{"id":335466,"date":"2017-06-02T01:10:17","date_gmt":"2017-06-01T23:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.focolare.org\/ressurreicao-atras-das-barras\/"},"modified":"2024-05-16T15:31:21","modified_gmt":"2024-05-16T13:31:21","slug":"ressurreicao-atras-das-barras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/ressurreicao-atras-das-barras\/","title":{"rendered":"Ressurrei\u00e7\u00e3o atr\u00e1s das barras"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-152882\" src=\"https:\/\/www.focolare.org\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/20170602-01.jpg\" alt=\"20170602-01\" width=\"300\" height=\"300\" \/>O \u00faltimo ato da minha estadia na Jord\u00e2nia prev\u00ea a visita \u00e0 pris\u00e3o feminina, na periferia de Am\u00e3.<\/strong> No corredor de controle, a <strong>Omar<\/strong>, o amigo que me acompanha, \u00e9 pedido que tire rel\u00f3gio e \u00f3culos de sol. Tamb\u00e9m os meus \u00f3culos arriscam ser levados embora, mas fa\u00e7o com que os experimentem e a jovem policial percebe que sem eles, mal consigo ver. Chegamos \u00e0 primeira sala de espera depois de ter atravessado um longo p\u00e1tio. O dia j\u00e1 \u00e9 de ver\u00e3o.  <strong>Superamos o en\u00e9simo controle<\/strong> e deixamos o folheto com o nome da pessoa que queremos visitar. Na sala de espera, outras duas mulheres jovens esperam a sua vez de visita. Quem esperam encontrar, uma irm\u00e3? Ou a m\u00e3e? Um homem de uns cinquenta anos, tra\u00e7os \u00e1rabes marcados, olha fixo para os seus sapatos gastos. Tamb\u00e9m ele espera. O meu amigo tenta se sentar, mas a cadeira quebra. Diante daquela cena, em qualquer outro lugar todos ririam. Mas ali, naquela sala, ningu\u00e9m ousa fazer isso, est\u00e3o tomados pela pr\u00f3pria dor. O clima que se respira \u00e9 semelhante ao de quem espera o diagn\u00f3stico de um m\u00e9dico sobre a doen\u00e7a grave de uma pessoa amada. Do som arranhado do alto-falante e do salto que o homem d\u00e1 ao se levantar, entendo que chegou a sua vez.  <strong>Logo depois, o an\u00fancio \u00e9 para n\u00f3s<\/strong>. Um pequeno corredor, do lado direito cada cela tem uma janelinha com os cl\u00e1ssicos velhos telefones de cada lado do vidro. A nossa amiga, inesperadamente alegre, se agita e gesticula, nos diz pelo fone que podemos solicitar que o encontro possa se realizar em outra sala, \u201cface a face\u201d. \u00c9 P\u00e1scoa e, para os crist\u00e3os, hoje \u00e9 permitida uma visita. <strong>Sa\u00edmos do edif\u00edcio e reentramos pela entrada oficial<\/strong>. Mais passaportes, perguntas e o nome de quem queremos visitar. Aguardamos numa sala, enquanto assistimos ao trabalho de alguns funcion\u00e1rios ocupados em inserir documentos dentro de pastas numeradas.  <strong>A espera \u00e9 longa.<\/strong> Talvez tamb\u00e9m para ela a estrada \u00e9 feita de muitas portas que se abrem e fecham. A\u00ed est\u00e1, chegou.  <strong>Margari \u00e9 uma mulher de uns quarenta anos, da Am\u00e9rica do Sul, alegre<\/strong>. \u00abQue inveja v\u00e3o ter as minhas companheiras de cela!\u00bb. \u00c9 uma mulher meiga, reconhece ter errado, daqui a alguns meses sair\u00e1, conta os dias no calend\u00e1rio que confeccionou para si. Nestes dois anos se tornou av\u00f3 e ainda n\u00e3o conhece o netinho. Dos seus quatro filhos, os dois primeiros deixaram a escola para trabalhar e est\u00e1 sem marido. \u00abQuando voltar, v\u00e3o me repreender, \u00e9 justo que estejam com raiva de mim. Consigo ouvi-los de vez em quando por telefone. O meu desejo \u2013 <strong>continua<\/strong> \u2013 era o de abrir um orfanato para os meninos de rua. Aqui dentro, a vida \u00e9 dura, \u00e0s vezes pensei em dar um fim em tudo. A gente acaba se tornando m\u00e1. Mas eu n\u00e3o consigo, se ficam com raiva ou batem em mim, eu fico quieta, n\u00e3o consigo reagir. As minhas amigas est\u00e3o aqui, algumas h\u00e1 v\u00e1rios anos. Fernanda a oito anos, mas sair\u00e1 logo. Aos 29 anos de idade, uma grave doen\u00e7a a est\u00e1 levando embora. Entrou aqui bem jovem, por uma bobagem maior do que a minha. Ela engoliu os papelotes daquela porcaria. Eu agrade\u00e7o a Deus, apesar de tudo, O sinto perto e por isso me sinto uma privilegiada\u00bb.  <strong>Margari me confia os seus filhos<\/strong>, me pede para escrever a eles que a visitei e que n\u00e3o v\u00ea a hora de rev\u00ea-los. <strong>N\u00f3s nos deixamos com um grande abra\u00e7o<\/strong>, dif\u00edcil descrever o que sinto naquele momento. Queria que fosse um pequeno gesto, para carregar em mim a sua dor. Num dia t\u00e3o ensolarado, talvez um raio do Seu amor ultrapassou as barras e aqueles muros cinzentos.  <strong>\u00c9 uma manh\u00e3 de P\u00e1scoa especial.<\/strong> N\u00e3o posso sen\u00e3o agradecer a Deus por aquilo que me fez viver: ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira liberdade. Encontrei na pris\u00e3o uma mulher livre, porque consciente de ser amada por Deus.  (Ago Spolti, It\u00e1lia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia de P\u00e1scoa, numa pris\u00e3o na Jord\u00e2nia, o encontro com uma mulher \u201clivre\u201d para amar.<\/p>\n","protected":false},"author":34,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"give_campaign_id":0,"_seopress_robots_primary_cat":"","_seopress_titles_title":"","_seopress_titles_desc":"","_seopress_robots_index":"","_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[129],"tags":[],"class_list":["post-335466","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335466","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/34"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=335466"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/335466\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=335466"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=335466"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.focolare.org\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=335466"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}