{"id":335206,"date":"2017-03-07T03:10:32","date_gmt":"2017-03-07T02:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/siria-uma-quaresma-de-lagrimas\/"},"modified":"2024-05-16T15:30:25","modified_gmt":"2024-05-16T13:30:25","slug":"siria-uma-quaresma-de-lagrimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/siria-uma-quaresma-de-lagrimas\/","title":{"rendered":"S\u00edria: uma quaresma de l\u00e1grimas"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-148936 alignright\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2017\/03\/ArchbishopDamascus_SamirNassar.jpg\" alt=\"ArchbishopDamascus_SamirNassar\" width=\"183\" height=\"254\" \/>De 7 a 12 de mar\u00e7o, no Centro Mari\u00e1polis de Castelgandolfo (Roma \u2013 It\u00e1lia) re\u00fane-se um numeroso grupo de<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/movimento-dei-focolari\/scelte-e-impegno\/vescovi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">bispos <\/a><strong>cat\u00f3licos amigos dos<\/strong> <a href=\"https:\/\/www.focolare.org\/pt\/chi-siamo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Focolares<\/a>. \u00c9 significativa a proveni\u00eancia, de v\u00e1rias partes do mundo, como 26 bispos da \u00c1frica e do Oriente M\u00e9dio. Com eles est\u00e1<strong> D. Samir Nassar<\/strong>, arcebispo maronita de Damasco, a quem pedimos not\u00edcias de seu atribulado pa\u00eds.  <strong>D. Nassar, depois de seis anos de guerra, como \u00e9 a S\u00edria hoje?<\/strong> Um imenso campo de ru\u00ednas. Cen\u00e1rios apocal\u00edpticos: edif\u00edcios carbonizados, casas queimadas, bairros fantasma, vilarejos totalmente arrasados. Mais de 12 milh\u00f5es de s\u00edrios (50% da popula\u00e7\u00e3o) n\u00e3o t\u00eam mais teto. Muitos s\u00edrios, e s\u00e3o milh\u00f5es, deixaram sua p\u00e1tria formando a maior massa de refugiados depois da Segunda Guerra Mundial. Agora encontram-se relegados nos campos de refugiados a espera que algu\u00e9m lembre-se deles. Outros est\u00e3o mergulhados na fuga, ou fazem filas diante das embaixadas, como n\u00f4mades \u00e0 procura de uma terra que os acolha. A vida dos s\u00edrios, em qualquer lugar onde estejam, tornou-se um verdadeiro tormento.  A fam\u00edlia \u2013 alicerce da Igreja e da na\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e1 gravemente abalada. \u00c9 raro encontrar um n\u00facleo familiar completo e os poucos que restaram carecem de apoio, afundados na mis\u00e9ria, na depress\u00e3o e na ang\u00fastia. Os noivos n\u00e3o podem casar-se porque separados pela mobiliza\u00e7\u00e3o militar e pela falta de casas, e assim dissolve-se o futuro.  <strong>Na sua opini\u00e3o, qual a faixa mais vulner\u00e1vel?<\/strong> O maior risco correm as crian\u00e7as. Elas est\u00e3o pagando caro por esta viol\u00eancia sem piedade. Segundo a Unesco, mais de 3 milh\u00f5es de crian\u00e7as s\u00edrias n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola, at\u00e9 porque a prioridade \u00e9 a sobreviv\u00eancia f\u00edsica. As poucas escolas que funcionam est\u00e3o superlotadas e o n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o sofre pelo \u00eaxodo de muitos professores. Os centros de apoio psicol\u00f3gico tamb\u00e9m est\u00e3o superlotados pelo grande n\u00famero e pela natureza das feridas e bloqueios psicol\u00f3gicos que agridem grande parte das nossas crian\u00e7as.  <strong>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es da Igreja \u00e9 tamb\u00e9m o \u00eaxodo dos crist\u00e3os&#8230;<\/strong> As par\u00f3quias registram uma dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o dos fieis e das atividades pastorais. A Igreja de Damasco viu partir um ter\u00e7o dos sacerdotes (27), uma dura realidade que enfraquece ainda mais a fun\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em decl\u00ednio, da minoria crist\u00e3. Os sacerdotes que resistem no local n\u00e3o se sentem seguros e procuram negociar uma poss\u00edvel sa\u00edda. Entretanto atuam como operadores s\u00f3cio-humanit\u00e1rios juntos \u00e0s fam\u00edlias atingidas. Mas como imaginar uma Igreja sem padres?  <strong>E nesse momento, como \u00e9 a vida do s\u00edrios?<\/strong> Os s\u00edrios n\u00e3o buscam mais a liberdade. Cada dia devem combater para conseguir p\u00e3o, \u00e1gua, g\u00e1s, combust\u00edvel, que s\u00e3o cada vez mais raros. Os cortes, frequentes e prolongados, de energia el\u00e9trica os derruba na melancolia reduzindo a sua vida social. A busca pelos irm\u00e3os, pais e amigos desaparecidos \u00e9 feita com grande discri\u00e7\u00e3o e inquieta\u00e7\u00e3o. Encontrar uma pequena moradia, algum ref\u00fagio onde morar, tornou-se um sonho imposs\u00edvel para toda fam\u00edlia, especialmente os casais jovens. Os povo s\u00edrio vive esta chaga com grande amargura, o que \u00e9 vis\u00edvel nos olhares silenciosos e em suas l\u00e1grimas. A Quaresma 2017 nos oferece um momento de profunda reflex\u00e3o, para rever o nosso compromisso como Igreja que quer estar ao lado dos nossos fieis na prova\u00e7\u00e3o, para caminhar com eles para o Cristo Ressuscitado, que disse: \u201cVinde a mim, v\u00f3s todos que estais cansados e oprimidos&#8230;\u201d (Mt 11,28).  <strong>O que o impulsionou a vir a este encontro com outros bispos?<\/strong> Desde 2008 encontro nos Focolares um tipo de escuta e de di\u00e1logo que me ajuda a aceitar a minha solid\u00e3o episcopal e o isolamento f\u00edsico num pa\u00eds em guerra. Nesses encontros em Castelgandolfo experimento uma acolhida fraterna, discreta e respeitosa, numa atmosfera e num tom espiritual que nutre a alma e confirma o esp\u00edrito. Um o\u00e1sis de amizade, de miss\u00e3o e de renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arcebispo de Damasco conta sobre o seu pa\u00eds, depois de seis anos de guerra: um campo de ru\u00ednas, fam\u00edlias desmembradas, inf\u00e2ncia negada, par\u00f3quias desertas. Um povo que luta cotidianamente para encontrar \u00e1gua e comida.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-335206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=335206"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335206\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=335206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=335206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=335206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}