{"id":333944,"date":"2015-10-24T03:00:11","date_gmt":"2015-10-24T01:00:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/ortodoxa-de-tradicao-e-na-vida\/"},"modified":"2024-05-16T15:25:36","modified_gmt":"2024-05-16T13:25:36","slug":"ortodoxa-de-tradicao-e-na-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/ortodoxa-de-tradicao-e-na-vida\/","title":{"rendered":"Ortodoxa, de tradi\u00e7\u00e3o e na vida"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-130180\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Nicosia_Cyprus.jpg\" alt=\"Nicosia_Cyprus\" width=\"350\" height=\"263\" \/>\u00abMoro em Nicosia (Chipre), nasci e cresci numa fam\u00edlia ortodoxa<\/strong>, mas praticamente de nome&#8230; n\u00e3o existia profundidade, n\u00e3o havia uma rela\u00e7\u00e3o com Jesus. Deus, ali\u00e1s, era aliado e monop\u00f3lio dos nossos pais, nos casos em que dev\u00edamos obedecer \u00e0s ordens deles.  <strong>Quando terminei o ensino m\u00e9dio consegui uma bolsa de estudos<\/strong> para estudar odontologia em Budapeste, na Hungria. Foi muito dif\u00edcil adaptar-me a essa nova realidade: pela primeira vez sozinha, longe da minha fam\u00edlia, ter que me habituar a viver com pessoas desconhecidas. Naquela \u00e9poca, o esp\u00edrito multicultural que se respira hoje estava muito longe. Eu era cheia de preconceitos e tinha atitudes de rejei\u00e7\u00e3o. Naquele ano tive grandes desilus\u00f5es, inclusive com os amigos. Entretanto, dentro de mim iniciou uma busca profunda por uma vida mais aut\u00eantica.  Na nova faculdade eu conheci uma garota h\u00fangara. Fiquei tocada pela sua alegria e pelo modo acolhedor para com todos. Ela at\u00e9 mesmo se ofereceu para me ajudar com a nova l\u00edngua. Desiludida com as amizades precedentes, o seu modo de agir me deixou curiosa. Eu me perguntava: ser\u00e1 sincera ou estar\u00e1 fingindo? Mas&#8230; comecei a ter confian\u00e7a nela. Compartilh\u00e1vamos tudo: alegrias, sofrimentos, insucessos, at\u00e9 bens materiais. Quando ela ia ver sua fam\u00edlia, numa vila a 50 km de Budapeste, no fim de semana, muitas vezes me levava para que eu n\u00e3o sentisse a falta da minha fam\u00edlia. Eles eram agricultores, com um grande amor e uma hospitalidade calorosa.  <strong>Mas havia um ponto de interroga\u00e7\u00e3o<\/strong>: todos os dias, numa hora precisa, e uma noite por semana, ela desaparecia sem dar explica\u00e7\u00f5es. Eu sabia apenas que estava com outras amigas. Tratava-se \u2013 descobri s\u00f3 depois \u2013 de algumas jovens que formavam o grupo da nascente comunidade dos Focolares na <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/focolare-worldwide\/europa\/ungheria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hungria<\/a>. Naquele tempo \u2013 est\u00e1vamos sob o regime socialista -, qualquer pessoa que fosse descoberta envolvida num movimento religioso era perseguida, com consequ\u00eancias graves, por exemplo, a perda do trabalho ou do lugar na universidade.  Mas um dia ela sentiu que podia confidenciar-se comigo e me contou como havia conhecido o Movimento dos Focolares. Um sacerdote da sua vila lhe havia narrado a hist\u00f3ria de <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chiara Lubich<\/a>, uma jovem como n\u00f3s, da nossa idade; ela ficara tocada pelo fato que Chiara, durante a Segunda Guerra Mundial, vendo que tudo desmoronava embaixo das bombas e nenhum ideal resistia, havia decidido fazer de Deus o ideal de sua vida e viver segundo a Sua vontade. Ela me explicou que se reunia com essas amigas e juntas procuravam fazer exatamente isso: colocar Deus em primeiro lugar, vivendo cada dia a <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/spiritualita-dellunita\/la-parola\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Palavra de Vida<\/a>, uma frase do Evangelho com uma explica\u00e7\u00e3o de Chiara, compartilhando depois as experi\u00eancias da vida di\u00e1ria, como um gesto de doa\u00e7\u00e3o umas para as outras.  <strong>Tudo isso tocou-me profundamente.<\/strong> Comecei a ler o Novo Testamento, que nunca antes tinha aberto, e isso foi decisivo para o meu futuro. A minha vida come\u00e7ou a mudar: cada pessoa que encontrava durante o dia, n\u00e3o podia mais ignor\u00e1-la, nem j ulg\u00e1-la, e muito menos subestim\u00e1-la, porque em mim havia uma nova mentalidade: somos todos filhos de um \u00fanico Pai e irm\u00e3os entre n\u00f3s.  Todos s\u00e3o candidatos \u00e0 unidade (que Jesus pediu ao Pai: que todos sejam um): bons, maus, bonitos, antip\u00e1ticos, grandes ou pequenos. Dentro de mim, a teologia patr\u00edstica vivida se acordou, e de modo especial a frase \u201cvejo o meu irm\u00e3o, vejo Deus\u201d, de S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo. Os muros de preconceito que havia dentro de mim come\u00e7aram a desmoronar.  Entendia que o Evangelho n\u00e3o era algo que se l\u00ea na igreja e s\u00f3, mas que podia provocar uma revolu\u00e7\u00e3o, se o lev\u00e1vamos a s\u00e9rio e o viv\u00edamos realmente, em toda parte: na universidade, na f\u00e1brica, no hospital, na fam\u00edlia.  <strong>Em todo esse entusiasmo e na alegria que j\u00e1 preenchia a minha vida, havia por\u00e9m um grande sofrimento<\/strong>, porque todas as outras jovens eram cat\u00f3licas e eu ortodoxa. Todos os dias elas participavam da Santa Missa. Eu tinha muita vontade de estar com elas naqueles momentos, mas me sugeriram que eu procurasse a minha igreja ortodoxa, em Budapeste, para poder ir \u00e0 liturgia e receber a Eucaristia. Essa separa\u00e7\u00e3o era dolorosa, mas Chiara convidava os membros do Movimento pertencentes a outras igrejas crist\u00e3s a amarem a pr\u00f3pria igreja, assim como ela fazia com a sua. Essa explica\u00e7\u00e3o deu-me uma grande paz, e mais uma vez confirmou em mim que a sabedoria, o amor e a discri\u00e7\u00e3o que Chiara tinha, diante dos fieis de outras igrejas, n\u00e3o podia deixar de ser uma interven\u00e7\u00e3o de Deus na nossa \u00e9poca.  <strong>Encontrei a Igreja ortodoxa<\/strong> e comecei a conhec\u00ea-la. Passei a ir todos os domingos e, com a ben\u00e7\u00e3o do sacerdote, pude receber a comunh\u00e3o sempre que havia a liturgia. Nesse novo in\u00edcio eu nunca estive sozinha. Muitas vezes as outras jovens, cat\u00f3licas, iam comigo.  <strong>A vida lit\u00fargica e sacramental deixou de ser algo formal<\/strong>, mas sim a busca de um relacionamento de amor com Jesus, a ativa\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus no meu cora\u00e7\u00e3o, que ajudou-me na luta cotidiana e multiplicou os frutos do amor, da alegria e da paz dentro de mim\u00bb.  <em>Depoimento dado em Istanbul, dia 14 de mar\u00e7o de 2015, por ocasi\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/news\/2014\/10\/30\/%ce%bc%ce%b5%ce%bb%ce%ad%cf%84%ce%b5%cf%82-e-%ce%bc%ce%ac%ce%b8%ce%b5-%ce%bd%ce%b1-%cf%87%ce%ac%ce%bd%ce%b5%ce%b9%cf%82-primi-libri-di-chiara-lubich-in-greco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">apresenta\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0dos primeiros volumes de Chiara Lubich traduzidos em grego.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Lina, da Igreja Ortodoxa de Chipre, na descoberta de um cristianismo para al\u00e9m da forma.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-333944","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333944\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}