{"id":333862,"date":"2015-09-26T18:00:48","date_gmt":"2015-09-26T16:00:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/palavra-de-vida-outubro-de-2015\/"},"modified":"2024-05-16T15:25:19","modified_gmt":"2024-05-16T13:25:19","slug":"palavra-de-vida-outubro-de-2015","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/palavra-de-vida-outubro-de-2015\/","title":{"rendered":"Palavra de Vida \u2013 Outubro de 2015"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 esse o distintivo, o sinal de reconhecimento, a caracter\u00edstica t\u00edpica dos crist\u00e3os. Ou pelo menos deveria ser esse, porque foi assim que Jesus imaginou que seria a sua comunidade.  Um fascinante escrito dos primeiros s\u00e9culos do cristianismo, a <em>Carta a Diogneto<\/em>, d\u00e1 conta de que \u201cos crist\u00e3os n\u00e3o se distinguem dos outros homens nem pelo territ\u00f3rio, nem pelo modo de falar, nem pelo modo de vestir. Com efeito, n\u00e3o moram em cidades diferentes, n\u00e3o usam alguma l\u00edngua estranha, nem adotam um modo de vida especial\u201d. S\u00e3o pessoas normais, como todas as outras. No entanto, possuem um segredo que as faz influir profundamente na sociedade, fazendo-as ser como que a sua alma (cf. cap. 5-6).  \u00c9 um segredo que Jesus confiou aos seus disc\u00edpulos pouco antes de morrer. Tal como os antigos s\u00e1bios de Israel, ou como um pai diante de seu filho, tamb\u00e9m Ele, Mestre de sabedoria, deixou como heran\u00e7a a arte do saber viver, do viver bem. Ele a tinha colhido diretamente do Pai: \u201cPorque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai\u201d (<em>Jo<\/em> 15,15), e era esse o fruto da sua experi\u00eancia na rela\u00e7\u00e3o com Ele. Essa arte consiste na reciprocidade do amor. \u00c9 essa a \u00faltima vontade de Jesus, o seu testamento, a vida do C\u00e9u que Ele trouxe \u00e0 terra, partilhando-a conosco a fim de que n\u00f3s tenhamos a mesma vida.  Ele quer que seja esta a identidade dos seus disc\u00edpulos, que eles sejam reconhecidos como disc\u00edpulos pelo amor m\u00fatuo:  <strong><span style=\"color: #003366\"><em>\u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois os meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros.\u201d<\/em><\/span><\/strong>  Ser\u00e1 que os disc\u00edpulos de Jesus s\u00e3o reconhecidos pelo amor rec\u00edproco? \u201cA hist\u00f3ria da Igreja \u00e9 uma hist\u00f3ria de santidade\u201d, escreveu Jo\u00e3o Paulo II. \u201cNo entanto, ela registra tamb\u00e9m numerosos epis\u00f3dios que constituem um contratestemunho para o cristianismo\u201d (<em>Incarnationis Mysterium<\/em>, 11). Durante s\u00e9culos os crist\u00e3os se combateram em nome de Jesus com guerras intermin\u00e1veis, e persistem na divis\u00e3o entre si. Ainda hoje h\u00e1 pessoas que identificam os crist\u00e3os com as Cruzadas, com os tribunais da Inquisi\u00e7\u00e3o, ou os veem como defensores ferrenhos de uma moral antiquada, que se op\u00f5em ao progresso da ci\u00eancia.  N\u00e3o era isso que acontecia com os primeiros crist\u00e3os da comunidade nascente de Jerusal\u00e9m. As pessoas ficavam admiradas pela comunh\u00e3o dos bens que eles viviam, pela unidade que reinava, pela \u201calegria e simplicidade de cora\u00e7\u00e3o\u201d que os caracterizava (cf. <em>At<\/em> 2,46). \u201cO povo estimava-os muito\u201d, lemos ainda nos Atos dos Ap\u00f3stolos, com a consequ\u00eancia de que a cada dia \u201ccrescia sempre mais o n\u00famero dos que pela f\u00e9 aderiam ao Senhor\u201d (<em>At<\/em> 5,13-14). O testemunho de vida da comunidade tinha uma forte capacidade de atra\u00e7\u00e3o. Por que tamb\u00e9m hoje n\u00e3o somos conhecidos como aqueles que se distinguem pelo amor? O que fizemos do mandamento de Jesus?  <strong><span style=\"color: #003366\"><em>\u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois os meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros.\u201d<\/em><\/span><\/strong>  Tradicionalmente, em \u00e2mbito cat\u00f3lico, o m\u00eas de outubro \u00e9 dedicado \u00e0 \u201cmiss\u00e3o\u201d, \u00e0 reflex\u00e3o sobre a ordem dada por Jesus, de ir a todo o mundo anunciar o Evangelho, \u00e0 ora\u00e7\u00e3o e ao apoio \u00e0queles que se encontram na linha de frente. Esta Palavra de Vida pode ajudar-nos todos a focalizar novamente a dimens\u00e3o fundamental de todo an\u00fancio crist\u00e3o. N\u00e3o se trata da imposi\u00e7\u00e3o de uma f\u00e9, n\u00e3o \u00e9 proselitismo, n\u00e3o \u00e9 uma ajuda interesseira aos pobres para que se convertam. N\u00e3o se trata sequer primeiramente de uma defesa exigente dos valores morais ou do posicionamento firme diante das injusti\u00e7as e das guerras, embora essas atitudes sejam obrigat\u00f3rias, das quais o crist\u00e3o n\u00e3o pode se esquivar.  O an\u00fancio crist\u00e3o \u00e9 acima de tudo um testemunho de vida que cada disc\u00edpulo de Jesus deve oferecer pessoalmente: \u201cO homem contempor\u00e2neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres\u201d (<em>Evangelii nuntiandi<\/em>, 41). At\u00e9 mesmo quem \u00e9 hostil \u00e0 Igreja muitas vezes fica tocado pelo exemplo daqueles que dedicam suas vidas aos doentes e aos pobres, e est\u00e3o dispostos a deixar a p\u00e1tria para ir \u00e0s frentes de emerg\u00eancia e oferecer ajuda e amizade aos \u00faltimos.  Mas Jesus pede sobretudo o testemunho de toda uma comunidade que mostre a veracidade do Evangelho. Ela deve evidenciar que a vida trazida por Ele pode realmente gerar uma sociedade nova, na qual se vivem relacionamentos de aut\u00eantica fraternidade, de ajuda e servi\u00e7o m\u00fatuo, de uma aten\u00e7\u00e3o coletiva \u00e0s pessoas mais fr\u00e1geis e necessitadas.  A vida da Igreja conheceu esse tipo de testemunhos, como por exemplo as aldeias constru\u00eddas pelos franciscanos e pelos jesu\u00edtas para os nativos na Am\u00e9rica do Sul <em>(cf. as Redu\u00e7\u00f5es)<\/em>, ou os mosteiros com os povoados que surgiam ao seu redor. Tamb\u00e9m hoje, comunidades e movimentos eclesiais fazem surgir pequenas cidades de testemunho <em>(cf. as Mari\u00e1polis permanentes) <\/em>onde se podem ver os sinais de uma sociedade nova, fruto da vida evang\u00e9lica, do amor m\u00fatuo.  <strong><span style=\"color: #003366\"><em>\u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois os meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros.\u201d<\/em><\/span><\/strong>  Sem ter de abandonar os lugares em que moramos e as pessoas que frequentamos, se vivermos entre n\u00f3s aquela unidade pela qual Jesus deu a vida, poderemos criar um modo de viver alternativo e semear ao nosso redor germes de esperan\u00e7a e de vida nova. Uma fam\u00edlia que renova a cada dia o desejo de viver concretamente no amor m\u00fatuo pode se tornar um raio de luz na indiferen\u00e7a rec\u00edproca do condom\u00ednio ou da vizinhan\u00e7a. Uma \u201cc\u00e9lula de ambiente\u201d, ou seja, duas ou mais pessoas que se colocam de acordo para atuar com radicalismo as exig\u00eancias do Evangelho no pr\u00f3prio campo de trabalho, na escola, na sede do sindicato, nos gabinetes administrativos, numa pris\u00e3o, poder\u00e1 romper a l\u00f3gica da luta pelo poder, criar um clima de colabora\u00e7\u00e3o e favorecer o surgimento de uma fraternidade inesperada.  N\u00e3o era isso que faziam os primeiros crist\u00e3os no tempo do imp\u00e9rio romano? N\u00e3o foi desse modo que eles difundiram a novidade transformadora do cristianismo? Sejamos hoje n\u00f3s \u201cos primeiros crist\u00e3os\u201d, chamados, como eles, a non perdoarmos, a nos vermos sempre novos, a nos ajudarmos; numa palavra, a nos amarmos intensamente como Jesus amou, na certeza de que a sua presen\u00e7a em nosso meio tem a for\u00e7a de envolver tamb\u00e9m os outros na l\u00f3gica divina do amor.  <strong>Fabio Ciardi<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNisto conhecer\u00e3o todos que sois os meus disc\u00edpulos: se vos amardes uns aos outros.\u201d (Jo 13,35)<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[3160,129],"tags":[],"class_list":["post-333862","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-palavra-de-vida-pt-pt","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333862"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333862\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}