{"id":334396,"date":"2016-03-31T03:00:05","date_gmt":"2016-03-31T01:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/jesus-moran-aspectos-antropologicos-do-dialogo\/"},"modified":"2024-05-16T15:27:20","modified_gmt":"2024-05-16T13:27:20","slug":"jesus-moran-aspectos-antropologicos-do-dialogo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/jesus-moran-aspectos-antropologicos-do-dialogo\/","title":{"rendered":"Jes\u00fas Mor\u00e1n: aspectos antropol\u00f3gicos do di\u00e1logo"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_136823\" style=\"width: 430px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160331-01.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-136823\" class=\"wp-image-136823\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/03\/20160331-01.jpg\" alt=\"20160331-01\" width=\"420\" height=\"202\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-136823\" class=\"wp-caption-text\">\u00a9 CSC Audiovisivi<\/p><\/div>  \u00abO di\u00e1logo \u00e9 um verdadeiro sinal dos tempos, mas representa uma realidade que devemos aprofundar em todos os sentidos.  Seguindo o rastro de Jo\u00e3o Paulo II e de outros pensadores contempor\u00e2neos,<a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chiara-lubich\/chi-e-chiara\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Chiara Lubich<\/a> descreveu a nossa \u00e9poca, pelo menos no Ocidente, com a categoria de \u201cnoite cultural\u201d, n\u00e3o uma noite definitiva, mas uma noite que, segundo a Lubich, esconde uma luz, uma esperan\u00e7a.  Poder\u00edamos dizer ent\u00e3o que na noite cultural, que \u00e9 tamb\u00e9m uma \u201cnoite do di\u00e1logo\u201d, se oculta uma luz, ou seja, a possibilidade de elaborar juntos uma nova cultura do di\u00e1logo. Para fazer isto \u2013 a meu ver \u2013 a primeira coisa \u00e9 redescobrir que ele est\u00e1 t\u00e3o enraizado na natureza humana que em todas as culturas podemos encontrar o que eu chamaria \u201cas fontes do di\u00e1logo\u201d. Estas fontes est\u00e3o reunidas nas grandes Escrituras e s\u00e3o fundamentalmente duas: a fonte que brota da experi\u00eancia religiosa e a que nasce da busca filos\u00f3fica da humanidade. Nesta linha dever\u00edamos falar de fonte b\u00edblica, cor\u00e2nica, v\u00e9dica, etc. Significa que em todas as Escrituras das tradi\u00e7\u00f5es religiosas encontramos fortemente o acento sobre o di\u00e1logo. Dever\u00edamos nos abeberar inclusive na filosofia grega, na metaf\u00edsica isl\u00e2mica, nos Upanishads, no pensamento budista, etc. No Ocidente, no s\u00e9culo passado se desenvolveu uma verdadeira escola de pensamento dial\u00f3gico de raiz judaica e crist\u00e3. Sirvo-me, de modo particular, desta \u00faltima fonte para lhes oferecer alguns princ\u00edpios de uma antropologia do di\u00e1logo.  <strong>Primeiro<\/strong>. O di\u00e1logo \u201cest\u00e1 inscrito na natureza do homem\u201d a tal ponto que se pode dizer que \u00e9 a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o do homem. <strong>Segundo<\/strong>. No di\u00e1logo \u201ccada homem \u00e9 completado pelo dom do outro\u201d, isto \u00e9, precisamos uns dos outros para sermos n\u00f3s mesmos. No di\u00e1logo eu presenteio ao outro a minha alteridade, a minha diversidade. <strong>Terceiro.<\/strong> Cada di\u00e1logo \u201c\u00e9 sempre um encontro pessoal\u201d. Portanto, n\u00e3o se trata tanto de palavras ou de pensamento, mas de doar o nosso ser. O di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 simples conversa, nem discuss\u00e3o, mas algo que toca no mais profundo dos interlocutores. <strong>Quarto<\/strong>. O di\u00e1logo \u201cexige sil\u00eancio e escuta\u201d. Isto \u00e9 decisivo, porque o sil\u00eancio \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para o reto falar, mas tamb\u00e9m para o reto pensar. Como diz um prov\u00e9rbio: \u201cQuando falares, faz com que as tuas palavras sejam melhores que o teu sil\u00eancio\u201d (Dion\u00edsio, o Velho). <strong>Quinto.<\/strong> O verdadeiro di\u00e1logo \u201cconstitui algo existencial\u201d porque arriscamos a n\u00f3s mesmos, a nossa vis\u00e3o das coisas, a nossa identidade. \u00c0s vezes sentimos que perdemos a nossa identidade cultural, mas \u00e9 s\u00f3 uma passagem porque, na realidade, a identidade \u00e9 enriquecida imensamente na sua abertura. N\u00f3s dever\u00edamos ter uma \u201cidentidade aberta\u201d. Isto significa saber quem somos; mas tamb\u00e9m estarmos convictos de que \u201cquando entendo a mim mesmo com algu\u00e9m\u2026 sei melhor, eu tamb\u00e9m, quem sou\u201d (Fabris).  <strong>Outros princ\u00edpios a mais.<\/strong> O di\u00e1logo aut\u00eantico \u201ctem a ver com a verdade\u201d, \u00e9 um aprofundamento da verdade. Para os gregos antigos, o di\u00e1logo era o m\u00e9todo para chegar \u00e0 verdade. Isto significa que a verdade precisa sempre ser completada, ningu\u00e9m possui a verdade, \u00e9 ela que nos possui. Portanto, n\u00e3o se trata de relatividade da verdade, mas de \u201crelacionalidade da verdade\u201d (Baccarini). \u201cVerdade relativa\u201d significa que cada um tem a sua verdade que \u00e9 v\u00e1lida somente para si. J\u00e1 \u201cverdade relacional\u201d significa que cada um participa e coloca em comum com os outros a sua participa\u00e7\u00e3o da verdade, que \u00e9 uma para todos. \u00c9 diferente o modo como n\u00f3s chegamos \u00e0 verdade e como participamos dela. <strong>Por isso \u00e9 importante dialogar: para nos enriquecermos das v\u00e1rias perspectivas.<\/strong>  Na rela\u00e7\u00e3o, cada um descobre aspectos novos da verdade como se fossem pr\u00f3prios. Como diz Raimond Panikkar: \u201cDe uma janela se v\u00ea toda a paisagem, mas n\u00e3o totalmente\u201d. \u00c9 o que diz\u00edamos antes: devemos conceber a diferen\u00e7a como um dom e n\u00e3o como um perigo. Um dos grandes paradoxos de hoje \u00e9 que neste mundo globalizado temos medo da diferen\u00e7a, do outro. <strong>O di\u00e1logo, al\u00e9m disso<\/strong>, \u201cexige uma forte vontade\u201d. O amor \u00e0 verdade me leva a busc\u00e1-la e a desej\u00e1-la, e por isso me coloco em di\u00e1logo.  <strong>Dois \u00faltimos princ\u00edpios<\/strong>. O di\u00e1logo \u201c\u00e9 poss\u00edvel somente entre pessoas verdadeiras\u201d, e s\u00f3 o amor nos torna verdadeiros. Em outras palavras, o amor prepara as pessoas para o di\u00e1logo as tornando verdadeiras. O que torna fecundo o falar \u00e9 a santidade de quem fala e a santidade de quem escuta. Eis a responsabilidade do di\u00e1logo em toda a sua dimens\u00e3o: exige pessoas verdadeiras e torna as pessoas mais verdadeiras.  <strong>E enfim<\/strong>: a cultura do di\u00e1logo \u201cconhece apenas uma lei que \u00e9 a da reciprocidade\u201d. \u00c9 preciso este percurso de ida e volta para que exista verdadeiro di\u00e1logo. Em \u00faltima an\u00e1lise, hoje se fala muito de interculturalidade. Acho que uma verdadeira interculturalidade \u00e9 poss\u00edvel se come\u00e7armos a viver esta cultura do di\u00e1logo. Nunca ningu\u00e9m disse que dialogar seja f\u00e1cil. Exige-se aquilo que hoje \u00e9 dif\u00edcil pronunciar: sacrif\u00edcio. Exige homens e mulheres \u201cmaduros para a morte\u201d (Maria Zambrano), isto \u00e9, morrer a si mesmos para viver no outro\u00bb.  <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/news\/2014\/09\/17\/jesus-moran-cepedano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jes\u00fas Mor\u00e1n<\/a>, Universidade de Mumbai, 5 de fevereiro de 2016<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso do copresidente dos Focolares, Jes\u00fas Mor\u00e1n, na Universidade de Mumbai, durante a recente viagem de forte cunho inter-religioso no subcontinente indiano.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-334396","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334396"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334396\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}