{"id":334830,"date":"2016-09-27T03:00:25","date_gmt":"2016-09-27T01:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/venezuela-anotacoes-de-viagem\/"},"modified":"2024-05-16T15:28:58","modified_gmt":"2024-05-16T13:28:58","slug":"venezuela-anotacoes-de-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/venezuela-anotacoes-de-viagem\/","title":{"rendered":"Venezuela: anota\u00e7\u00f5es de viagem"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-142658\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Venezuela_04.jpg\" alt=\"Venezuela_04\" width=\"368\" height=\"219\" \/><strong>\u00abVolto aqui ap\u00f3s 5 anos<\/strong>: o impacto \u00e9 desolador, n\u00e3o reconhe\u00e7o a Venezuela. A descri\u00e7\u00e3o que o jovem sentado ao meu lado no avi\u00e3o me tinha feito exprime a dor de um povo aflito, mas n\u00e3o resignado. \u201cTenho ainda um pouco de esperan\u00e7a!\u201d, me disse, descrevendo os lugares mais bonitos da sua terra e me convidado a visit\u00e1-los.  <strong>Em Caracas<\/strong> as pessoas transmitem uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio. S\u00f3 as crian\u00e7as d\u00e3o um toque de vitalidade numa realidade que parece se mostrar absurda.  <strong>A viagem para Puerto Ayacucho<\/strong> durou mais de 17 horas. Ao longo do trajeto o olhar se det\u00e9m na dire\u00e7\u00e3o de um jovem que, revistando a lata do lixo, procura selecionar alguns restos de comida. Mas \u00e9 sobretudo a not\u00edcia de dois adolescentes, de 14 e 15 anos, mortos porque foram encontrados roubando mangas numa \u00e1rvore, que me evidencia em que n\u00edvel de medo e de falta de partilha se chegou. \u00c9 este um outro tipo de homic\u00eddio devido \u00e0 fome.  A cidade \u00e9 na fronteira com a Col\u00f4mbia. A chaga que a infesta \u00e9 representada pelos homic\u00eddios de jovens que, aos olhos de quem deveria proteg\u00ea-los, aparecem violentos, ladr\u00f5es, para os quais serve a puni\u00e7\u00e3o extrema. Assim aconteceu tamb\u00e9m a Felipe Andr\u00e9s, um jovem de dezessete anos que, para proteger o irm\u00e3o, n\u00e3o revela \u00e0queles que o levaram preso da casa da av\u00f3 onde pudesse se encontrar. Por esta sua atitude \u00e9 brutalmente morto com o n\u00famero de tiros equivalente aos seus anos.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-142656\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Venezuela_nuvoletta.jpg\" alt=\"Venezuela_nuvoletta\" width=\"368\" height=\"276\" \/>Estamos num dos bairros da periferia de Val\u00eancia.<\/strong> Fico impressionado com uma fila para comprar botij\u00f5es de g\u00e1s. Angel, 12 anos, c\u00e2ndido como o seu nome, me confidencia com desarmante simplicidade: <em>\u201cEu n\u00e3o cres\u00e7o porque n\u00e3o bebo leite\u201d.<\/em> Tamb\u00e9m o leite em p\u00f3 est\u00e1 entre os bens mais preciosos do pa\u00eds.  Ficam impressos em mim os olhos simples e viv\u00edssimos das crian\u00e7as conhecidas.  <strong>Uma noite com os jovens. <\/strong>Sente-se uma grande vontade de resgate. As experi\u00eancias deles refor\u00e7am aquele querer ser portadores de esperan\u00e7a, come\u00e7ando pelos seus amigos, na escola, no trabalho&#8230;  <strong>Na Nuvenzinha.<\/strong> Um micro-\u00f4nibus nos leva l\u00e1 em cima, onde se encontra o Centro Mari\u00e1polis \u201cLa Nuvoletta\u201d (\u201cA Nuvenzinha\u201d). Chega-se l\u00e1 percorrendo lugares marcados pela pobreza. Tamb\u00e9m aqui diversas filas \u00e0 espera de poder comprar algum produto. Gabriel me agradece pelo macarr\u00e3o que lhe ofereci. \u201cSabe que eu como macarr\u00e3o s\u00f3 no domingo?\u201d \u2013 \u201cE nos outros dias?\u201d \u2013 pergunto. \u201cNos outros dias, s\u00f3 sopa\u201d. Pergunto se est\u00e1 contente por estarmos juntos. \u201cSim \u2013 me responde \u2013, porque aqui todos est\u00e3o contentes\u201d.  <strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-142662 alignleft\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/Venezuela_07.jpg\" alt=\"Venezuela_07\" width=\"368\" height=\"276\" \/>No momento da partida outra not\u00edcia desoladora:<\/strong> fico sabendo que Fabi\u00e1n, um adolescente t\u00e3o l\u00edmpido e vivaz, poucos meses antes perdeu o pai de modo tr\u00e1gico, morto por assassinos de aluguel. Come\u00e7o a lhe contar a minha experi\u00eancia: justamente a doen\u00e7a e a partida para o c\u00e9u de meu pai, fez com que eu me reaproximasse de Deus. N\u00f3s nos olhamos e parece que nos entendemos pelo menos um pouco.  <strong>Chegamos a Maracaibo<\/strong>, a cidade mais quente da Venezuela. Damos uma volta e percorremos os mais de 8 quil\u00f4metros da ponte que a une a San Francisco.  <strong>Em Tamale nos espera uma jornada com os adolescentes do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/movimento-dei-focolari\/un-popolo\/rpu\/\">Movimento Juvenil pela unidade<\/a><strong>.<\/strong> Ouvir uma jovem de treze anos contar: \u201cEncorajei a minha m\u00e3e a perdoar aqueles que mataram o meu pai\u201d, n\u00e3o pode deixar indiferentes.  <strong>Em seguida, o encontro marcado \u00e9 numa par\u00f3quia.<\/strong> Eles nos acolhem com can\u00e7\u00f5es, e depois se inicia o di\u00e1logo: \u201cO que fazer quando um jovem diz a voc\u00ea que n\u00e3o volta para casa porque n\u00e3o tem nada para comer?\u201d. Procuro responder falando da dor e do sil\u00eancio de Deus que Jesus sentiu na Cruz.  Despedimo-nos com o pensamento que um dos adolescentes comunica a todos: \u201cA for\u00e7a do amor \u00e9 mais forte do que a dor\u201d\u00bb. (A. S.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A narra\u00e7\u00e3o de quem visitou o pa\u00eds sul-americano, com um olhar especial sobre os bem jovens. A vontade deles de resgate e a esperan\u00e7a no futuro, come\u00e7ando a constru\u00ed-lo em primeira pessoa.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-334830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=334830"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/334830\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=334830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=334830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=334830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}