{"id":333998,"date":"2015-11-07T05:00:25","date_gmt":"2015-11-07T04:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/o-salario-duplicado\/"},"modified":"2024-05-16T15:25:49","modified_gmt":"2024-05-16T13:25:49","slug":"o-salario-duplicado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/o-salario-duplicado\/","title":{"rendered":"O sal\u00e1rio duplicado"},"content":{"rendered":"<p>\u201c<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  alignleft wp-image-130871\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2015\/11\/20151107-a.jpeg\" alt=\"20151107-a\" width=\"349\" height=\"174\" \/>Nunca se falou tanto sobre os direitos do trabalho como no nosso tempo<\/strong>, e nunca se abusou tanto dos trabalhadores como no nosso tempo. Eles forneceram as massas para as reuni\u00f5es e as multid\u00f5es para os massacres, e a carne para as repres\u00e1lias, foram rastelados pelas ruas\u2026 Os sobreviventes permaneceram, frequentemente sem casa e sem fam\u00edlia.  <strong>E, tamb\u00e9m hoje, \u00e9 necess\u00e1rio reanimar-se, vencer, outra vez, a morte<\/strong>: fazer como Pedro, o pescador, que diz ao Mestre: \u201cMestre, trabalhamos a noite inteira sem nada apanhar, mas, porque mandas, lan\u00e7arei as redes\u201d. E sobre a palavra de Jesus, com esperan\u00e7a, depois da noite de ru\u00ednas e de sangue, \u00e9 necess\u00e1rio recome\u00e7ar. E o Pai premiar\u00e1 a nossa confian\u00e7a.  <strong>Todos n\u00f3s estamos comprometidos, trabalhadores bra\u00e7ais e da mente<\/strong>, em uma grande empreitada: reconstruir o edif\u00edcio social e pol\u00edtico desmoronado, com coragem e senso de responsabilidade, sem hesita\u00e7\u00f5es\u2026  <strong>N\u00e3o retrocedemos e n\u00e3o tememos<\/strong>. Nas nossas costas est\u00e3o os exploradores do homem, os tiranos que incendiaram as casas e travaram a liberdade, os semideuses que desencadeiam a guerra: s\u00e3o os carn\u00edfices e os coveiros.  <strong>E n\u00f3s prosseguimos, mesmo com a cruz nos ombros, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Reden\u00e7\u00e3o<\/strong>, que quer dizer liberdade: liberdade de todo mal e, portanto, tamb\u00e9m da necessidade e do medo\u201d.  (<a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/chi-e-chiara\/igino-giordani\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Igino Giordani<\/a>, \u201cFides\u201d, junho, 1951)  <strong>Desvaloriza-se o trabalho dissociando o valor econ\u00f4mico do valor espiritual<\/strong>  Quando Deus se misturou com os homens o fez como trabalhador em meio aos trabalhadores. Por trinta anos exerceu, tamb\u00e9m Ele, trabalhos manuais, cujos resultados ajudaram o c\u00edrculo dos familiares e dos vizinhos; depois, por tr\u00eas anos realizou obras espirituais, cujo resultado beneficiou a humanidade inteira, de todas as \u00e9pocas.  <strong>O trabalho \u00e9 conatural ao homem e necess\u00e1rio \u00e0 sua vida<\/strong>, como a respira\u00e7\u00e3o, como a alimenta\u00e7\u00e3o. Manter o homem ocioso equivale a obrigar os p\u00e1ssaros a n\u00e3o voarem.  <strong>Com o advento do Redentor \u2013 um trabalhador bra\u00e7al que era Deus \u2013 <\/strong>foram revalorizados divinamente trabalho e fatiga e foram transfigurados os meios ordin\u00e1rios de santifica\u00e7\u00e3o.  <strong>Quem trabalha segundo a lei de Deus, suportando a fatiga por amor a Ele, <\/strong>santifica-se: o trabalho dedicado aos campos, \u00e0 oficina, ao escrit\u00f3rio, \u00e0 igreja, tem o mesmo valor, se feito como Deus quer tem o valor de uma ora\u00e7\u00e3o.  <strong>E tamb\u00e9m o sal\u00e1rio \u00e9 duplicado.<\/strong> Recebe-se pelo valor econ\u00f4mico produzido com as m\u00e3os e com a intelig\u00eancia, no plano humano, e recebe-se pelos m\u00e9ritos de paci\u00eancia, ascese e desapego adquiridos no plano divino. O homem, enquanto constr\u00f3i algo, se suporta a fadiga tornando-a mat\u00e9ria de reden\u00e7\u00e3o, constr\u00f3i tamb\u00e9m um trecho do seu destino eterno. O filho pr\u00f3digo iniciou a sua reabilita\u00e7\u00e3o quando se entregou ao trabalho, assim como iniciara a degrada\u00e7\u00e3o quando se entregara ao \u00f3cio.  <strong>A verdadeira explora\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong> e, portanto, do trabalhador, acontece por causa da pretens\u00e3o materialista de negar a participa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito no trabalho das m\u00e3os ou da intelig\u00eancia: da separa\u00e7\u00e3o entre o divino e o humano, entre o esp\u00edrito e o corpo, a moral e a economia, o Pai nosso que est\u00e1 no c\u00e9u e o p\u00e3o nosso, que nos serve cotidianamente na terra. O homem n\u00e3o vive s\u00f3 de p\u00e3o para o estomago: necessita tamb\u00e9m de um nutrimento para a alma.  Repelir o homem \u00e0 pura inst\u00e2ncia econ\u00f4mica \u00e9 como querer saciar a sua fome de uma parte e, de outra, provocar a fome.  <strong>O homem-Deus viu e v\u00ea sempre o divino e o humano<\/strong>. N\u00e3o somente um dos dois, mas, todos dois. E uma vez que os pescadores, seus h\u00f3spedes, durante uma inteira noite de fadiga n\u00e3o pegaram nenhum peixe e, como para Ele vale a norma \u201cquem n\u00e3o trabalha, n\u00e3o come\u201d, os convida \u2013 porque tamb\u00e9m eles e os seus familiares devem comer \u2013 a recome\u00e7ar o trabalho: a lan\u00e7ar de novo as redes nas \u00e1guas do lago. E eles, no Seu nome, recome\u00e7am.  <strong>Deus convida, continuamente, a n\u00e3o nos desencorajarmos, a n\u00e3o desesperar<\/strong>, mas, a retomar o trabalho, sempre, no Seu nome.  <strong>Assim como a pessoa humana, a sociedade necessita de ambos os trabalhos<\/strong>, para que possa respirar com ambos os pulm\u00f5es e viver sadia e livre. Caso contr\u00e1rio, agoniza porque sofre ou a fome corporal ou a fome espiritual, sem dizer que uma fome traz consigo tamb\u00e9m a outra.  Se n\u00e3o existe o Pai no c\u00e9u, come\u00e7a a faltar tamb\u00e9m o p\u00e3o na terra, porque na falta Dele, os trabalhadores n\u00e3o se sentem mais irm\u00e3os \u2013 e assim se combatem e roubam \u2013 como aconteceu e acontece aos <strong>nossos imigrantes que s\u00e3o hostilizados e repelidos por outros trabalhadores<\/strong>\u201d.  (Igino Giordani, \u201cLa Via\u201d, 1952)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois textos de Giordani sobre o trabalho, escritos nos anos 50, nos interrogam tamb\u00e9m atualmente.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-333998","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=333998"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/333998\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=333998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=333998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}