?\u201d (<em>Lc<\/em> 3,10), ele respondia:<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080\">\u201cQuem tiver duas t\u00fanicas, d\u00ea uma a quem n\u00e3o tem; e quem tiver comida, fa\u00e7a o mesmo!\u201d<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Por que devo dar ao outro algo do que me pertence? Porque o outro, criado por Deus como eu, \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3; portanto, \u00e9 parte de mim. \u201cN\u00e3o te posso machucar sem me ferir\u201d, dizia Gandhi. Fomos criados como dom, um para o outro, \u00e0 imagem de Deus que \u00e9 Amor. Temos a lei divina do amor inscrita no nosso sangue. Jesus, vindo habitar entre n\u00f3s, revelou-nos isso com clareza quando nos deu o seu mandamento novo: \u201cAmai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d (cf. <em>Jo<\/em> 13,34). \u00c9 a \u201clei do C\u00e9u\u201d, a vida da Sant\u00edssima Trindade trazida \u00e0 terra, o cora\u00e7\u00e3o do Evangelho. Assim como no C\u00e9u o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo vivem na comunh\u00e3o plena a tal ponto que s\u00e3o uma s\u00f3 coisa (cf. <em>Jo<\/em> 17,11), tamb\u00e9m na terra n\u00f3s realizamos o nosso eu na medida em que vivemos a reciprocidade do amor. E assim como o Filho diz ao Pai: \u201cTudo o que \u00e9 meu \u00e9 teu, e tudo o que \u00e9 teu \u00e9 meu\u201d (<em>Jo<\/em> 17,10), assim tamb\u00e9m entre n\u00f3s o amor \u00e9 atuado em plenitude l\u00e1 onde se compartilham n\u00e3o s\u00f3 os bens espirituais, mas tamb\u00e9m os bens materiais.<br \/> As necessidades de um pr\u00f3ximo nosso s\u00e3o como se fossem necessidades de todos. Algu\u00e9m est\u00e1 desempregado? Sou eu que estou. Algu\u00e9m est\u00e1 com a m\u00e3e doente? Vou ajudar como se fosse a minha m\u00e3e. Existe gente com fome? \u00c9 como se eu estivesse com fome: vou tentar providenciar comida para eles como faria para mim mesmo.<br \/> Foi a experi\u00eancia dos primeiros crist\u00e3os de Jerusal\u00e9m: \u201cA multid\u00e3o dos fi\u00e9is era um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma. Ningu\u00e9m considerava suas as coisas que possu\u00eda, mas tudo entre eles era posto em comum\u201d (<em>At<\/em> 4,32). Comunh\u00e3o de bens que, embora n\u00e3o sendo obrigat\u00f3ria, era de fato vivida intensamente entre eles. N\u00e3o se tratava, como haveria de explicar o ap\u00f3stolo Paulo, de \u201cp\u00f4r em aperto uns para aliviar os outros\u201d, mas \u201co que se deseja \u00e9 que haja igualdade\u201d (<em>2Cor<\/em> 8,13).<br \/> S\u00e3o Bas\u00edlio de Cesareia diz: \u201cAo faminto pertence o p\u00e3o que tu ret\u00e9ns. Ao homem nu, o manto que tu guardas nos teus cofres; ao miser\u00e1vel, o dinheiro que guardas escondido\u201d.<br \/> E Santo Agostinho: \u201cAquilo que \u00e9 sup\u00e9rfluo para os ricos pertence aos pobres\u201d.<br \/> \u201cTamb\u00e9m os pobres t\u00eam a possibilidade de se ajudarem uns aos outros: um pode colocar suas pernas a servi\u00e7o do que \u00e9 aleijado; o outro, seus olhos, para guiar o que \u00e9 cego; um outro, ainda, pode visitar os doentes\u201d.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080\">\u201cQuem tiver duas t\u00fanicas, d\u00ea uma a quem n\u00e3o tem; e quem tiver comida, fa\u00e7a o mesmo!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m hoje podemos viver como os primeiros crist\u00e3os. O Evangelho n\u00e3o \u00e9 uma utopia. \u00c9 o que demonstram, por exemplo, os novos Movimentos Eclesiais que o Esp\u00edrito Santo suscitou na Igreja para fazer reviver, com exuber\u00e2ncia, o radicalismo evang\u00e9lico dos primeiros crist\u00e3os e para responder aos grandes desafios da sociedade de hoje, na qual s\u00e3o t\u00e3o marcantes as injusti\u00e7as e a pobreza.<br \/> Lembro-me dos primeiros tempos do Movimento dos Focolares, quando o novo carisma infundia nos nossos cora\u00e7\u00f5es um amor muito especial pelos pobres. Quando os encontr\u00e1vamos na rua, tom\u00e1vamos nota de seus endere\u00e7os numa caderneta, para depois irmos visit\u00e1-los e ajud\u00e1-los; para n\u00f3s, eram Jesus: \u201cFoi a mim que o fizestes\u201d (<em>Mt<\/em> 25,40). Depois de t\u00ea-los visitado nos seus barracos, n\u00f3s os convid\u00e1vamos para almo\u00e7ar em nossas casas. Para eles coloc\u00e1vamos a toalha mais bonita, os melhores talheres, os alimentos mais selecionados. No primeiro focolare sentavam-se \u00e0 nossa mesa uma focolarina e um pobre, uma focolarina e um pobre&#8230;<br \/> A um certo ponto pareceu-nos que o Senhor pedisse a n\u00f3s mesmas que nos fiz\u00e9ssemos pobres para podermos servir os pobres e a todos. Ent\u00e3o, cada uma de n\u00f3s colocou no meio de um quarto, no primeiro focolare, aquilo que considerava ser-lhe sup\u00e9rfluo: uma blusa, um par de luvas, um chap\u00e9u, at\u00e9 mesmo um casaco de pele&#8230; E hoje, para ajudar os pobres, temos at\u00e9 empresas que oferecem empregos e que cedem seus lucros para serem distribu\u00eddos!<br \/> Mas sempre h\u00e1 muito ainda a fazer pelos \u201cpobres\u201d.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #008080\">\u201cQuem tiver duas t\u00fanicas, d\u00ea uma a quem n\u00e3o tem; e quem tiver comida, fa\u00e7a o mesmo!\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Temos muitas riquezas a serem colocadas em comum, mesmo que n\u00e3o pare\u00e7a. Temos sensibilidades a aprimorar e conhecimentos a adquirir para podermos ajudar concretamente, para encontrarmos o modo de viver a fraternidade. Temos afeto no cora\u00e7\u00e3o a ser dado, cordialidade a ser manifestada, alegria a ser comunicada. Dispomos de tempo a ser colocado \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o, ora\u00e7\u00f5es, riquezas interiores a serem colocadas em comum, falando ou escrevendo; mas \u00e0s vezes temos tamb\u00e9m objetos, bolsas, canetas, livros, dinheiro, casas, carros que podemos colocar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o&#8230; Talvez estejamos acumulando muitas coisas com a ideia de que um dia elas nos poder\u00e3o ser \u00fateis, enquanto ao nosso lado est\u00e1 algu\u00e9m que precisa delas com urg\u00eancia.<br \/> Assim como cada planta absorve da terra somente a \u00e1gua de que necessita, assim tamb\u00e9m n\u00f3s procuramos ter somente aquilo de que precisamos. E \u00e9 at\u00e9 melhor que de vez em quando percebamos que nos falta alguma coisa: \u00e9 melhor sermos um pouquinho pobres do que um pouquinho ricos.<br \/> \u201cSe cada um conservasse apenas o necess\u00e1rio\u201d, dizia s\u00e3o Bas\u00edlio, \u201ce dedicasse o sup\u00e9rfluo aos indigentes, n\u00e3o haveria mais nem ricos nem pobres\u201d (<em>Pobreza e riqueza<\/em>, Cidade Nova, S\u00e3o Paulo, 1989, p. 7).<br \/> Vamos experimentar, vamos come\u00e7ar a viver assim! Com certeza Jesus n\u00e3o deixar\u00e1 de nos mandar o c\u00eantuplo, e assim teremos a possibilidade de continuar doando. No fim, Ele nos dir\u00e1 que tudo aquilo que tivermos doado, seja a quem for, foi a Ele que doamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Chiara Lubich<\/strong><br \/> <em>Este coment\u00e1rio \u00e0 Palavra de Vida foi publicado originalmente em dezembro de 2003.<\/em><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuem tiver duas t\u00fanicas, d\u00ea uma a quem n\u00e3o tem; e quem tiver comida, fa\u00e7a o mesmo!\u201d (Lc 3,11)<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3160,129],"tags":[],"class_list":["post-333142","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-palavra-de-vida-pt-pt","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333142","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333142"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333142\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333142"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333142"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333142"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}