{"id":334306,"date":"2016-03-05T05:00:20","date_gmt":"2016-03-05T04:00:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/bruni-a-felicidade-e-pouco-demais\/"},"modified":"2024-05-16T15:26:59","modified_gmt":"2024-05-16T13:26:59","slug":"bruni-a-felicidade-e-pouco-demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/bruni-a-felicidade-e-pouco-demais\/","title":{"rendered":"Bruni: a felicidade \u00e9 pouco demais"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-135623 alignright\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/Luigino-Bruni.jpg\" alt=\"Luigino-Bruni\" width=\"360\" height=\"195\" \/>\u00abUm dia te direi que renunciei \u00e0 minha felicidade por ti\u00bb.<\/strong> As primeiras palavras da can\u00e7\u00e3o da banda italiana Stadio, vencedora do \u00faltimo Festival de Sanremo [<em>festival da can\u00e7\u00e3o italiana, ndr<\/em>], \u00e9 uma boa ocasi\u00e3o para <strong>refletir sobre a nossa felicidade e sobre a dos outros<\/strong>. A nossa civiliza\u00e7\u00e3o p\u00f4s a busca da felicidade individual no centro do pr\u00f3prio humanismo, relegando cada vez mais a pano de fundo outros valores e a felicidade dos outros \u2013 a menos que n\u00e3o sejam um meio para aumentar a nossa felicidade. E deste modo, n\u00e3o temos mais as categorias para podermos compreender as escolhas (que ainda existem) de quem renuncia, conscientemente, \u00e0 pr\u00f3pria felicidade por aquela de outra pessoa. [\u2026]  <strong>A felicidade tem uma hist\u00f3ria muito longa<\/strong>. O humanismo crist\u00e3o, inovando muito em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura grega e romana, desde o in\u00edcio prop\u00f4s uma vis\u00e3o da \u201cfelicidade limitada\u201d, onde a busca da nossa felicidade n\u00e3o era considerada o objetivo \u00faltimo da vida, porque estava subordinada a outros valores, como a felicidade da comunidade, da fam\u00edlia, ou o para\u00edso. Durante s\u00e9culos pensamos que a \u00fanica felicidade digna de ser alcan\u00e7ada fosse a dos outros e a de todos. [\u2026]  <strong>Na idade moderna esta antiga e enraizada ideia de felicidade entrou profundamente em crise<\/strong>, e no seu lugar se introduziu a ideia, que era t\u00edpica do mundo pr\u00e9-crist\u00e3o, de que a nossa felicidade seja o bem \u00faltimo e absoluto [\u2026]. A economia contempor\u00e2nea, com a sua matriz cultural anglo-sax\u00e3, se casou perfeitamente com o ideal da felicidade individual. [\u2026]. Para a economia, o mundo \u00e9 habitado somente por pessoas que querem satisfazer ao m\u00e1ximo a pr\u00f3pria felicidade. [\u2026]  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-135626 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160305-a.jpg\" alt=\"20160305-a\" width=\"360\" height=\"203\" \/>Esta descri\u00e7\u00e3o das escolhas humanas consegue explicar muitas coisas<\/strong>, mas \u00e9 in\u00fatil ou enganadora quando devemos explicar aquelas poucas, mas decisivas escolhas das quais depende quase totalmente a qualidade moral e espiritual da nossa vida. Quando Abra\u00e3o decidiu se encaminhar com Isaac ao Monte Mori\u00e1, com certeza n\u00e3o pensava na pr\u00f3pria felicidade [\u2026], mas certamente estava seguindo uma voz, doloros\u00edssima, que o chamava. E, como ele, muitos continuam a subir os Montes Mori\u00e1s da pr\u00f3pria vida. Os momentos, as a\u00e7\u00f5es e as escolhas no decorrer da nossa exist\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o todos iguais. [\u2026]  <strong>Existem muitas coisas boas na nossa vida que n\u00e3o s\u00e3o medidas sobre o eixo da nossa felicidade<\/strong>, e algumas nem mesmo sobre o eixo da felicidade dos outros. As escolhas mais importantes s\u00e3o quase sempre <em>escolhas tr\u00e1gicas<\/em>: n\u00e3o escolhemos entre um bem e um mal, mas entre dois ou mais bens. E h\u00e1 tamb\u00e9m decis\u00f5es nas quais sa\u00edmos do registro do c\u00e1lculo. E outros momentos onde n\u00e3o conseguimos nem mesmo escolher, mas, talvez d\u00f3ceis, pronunciar somente um \u201csim\u201d. A terra \u00e9 habitada por muitas mulheres e homens que em certos momentos decisivos n\u00e3o buscam a pr\u00f3pria felicidade. [\u2026]  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-135625\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160305-02.jpg\" alt=\"20160305-02\" width=\"360\" height=\"219\" \/>Felicidade, verdade, justi\u00e7a, fidelidade, s\u00e3o todos bens prim\u00e1rios, origin\u00e1rios<\/strong>, que n\u00e3o podem ser reconduzidos a um s\u00f3, ainda que fosse a felicidade. Podemos ter uma ideia clara de qual \u00e9 a escolha que nos far\u00e1 mais felizes, podemos incluir naquela felicidade quase todas as coisas belas da vida, at\u00e9 as mais elevadas, mas apesar disso, podemos decidir livremente n\u00e3o escolher a nossa felicidade, se existem outros valores em jogo, que nos interpelam. E talvez, no final, descobrir uma palavra nova: a <em>alegria<\/em>, que diversamente da felicidade, n\u00e3o pode ser buscada, mas s\u00f3 acolhida como dom.  <strong>Quem deixou a pr\u00f3pria boa marca na terra<\/strong>, n\u00e3o viveu a vida correndo atr\u00e1s da pr\u00f3pria felicidade. Considerou-a pequena demais. Viu-a, algumas vezes, mas n\u00e3o se deteve para recolh\u00ea-la; preferiu continuar a caminhar atr\u00e1s de uma voz. No final da corrida n\u00e3o permanecer\u00e1 a felicidade que acumulamos, mas se permanecer algo, ser\u00e3o coisas muito mais verdadeiras e s\u00e9rias. Somos muito maiores do que a nossa felicidade. [\u2026]  Luigino Bruni  <strong>A voce dei giorni\/1 &#8211; <\/strong><a href=\"http:\/\/www.avvenire.it\/Commenti\/Pagine\/la-voce-dei-giorni-editoriali-bruni-luigini.aspx\"><strong>Leia o texto integral, em italiano<\/strong><\/a><strong> (Fonte: Avvenire) <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No jornal italiano Avvenire come\u00e7a uma nova s\u00e9rie de editoriais assinados pelo economista Luigino Bruni, coordenador do projeto de Economia de Comunh\u00e3o. O primeiro gira ao redor do conceito de felicidade.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-334306","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334306\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}