{"id":333174,"date":"2014-12-10T04:00:17","date_gmt":"2014-12-10T03:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/justica-um-exercicio-continuo\/"},"modified":"2024-05-16T15:22:49","modified_gmt":"2024-05-16T13:22:49","slug":"justica-um-exercicio-continuo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/justica-um-exercicio-continuo\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a, um exerc\u00edcio cont\u00ednuo"},"content":{"rendered":"<p><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-115783 size-large\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/20141210-01-210x97.jpg\" alt=\"20141210-01\" width=\"210\" height=\"97\" \/>\u201c<strong>Eu trabalho no \u00e2mbito da justi\u00e7a penal<\/strong> h\u00e1 vinte anos, na prov\u00edncia de Santa F\u00e9. O meu trabalho n\u00e3o \u00e9 um bom cart\u00e3o de visita na <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/focolare-worldwide\/america-sud\/argentina\/\">Argentina <\/a>de hoje, ferida nas rela\u00e7\u00f5es e onde institui\u00e7\u00f5es e funcion\u00e1rios tornaram-se objeto de cont\u00ednuo suspeito, com ou sem raz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A <\/strong><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/spiritualita-dellunita\/\">espiritualidade da unidade<\/a>, desde a minha primeira experi\u00eancia nos Focolares com os <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/movimento-dei-focolari\/scelte-e-impegno\/gen\/\">gen<\/a>, deu sentido \u00e0 minha presen\u00e7a no meu ambiente de trabalho, aonde mais vem em evid\u00eancia o delito, a viol\u00eancia, o n\u00e3o-amor e n\u00e3o \u2018o amor que \u00e9 a plenitude da lei\u2019, como afirma S\u00e3o Paulo. Nestes anos de desafios cont\u00ednuos eu procurei direcionar a forma\u00e7\u00e3o profissional, \u00e9tica, a carreira e rela\u00e7\u00f5es sociais ao servi\u00e7o das pessoas e certos passos, dif\u00edceis, dados nesta dire\u00e7\u00e3o marcaram um momento decisivo da minha caminhada.<\/p>\n<p><strong>Quando, com minha mulher, decidimos adotar uma crian\u00e7a<\/strong>, n\u00e3o quisemos nos aproveitar das pessoas que conhec\u00edamos e que poderiam ajudar-nos a completar o processo de ado\u00e7\u00e3o de maneira mais r\u00e1pida, passando na frente de outros casais que, talvez, viviam na solid\u00e3o o sofrimento da suspens\u00e3o. Depois, finalmente, fomos convocados e <strong>a funcion\u00e1ria que nos atendeu me conhecia<\/strong>. Ela ficou muito surpresa pela nossa atitude de espera por muitos anos. Com a chegada da nossa filha adotiva, tivemos a confirma\u00e7\u00e3o de que os planos de Deus s\u00e3o perfeitos e se realizam somente se fazemos a Sua vontade.<\/p>\n<p>Certa vez eu tive que me ocupar de um processo no qual <strong>o acusado estava decidido a fazer justi\u00e7a com as pr\u00f3prias m\u00e3os<\/strong> caso n\u00e3o obtivesse a senten\u00e7a favor\u00e1vel. Nesse \u00ednterim eu continuei a receber preocupantes mensagens an\u00f4nimas em rela\u00e7\u00e3o ao aspecto perigoso do r\u00e9u e as suas estreitas rela\u00e7\u00f5es com o poder local. N\u00e3o obstante tudo, eu permaneci fiel \u00e0s exig\u00eancias do processo e, algumas vezes, eu tive que advertir, seriamente, o acusado sobre as obriga\u00e7\u00f5es inerentes ao andamento processual. No julgamento a senten\u00e7a final n\u00e3o o favoreceu, mas, eu tive a possibilidade de estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com o advogado dele, esta rela\u00e7\u00e3o dura at\u00e9 hoje. Quando terminou o meu trabalho naquele processo, a pessoa em quest\u00e3o me procurou e, ao cumprimentar-me, confidencialmente, reconheceu as suas atitudes violentas, e que, em tal situa\u00e7\u00e3o, quando se dava conta das pr\u00f3prias atitudes violentas, confiava ao seu filho a solu\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es que ele considerava irresol\u00faveis.<\/p>\n<p>Como os processos s\u00e3o documentados por escrito, os muitos casos produzem montanhas de papel que, naturalmente, para consultar tudo \u00e9 muito dif\u00edcil e desta forma, muitas vezes, os acusados e os seus familiares sentem-se impotentes e sofrem com isso. E, \u00e9 justamente nestas circunst\u00e2ncias que, criar espa\u00e7os de escuta e acolhimento, permite <strong>evidenciar a dignidade de cada pessoa<\/strong>, e \u00e9 o primeiro passo em dire\u00e7\u00e3o a esperan\u00e7a de uma vida melhor.<\/p>\n<p>Muitas vezes, <strong>somente o fato de escutar uma pessoa,<\/strong> com todo cora\u00e7\u00e3o e toda mente, pode nos oferecer uma luz que vai muito al\u00e9m da pr\u00e1xis processual do interrogat\u00f3rio formal a um detento, e cria as condi\u00e7\u00f5es para que o acusado possa exprimir o pr\u00f3prio drama e que, por sua vez, o funcion\u00e1rio do tribunal possa ter um conhecimento adequado dos fatos para tomar uma decis\u00e3o que seja, efetivamente, realmente humana. Isto me aconteceu v\u00e1rias vezes, por exemplo, com um detento, depois de muito escut\u00e1-lo, profundamente, decidi que ele deveria passar por uma consulta psiqui\u00e1trica. De fato, existia o perigo de que ele poderia tentar suicido e aquela minha decis\u00e3o, determinou o reequil\u00edbrio da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voc\u00eas sabem muito mais que eu: sempre, em todo lugar, o que faz a diferen\u00e7a \u00e9 o amor, tamb\u00e9m na pr\u00e1tica da justi\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>(M.M. \u2013 Argentina)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da Argentina, uma experi\u00eancia de um funcion\u00e1rio do Poder Judici\u00e1rio, que busca conciliar fraternidade e justi\u00e7a. Como colocar a pessoa ao centro?<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-333174","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333174\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}