{"id":333462,"date":"2015-03-23T05:00:49","date_gmt":"2015-03-23T04:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/congo-uma-guerra-esquecida\/"},"modified":"2024-05-16T15:23:49","modified_gmt":"2024-05-16T13:23:49","slug":"congo-uma-guerra-esquecida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/congo-uma-guerra-esquecida\/","title":{"rendered":"Congo: uma guerra esquecida"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_121578\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/20150322-01.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-121578\" class=\"wp-image-121578\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/20150322-01.jpeg\" alt=\"20150322-01\" width=\"380\" height=\"190\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-121578\" class=\"wp-caption-text\">Bukavu, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/p><\/div>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/focolare-worldwide\/africa\/repubblica-democratica-del-congo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo<\/a> <strong>\u00e9 um grande pa\u00eds<\/strong>, com imensas reservas naturais. A popula\u00e7\u00e3o, 72 milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 composta por algumas centenas de etnias diferentes. As dif\u00edceis rela\u00e7\u00f5es com o Ocidente, a guerra pela explora\u00e7\u00e3o dos minerais, o drama de uma popula\u00e7\u00e3o esquecida.<\/p>\n<p>Entrevistamos o bi\u00f3logo congol\u00eas <strong>Pierre Kabeza<\/strong>, sindicalista, pai de fam\u00edlia, que h\u00e1 tr\u00eas anos teve que deixar a sua cidade, Bukavu, na regi\u00e3o dos Grandes Lagos e hoje frequenta o<a href=\"http:\/\/www.iu-sophia.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Instituto Universit\u00e1rio Sophia.<\/a><\/p>\n<p><strong>O senhor foi obrigado a expatriar-se, deixando no seu pa\u00eds a mulher e os filhos. Quais os motivos?<\/strong><\/p>\n<p>\u00ab\u201cExistem algumas coisas que n\u00e3o podem ser compreendidas nem vistas, se n\u00e3o com os olhos que choraram\u201d, dizia Dom Munzihirwa, bispo de Bukavu, assassinado porque era um defensor da justi\u00e7a. Depois da sua morte n\u00f3s nos sent\u00edamos desencorajados. Mas, depois, n\u00f3s recebemos Dom Kataliko, que decidiu seguir o mesmo caminho: falar por aqueles que n\u00e3o t\u00eam voz. Dom Kataliko enxugou as l\u00e1grimas de um povo que n\u00e3o era mais escutado. No dia 24 de dezembro de 1999 ele escreveu uma mensagem na qual denunciava a guerra, a ocupa\u00e7\u00e3o do Congo pelos pa\u00edses lim\u00edtrofes, a explora\u00e7\u00e3o e o saque dos recursos minerais.<\/p>\n<p>Por isto ele foi impedido de exercitar o seu trabalho pastoral por sete meses e vinte dias. Os sinos n\u00e3o tocavam mais. Faz\u00edamos protestos pac\u00edficos todos os dias, at\u00e9 que ele retornou \u00e0 diocese. Em Bukavu, mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os, fomos todos juntos \u00e0 catedral, onde Dom Kataliko celebrou uma missa de perd\u00e3o por aqueles que lhe causaram sofrimento. Poucas semanas depois ele faleceu, na It\u00e1lia. <strong>Para continuar a obra dos nossos bispos<\/strong> \u2013 defesa da verdade, luta pela justi\u00e7a e pela liberdade \u2013 <strong>nasceu o grupo \u201c<strong>Dauphin Munzihirwa Kataliko\u201d<\/strong><\/strong> (DMK). As iniciativas para homenage\u00e1-los causavam inc\u00f4modo aos seus advers\u00e1rios. Com o grupo DMK, do qual eu era o respons\u00e1vel, nos engajamos no setor da educa\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pela alfabetiza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Os professores n\u00e3o s\u00e3o pagos pelo Estado e s\u00e3o sustentados pelos pais dos alunos. N\u00f3s tentamos fazer com que o governo congol\u00eas assumisse as pr\u00f3prias responsabilidades. Manifesta\u00e7\u00f5es, <em>sit-in<\/em>, greves&#8230; pris\u00f5es: fomos considerados pessoas que perturbam a ordem p\u00fablica. Eu procurei todos os respons\u00e1veis pelo pa\u00eds, inclusive o Presidente da Rep\u00fablica e mencionei a ele o artigo 43 da nossa Constitui\u00e7\u00e3o que reconhece a gratuidade e a obriga\u00e7\u00e3o, para as crian\u00e7as, de frequentar a escola elementar. Ele me ouviu, mas, infelizmente, at\u00e9 agora nada aconteceu. Por causa do meu engajamento, ao inv\u00e9s, recebi amea\u00e7as, fui preso e torturado. Atacaram duas vezes a minha casa e a destru\u00edram. Foi assim que eu tive que deixar tudo para salvar a minha vida\u00bb.<\/p>\n<p><strong>Uma guerra esquecida, seis milh\u00f5es de mortos, dois milh\u00f5es de mulheres e crian\u00e7as que fogem das pr\u00f3prias aldeias e cidades. O que o senhor acrescentaria?<\/strong><\/p>\n<p>\u00ab\u00c9 verdade. Maria Voce, presidente dos Focolares, tamb\u00e9m disse que parece que os que morrem em \u201cterras long\u00ednquas do Ocidente\u201d tenham menos valor em termos de humanidade, e \u201cmenos peso pol\u00edtico na consci\u00eancia da comunidade internacional\u201d. \u00c9 o caso do Congo. Os nossos mortos n\u00e3o interessam \u00e0 comunidade internacional porque estamos na periferia do mundo. E, mesmo assim, atualmente, a guerra \u00e9 o inimigo comum a todos. Mandela nos ensinou que \u201cn\u00f3s nascemos para sermos irm\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Na Europa fala-se pouco sobre a guerra no Congo<\/strong> e sem dizer a verdade por completo. N\u00e3o se trata somente de guerras \u00e9tnicas. \u00c9 verdade que temos muitos problemas na \u00c1frica, mas, eu me pergunto: \u201cPor que o fogo torna-se vis\u00edvel somente nos pa\u00edses ricos, onde existem minerais e petr\u00f3leo? Existe sempre fogo onde se encontra tamb\u00e9m coltan, ouro e diamante. E onde v\u00e3o parar esses minerais ensanguentados? S\u00e3o usados para a fabrica\u00e7\u00e3o de <em>smartphone<\/em>, <em>air bag<\/em>, aparelhos de navega\u00e7\u00e3o automotiva e assim por diante. Calcula-se que a cada quilo de coltan extra\u00eddo no Congo morrem duas crian\u00e7as. Outras s\u00e3o obrigadas a tornarem-se \u201cmeninos e meninas soldados\u201d. Seria importante que as nossas crian\u00e7as soubessem: para que se possam usar um aparelho com joguinhos tem sempre uma crian\u00e7a que perde a vida nas periferias do mundo\u00bb.<\/p>\n<p><strong>O que significa para o senhor vivenciar esta experi\u00eancia intelectual e humana no Instituto Universit\u00e1rio Sophia? Quais s\u00e3o as expectativas pessoais e em vista do bem do seu pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>\u00abSophia foi uma das d\u00e1divas que eu recebi na It\u00e1lia. Creio que teria sido melhor ter feito a experi\u00eancia de estudar aqui antes de come\u00e7ar a atividade de sindicalista, porque aqui eu entendi a import\u00e2ncia da fraternidade. Creio que o fracasso da nossa sociedade congolesa est\u00e1 no fato que esquecemos o princ\u00edpio da fraternidade, uma for\u00e7a que une todos, que n\u00e3o exclui ningu\u00e9m. Agora eu entendo que o outro \u00e9 parte de mim, que os problemas dele s\u00e3o problemas meus. Aqui eu entendi tamb\u00e9m o sentido da diversidade entre n\u00f3s. Entendi que somos iguais e diferentes e que se os homens explorassem esta riqueza, seria um bem. Sophia me ensinou tamb\u00e9m a entender o caminho do di\u00e1logo. O verdadeiro di\u00e1logo \u00e9 aquele d\u00e1 espa\u00e7o ao outro, no qual existe sempre uma parte da verdade\u00bb.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8wCqRkJzSS4\">V\u00eddeo<\/a><\/p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com o bi\u00f3logo congol\u00eas Pierre Kabeza: \u201cExistem coisas que n\u00e3o podem ser compreendidas nem vistas, se n\u00e3o com os olhos que choraram\u201d. O seu empenho a favor do pr\u00f3prio povo.<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-333462","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333462","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333462\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}